Com
o crédito habitacional mais rígido nos bancos, especialista em finanças ensina
a calcular o custo real dos juros e mostra como o planejamento financeiro evita
rasgar dinheiro no financiamento.
Um imóvel anunciado por R$ 500 mil pode representar um desembolso
próximo de R$ 1,5 milhão ao longo de 35 anos. Em uma simulação pelo sistema
Price, com entrada de R$ 100 mil e financiamento de R$ 400 mil a uma taxa
efetiva de 10% ao ano, as parcelas somariam aproximadamente R$ 1,39 milhão. O
cálculo ainda não inclui seguros, tarifas e eventuais correções previstas no
contrato.
O exemplo mostra por que o comprador não deve avaliar o
financiamento apenas pelo valor da primeira prestação. Mesmo após cortes na
taxa Selic, os juros do crédito habitacional podem permanecer elevados, pois
também são influenciados pelo custo de captação dos bancos, pelo prazo da
operação, pelo risco de inadimplência e pelas condições de cada instituição.
Segundo Guilherme Catarino, especialista em finanças e
consórcios, a redução da taxa básica não chega imediatamente ao consumidor. “A
pessoa escuta que a Selic caiu e acredita que o financiamento ficará barato na
mesma proporção. Essa transmissão pode demorar e não acontece de forma
automática. O que define o custo para o comprador é a taxa efetivamente
oferecida e, principalmente, o Custo Efetivo Total da operação”, explica.
O Custo Efetivo Total reúne juros, tarifas, seguros e outros
encargos cobrados durante o contrato. Além desse indicador, o comprador deve
observar o sistema de amortização, o indexador utilizado, o prazo e o valor
total previsto para pagamento. Uma parcela que cabe no orçamento atual pode
esconder um compromisso muito superior ao preço original do imóvel.
Outro erro é escolher o maior prazo disponível somente para
reduzir a prestação. Quanto mais longo o contrato, maior tende a ser o período
de incidência dos juros. “Alongar o financiamento pode facilitar a aprovação,
mas também pode fazer a família pagar pelo mesmo imóvel duas ou três vezes.
Antes de assinar, é necessário comparar quanto será desembolsado no total, e
não apenas quanto sairá da conta no primeiro mês”, afirma Catarino.
O planejamento também deve considerar uma entrada maior, a
possibilidade de realizar amortizações antecipadas e a formação de uma reserva
para despesas como escritura, registro, impostos, condomínio e manutenção.
Dependendo do prazo disponível para a compra, alternativas como acumular
recursos, investir com finalidade definida ou utilizar um consórcio também
podem ser analisadas. Neste último caso, é necessário considerar taxas,
reajustes e o fato de que a contemplação depende de sorteio ou lance.
Para Catarino, não existe uma única estratégia adequada para
todos os compradores. Quem precisa do imóvel imediatamente possui uma
necessidade diferente de quem pode planejar a aquisição por alguns anos. Renda,
estabilidade profissional, patrimônio já formado e capacidade de suportar
imprevistos também influenciam a escolha.
“A casa própria não deve ser decidida somente pela emoção ou
pela aprovação do banco. Crédito aprovado não significa que a operação seja
saudável para aquela família. A melhor escolha começa quando o comprador
entende o custo real, compara alternativas e define quanto do próprio futuro
financeiro está disposto a comprometer”, conclui.
Fonte: Guilherme Catarino — especialista em finanças e
consórcios.
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