Consolidação de produtos premium, expansão do calendário de
consumo e lealdade às marcas tradicionais geraram incremento de R$45,8 milhões
O mercado
brasileiro de panetones demonstrou forte resiliência e valorização na temporada
de fim de ano (período de outubro de 2025 a janeiro de 2026): a categoria
registrou um crescimento de 3,5% em faturamento, gerando um incremento
financeiro de R$ 45,8 milhões para o setor e totalizando R$ 1,36 bilhão,
segundo dados Worldpanel by Numerator, encomendados pela Associação Brasileira
das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos
Industrializados (Abimapi) e apresentados no Salão do Panetone 2026. Embora
tenha ocorrido uma retração de 3,4% no volume de vendas, o segmento totalizou
50 mil toneladas. Os dados refletem um movimento de busca por indulgência e
produtos premium, no qual o consumidor prioriza produtos de maior valor
agregado e que promovem momentos de prazer.
Com uma penetração
total de 63% nos lares brasileiros, o panetone mantém sua relevância como um
item essencial e presenteável, consolidando 33,1% de importância em volume para
essa finalidade, índice estável em relação ao ano passado.
“O resultado
financeiro positivo reafirma a força do produto no planejamento de compras das
famílias e no varejo nacional, além de refletir o valor simbólico e afetivo que
o panetone tem para os brasileiros. Mesmo diante de um consumidor que busca
racionalizar suas escolhas e pesquisar mais, o panetone se estabeleceu como um
item indispensável e uma das principais opções de presentes para o Natal. A
indústria foi muito feliz ao ler esse movimento, investindo em indulgência com
recheios sofisticados e ampliando as opções de tamanhos maiores para o consumo
compartilhado”, avalia Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi.
O segmento de
panetones recheados destaca-se como o de maior crescimento no consumo,
registrando um ganho de +4,5% em volume, com destaque no estado de São Paulo,
regiões Norte, Nordeste e Sul. No segmento de altíssimo valor agregado,
conhecido como Super Tier (produtos com índice de preço acima de 140% em
relação à média do mercado), a contribuição no aumento em volume foi de 0,4%,
impulsionado especialmente por sabores como trufado, doce de leite e avelã.
Nas gôndolas, as
embalagens tradicionais de 400g continuam liderando o mercado, representando
64,2% do volume total de vendas da categoria. No entanto, a estratégia da
indústria de apostar em tamanhos maiores trouxe retornos promissores: o formato
de 601g a 1kg registrou uma contribuição de 2% em volume, alcançando uma
participação de 18,5% de todo o consumo no país.
Perfil de
consumo
A pesquisa mostra
ainda que o perfil do consumidor de panetone tem uma forte conexão com a
tradição e o ambiente familiar, e uma tendência de celebração mais forte em
lares maduros. O público 50+ lidera o consumo de panetones no país, respondendo
por 41,7% de todo o volume da categoria. Os lares de tamanho médio a grande,
compostos por 3 a 4 pessoas, lideram as compras (49,2%) e o consumo está
amplamente concentrado na Classe C (48,6% do volume de vendas), seguida pela
Classe A/B (35,2%).
Os consumidores mais assíduos, chamados de “Panetone Lovers” compõe 20% do total de compradores, mas são responsáveis por 48% de todo o volume consumido no país. Iniciam suas compras mais cedo, em outubro e novembro e estão altamente concentrados no estado de São Paulo (40,5%) e na região Sul (17,6%). Concentram-se em lares grandes, de 5 ou mais pessoas (50,8%), classe C (48,6%), classe A/B (40,4%) e público de 50+ anos (45,3%).
É um público que prova mais marcas, com preferência
para os tradicionais de fruta, de embalagens com mais de 750g, e recheados de
400g.
Os compradores
“Moderados” equivalem a 30% dos compradores e concentram suas compras em
novembro e dezembro, priorizam panetones recheados e trufados de tamanhos
maiores, com forte adesão do público 50+ e lares médios. Já os “Ocasionais”,
que representam 50% dos consumidores, esperam as promoções de janeiro para
adquirir marcas premium e produtos sofisticados com preços mais atrativos,
sendo um público predominantemente das classes C, D e E.
Principais
marcas são preferidas
O fortalecimento
da confiança do consumidor nas marcas também marcou a temporada. A lealdade às
20 principais marcas de panetone manteve-se sólida, alcançando um patamar de
83,8%. Paralelamente, os canais de hipermercados, os independentes (como
supermercados convencionais, regionais e pequeno varejo) e as chocolaterias
premium foram fundamentais para sustentar o giro de novidades e garantir a
entrega de experiências diferenciadas aos brasileiros.
"Apesar de 2025-2026 ter sido um ciclo desafiador para a categoria de Panetones, especialmente diante de um consumidor mais seletivo, maior pressão sobre preços e mudanças nas escolhas de compra, Panetone segue ocupando um papel extremamente relevante no final de ano brasileiro, uma tradição familiar que não se p erde e se renovará a cada temporada", avalia David Fiss, Business Development Director da Worldpanel by Numerator no Brasil.
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