Irregularidade menstrual, insônia, alterações de humor e ondas de calor podem surgir anos antes da última menstruação; especialistas orientam quando iniciar a investigação.
Pesquisas recentes mostram um dado que
chama atenção: cerca de um terço das mulheres na faixa dos 40 anos não consegue
identificar se já está vivendo a transição para a menopausa. Os sinais aparecem
de forma sutil, muitas vezes anos antes da última menstruação, e acabam sendo
confundidos com estresse, cansaço do dia a dia ou simples variações do ciclo.
Irregularidade menstrual, insônia, oscilações de humor e ondas de calor estão
entre os sintomas mais comuns e mais ignorados.
Para a Dra. Alessandra Clarizia,
ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, essa falta de
percepção tem explicação. "A perimenopausa não chega com aviso. Ela se
instala aos poucos, e a mulher só entende o que está acontecendo quando os
sintomas já viraram rotina", explica.
Segundo a especialista, o processo pode
começar entre oito e dez anos antes da menopausa propriamente dita, período em
que os ovários passam a produzir hormônios de maneira menos previsível. Essa
oscilação é a raiz de boa parte dos incômodos relatados por pacientes na faixa
dos 35 aos 45 anos.
"O ciclo que antes era regular
começa a variar, vem mais forte ou mais fraco, atrasa ou adianta. Ao mesmo
tempo, o sono fica mais leve, a paciente acorda no meio da noite sem motivo
aparente, e o humor oscila de um jeito que ela mesma estranha", descreve a
médica.
As ondas de calor, um dos sintomas mais
associados popularmente à menopausa, também podem surgir bem antes do que se
imagina. De acordo com a ginecologista, é comum que esse sinal seja atribuído a
outras causas, o que atrasa o diagnóstico correto. "Muita gente pensa que
calorão é coisa de quem já parou de menstruar. Na prática, ele pode aparecer
anos antes, junto com outros sinais que passam despercebidos", afirma.
A orientação da especialista é simples:
não esperar a ausência da menstruação para procurar avaliação médica. Sintomas
persistentes, mesmo que isolados, já justificam uma consulta. "Quando a
paciente chega para investigar cedo, conseguimos entender o que está
acontecendo com o corpo dela e traçar um cuidado individualizado, em vez de
tratar cada sintoma separadamente", pontua.
Essa abordagem integrada é um dos
pilares da ginecologia regenerativa, área de atuação da médica. A proposta vai
além do alívio pontual dos sintomas e busca entender o funcionamento hormonal
da paciente como um todo, considerando histórico, estilo de vida e
particularidades de cada organismo.
Para quem se identifica com os sinais descritos, a recomendação é clara, buscar acompanhamento especializado assim que as primeiras mudanças forem percebidas. Segundo a médica, esse é o caminho para atravessar a transição com mais qualidade de vida e menos surpresas. "Entender o próprio corpo nessa fase não é frescura, é cuidado. Quanto antes a mulher souber o que está vivendo, mais tranquila ela passa por essa etapa", conclui.
Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós-doutora, com atuação em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.
instagram: @clarizia.saudedamulher
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