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Maior série já
publicada em revista científica, com a participação da Sociedade Brasileira de
Mastologia (SBM), traz achados importantes sobre técnica de abordagem
percutânea desenvolvida e aprimorada no Brasil
Uma técnica desenvolvida e aprimorada no Brasil
mereceu destaque como maior série já publicada em uma revista científica.
Combinando biópsia mamária estendida assistida a vácuo e raspagem do tecido
(shaving) da cavidade residual após a biópsia, o método é uma estratégia
promissora em abordagens percutâneas, menos invasivas, para remoção completa de
tumores de mama. O estudo pioneiro, que conta com a participação da Sociedade
Brasileira de Mastologia (SBM), fornece contribuições para novas investigações
e testes que agora serão realizados em ensaios de validação.
A série “Coleta de fragmentos das margens da
cavidade como parte da biópsia mamária estendida assistida a vácuo: uma
abordagem potencial para prever a excisão percutânea de câncer de mama” foi
publicada na conceituada Annals of Surgical Oncology (ASO), revista científica
oficial da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica e da Sociedade Americana
de Cirurgiões de Mama.
O estudo baseia-se na dissertação de mestrado da
mastologista Paula Clarke, idealizado e orientado pelos colegas Professor
Doutor Eduardo Carvalho Pessoa e Henrique Lima Couto, no Departamento de
Obstetrícia e Ginecologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em
Botucatu (SP).
A série parte de uma análise retrospectiva de 120
casos que integram o banco de dados da Redimama-Redimasto, centro especializado
em imagem mamária em Belo Horizonte (MG), com vasta experiência em biópsia a
vácuo, onde a técnica foi desenvolvida. “No estudo, que expõe um problema real
em oncologia, avaliamos se a biópsia mamária estendida assistida a vácuo
associada a shaving era capaz de prever a remoção completa de tumores pequenos.
Esta estratégia é um passo potencialmente importante para futuras abordagens de
tratamento percutâneo de câncer de mama”, afirma Clarke.
Como método diagnóstico no estudo, a biópsia a
vácuo estendida guiada por ultrassom, ou estereotaxia, retirava através de uma
agulha fragmentos da lesão por meio de aspiração. Esses fragmentos eram
submetidos à análise criteriosa de um patologista para identificar a ocorrência
de células cancerígenas ou não. Associada ao método, que utiliza anestesia
local, a raspagem ou shaving da cavidade residual, segundo a mastologista,
fornecia informações que poderiam ter valor preditivo em relação à presença ou
não de lesão residual.
Dos 120 casos que combinaram biópsia a vácuo
estendida e shaving, 37,5% não apresentaram tumor residual na cirurgia. Em 15%
foi detectada apenas doença residual mínima, com tumores menores que três
milímetros. “Ou seja, a estratégia conseguiu remover completamente o câncer em
um a cada três casos”, ressalta a mastologista. Dos 120 procedimentos, 119
foram realizados por mastologistas.
Participante da série publicada na ASO, Professor
Doutor Eduardo Carvalho Pessoa, membro da Comissão do Título de Especialista em
Mastologia (TEMa) da SBM e orientador do estudo, diferencia a eficiência da
estratégia para o carcinoma in situ e o carcinoma invasor. “A excisão a vácuo
funciona muito bem para carcinomas invasores. No carcinoma in situ, que se
caracteriza como uma lesão mais espalhada, não conseguimos ter certeza de que a
agulha conseguiu retirar tudo.”
Ainda sobre o carcinoma in situ, Paula Clarke
destaca que a análise multivariada trouxe achados importantes. “Constatamos,
por exemplo, que quanto maior o carcinoma in situ, maiores as chances de doença
residual. Também observamos que o volume de doença no shaving se correlacionou
com a chance de falso negativo, de doença residual ou de upgrade.”
O mastologista Henrique Lima Couto, presidente da
Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais (SBM-MG), que
desenvolveu a técnica e integra a equipe de pesquisadores, destaca que as
descobertas do estudo agora estão em validação em um ensaio clínico prospectivo
fase 2. “A investigação vem sendo conduzida única e exclusivamente no Brasil,
fronteira, liderança e vanguarda com o estudo VAE Breast 01, abordagem
minimamente invasiva que avalia o tratamento percutâneo e a ressecção completa
de tumores com a intenção de tratar o câncer de mama”, afirma.
De acordo com Lima Couto, novas comprovações também
seguem em testagem com pacientes em tratamento de câncer de mama
pós-quimioterapia neoadjuvante (VAE Breast 02), também com a participação da
Sociedade Brasileira de Mastologia, como parte do mestrado da dra. Katyane
Larissa Alves, na Universidade Federal de Goiás (UFG).

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