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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Dor de cabeça e alterações na visão podem ser sinais de aneurisma cerebral?

Neurocirurgiã explica quando é preciso investigar

Maioria dos aneurismas não apresenta sintomas, mas dor súbita e intensa associada a alterações visuais e outros sinais neurológicos exige atendimento imediato
 

Dor de cabeça e alterações na visão estão entre as queixas mais comuns da população e, na maioria das vezes, não significam a presença de uma doença neurológica grave. Em algumas situações, porém, principalmente quando surgem de maneira súbita, intensa ou acompanhadas de outros sintomas neurológicos, podem indicar uma emergência. Entre as condições que precisam ser descartadas está o aneurisma cerebral. 

Estimativas internacionais indicam que aproximadamente 3% da população adulta pode apresentar um aneurisma intracraniano não roto. Grande parte dessas alterações permanece silenciosa e pode nunca provocar sintomas. O aneurisma cerebral ocorre quando há uma dilatação em uma região enfraquecida da parede de uma artéria do cérebro. O principal risco é a ruptura, que pode provocar uma hemorragia subaracnóidea e exige atendimento médico imediato. 

“Ter dor de cabeça ou visão embaçada não significa que a pessoa tenha um aneurisma. São sintomas muito frequentes e que podem estar relacionados a inúmeras condições. O que merece atenção é principalmente uma mudança no padrão habitual, o início abrupto e a associação com outros sinais neurológicos”, explica a neurocirurgiã Dra. Vanessa Milanese, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). 

Quando não se rompe, o aneurisma cerebral geralmente não causa manifestações, sobretudo quando é pequeno. Em alguns casos, entretanto, aneurismas maiores podem comprimir nervos e estruturas próximas, provocando dor acima ou atrás de um dos olhos, alteração do tamanho da pupila, visão dupla ou outras mudanças visuais. 

O cenário muda diante da ruptura. A manifestação clássica é uma dor de cabeça extremamente intensa e de início súbito, frequentemente descrita pelos pacientes como uma dor diferente de qualquer outra já sentida. Náuseas, vômitos, rigidez no pescoço, visão turva ou dupla, sensibilidade à luz, confusão, convulsões e perda de consciência também podem ocorrer. 

“Uma dor que começa subitamente e atinge uma intensidade muito forte em segundos ou poucos minutos não deve ser tratada em casa como uma cefaleia habitual, especialmente quando vem acompanhada de alteração visual, vômitos, desmaio, confusão ou algum déficit neurológico. Nesses casos, a orientação é procurar um serviço de emergência imediatamente”, alerta a especialista. 

O Ministério da Saúde também aponta dor de cabeça súbita e intensa e alterações na visão entre os sinais de alerta para eventos cerebrovasculares. Entre os fatores associados à formação e à ruptura de aneurismas estão principalmente o tabagismo e a hipertensão arterial não controlada. Histórico familiar e algumas condições genéticas, como doença renal policística e doenças que afetam o tecido conjuntivo, também podem aumentar o risco. 

A Dra. Vanessa ressalta, porém, que não há indicação de exames de imagem indiscriminados para toda pessoa que apresenta dor de cabeça. “O histórico do paciente, as características da dor, a presença de fatores de risco e o exame clínico ajudam o médico a definir quando existe necessidade de investigação. O mais importante é conhecer os sinais de alerta e não banalizar uma dor ou uma alteração visual que aparece de forma muito diferente do habitual”, afirma. 

Quando há suspeita, exames de imagem permitem avaliar os vasos cerebrais e identificar a presença de aneurismas. Nos casos diagnosticados antes da ruptura, a conduta é individualizada e leva em consideração características como tamanho, formato e localização do aneurisma, além da idade, condições clínicas e histórico do paciente. 

“Nem todo aneurisma diagnosticado precisa ser operado imediatamente. Existem situações em que o acompanhamento é a melhor conduta e outras em que o tratamento é recomendado. Essa decisão deve ser individualizada. O diagnóstico permite justamente avaliar o risco e definir a estratégia mais segura para cada paciente”, finaliza a neurocirurgiã.

 

SBN -associação de médicos que exercem a especialidade de Neurocirurgia no Brasil. Fundada há 68 anos, em 1957, tem aproximadamente 2500 sócios, sendo uma das maiores do mundo na especialidade. Sua missão é garantir o progresso da Neurocirurgia, por meio do incentivo ao aprimoramento da formação do neurocirurgião brasileiro, do monitoramento da prática profissional e da representação dos interesses dos neurocirurgiões. Mantém atividades regulares e ininterruptas no treinamento, ensino e formação do médico especialista em Neurocirurgia, seguindo protocolos e padrões que a colocam entre as melhores do mundo, conforme reconhece a WFNS – World Federation of Neurosurgical Societies. Site: portalsbn.org / Instagram sbn.neurocirurgia


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