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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Uma em cada três mulheres não sabe se já entrou na perimenopausa

Irregularidade menstrual, insônia, alterações de humor e ondas de calor podem surgir anos antes da última menstruação; especialistas orientam quando iniciar a investigação.

 

Pesquisas recentes mostram um dado que chama atenção: cerca de um terço das mulheres na faixa dos 40 anos não consegue identificar se já está vivendo a transição para a menopausa. Os sinais aparecem de forma sutil, muitas vezes anos antes da última menstruação, e acabam sendo confundidos com estresse, cansaço do dia a dia ou simples variações do ciclo. Irregularidade menstrual, insônia, oscilações de humor e ondas de calor estão entre os sintomas mais comuns e mais ignorados.

Para a Dra. Alessandra Clarizia, ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, essa falta de percepção tem explicação. "A perimenopausa não chega com aviso. Ela se instala aos poucos, e a mulher só entende o que está acontecendo quando os sintomas já viraram rotina", explica.

Segundo a especialista, o processo pode começar entre oito e dez anos antes da menopausa propriamente dita, período em que os ovários passam a produzir hormônios de maneira menos previsível. Essa oscilação é a raiz de boa parte dos incômodos relatados por pacientes na faixa dos 35 aos 45 anos.

"O ciclo que antes era regular começa a variar, vem mais forte ou mais fraco, atrasa ou adianta. Ao mesmo tempo, o sono fica mais leve, a paciente acorda no meio da noite sem motivo aparente, e o humor oscila de um jeito que ela mesma estranha", descreve a médica.

As ondas de calor, um dos sintomas mais associados popularmente à menopausa, também podem surgir bem antes do que se imagina. De acordo com a ginecologista, é comum que esse sinal seja atribuído a outras causas, o que atrasa o diagnóstico correto. "Muita gente pensa que calorão é coisa de quem já parou de menstruar. Na prática, ele pode aparecer anos antes, junto com outros sinais que passam despercebidos", afirma.

A orientação da especialista é simples: não esperar a ausência da menstruação para procurar avaliação médica. Sintomas persistentes, mesmo que isolados, já justificam uma consulta. "Quando a paciente chega para investigar cedo, conseguimos entender o que está acontecendo com o corpo dela e traçar um cuidado individualizado, em vez de tratar cada sintoma separadamente", pontua.

Essa abordagem integrada é um dos pilares da ginecologia regenerativa, área de atuação da médica. A proposta vai além do alívio pontual dos sintomas e busca entender o funcionamento hormonal da paciente como um todo, considerando histórico, estilo de vida e particularidades de cada organismo.

Para quem se identifica com os sinais descritos, a recomendação é clara, buscar acompanhamento especializado assim que as primeiras mudanças forem percebidas. Segundo a médica, esse é o caminho para atravessar a transição com mais qualidade de vida e menos surpresas. "Entender o próprio corpo nessa fase não é frescura, é cuidado. Quanto antes a mulher souber o que está vivendo, mais tranquila ela passa por essa etapa", conclui.  



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós-doutora, com atuação em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.
instagram: @clarizia.saudedamulher


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