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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Como a transparência de dados potencializa sua economia em viagens corporativas

Mudanças no comportamento de compra podem gerar economia antes mesmo da negociação de descontos com companhias aéreas


Empresas que buscam reduzir gastos com viagens corporativas podem estar começando a negociação pelo lugar errado. Antes de discutir descontos com companhias aéreas, hotéis e locadoras, é preciso entender como a própria organização compra, o comportamento, quais são seus fornecedores, com que antecedência os funcionários fazem reservas e quais metas precisam ser alcançadas. A avaliação é da Voetur Viagens e foi apresentada durante o Fórum de Inovação em Procurement, realizado nesta semana, em São Paulo. A análise reforça a necessidade de uma mudança na forma como as empresas conduzem processos de concorrência e gerenciam os custos relacionados às viagens corporativas. 

Dados da ABRACORP de 2025 divulgados pela associação mostram que as passagens aéreas representam aproximadamente 58% do volume de compras de viagens, enquanto a hospedagem responde por 31%. A Voetur reforça ainda que alterar o comportamento de compra pode produzir impacto relevante nas despesas de viagens, gerando redução de custos. 

Para Carolina Gaete, diretora comercial da Voetur Viagens e embaixadora da ALAGEV em São Paulo, os processos de concorrência atualmente restringem a abertura de dados, apresentando apenas o gasto anual consolidado da empresa. Esse número mostra quanto foi desembolsado, mas não necessariamente explica o que, por que, onde e como o dinheiro está sendo gasto.

“Quanto mais a empresa abre seus dados, mais o fornecedor consegue identificar o que precisa ser trabalhado primeiro. Sem dados, como podemos ajudar?”, afirma Carolina.

Entre as informações que podem mudar a qualidade de uma concorrência estão a antecedência média de compra, as companhias aéreas mais utilizadas, acordos corporativos, destinos, tarifas máximas permitidas, preferências dos viajantes, cidades e perfil das hospedagens, necessidade de hospedagem em regiões remotas, política de viagens, fluxo de aprovação, comportamento de públicos específicos, além de dados que quantificam remarcações e reembolsos.

A lógica é transformar o processo de concorrência de uma simples disputa por preço em uma análise da operação. Com informações mais detalhadas, o fornecedor pode identificar onde existe espaço para negociação, quais parceiros são mais adequados a determinados perfis de viagem e quais mudanças de comportamento podem gerar economia antes mesmo de uma renegociação contratual.

O impacto da antecedência da compra de uma passagem aérea é um exemplo. A mesma lógica vale para outras etapas da jornada. Na hotelaria, por exemplo, a empresa pode precisar considerar não apenas a diária, mas cidades, perfil do viajante, tipo de estabelecimento e condições de pagamento. Já na gestão de bilhetes, créditos não utilizados podem representar recursos que deixam de ser aproveitados quando não são acompanhados pela empresa.

Essa mudança também amplia o papel da TMC. Para a Voetur, o fornecedor deixa de ser apenas responsável pela emissão e reserva de serviços e passa a atuar de forma consultiva sobre a operação, acompanhando os dados e recomendando mudanças de comportamento, sourcing, fornecedores e políticas. “Quando dados são compartilhados desde o início, é possível atuar de forma muito mais assertiva”, diz Carolina.

A consequência é uma mudança na própria definição de gestão de viagens corporativas. Em vez de tratar a mobilidade como uma despesa a ser reduzida linearmente, a empresa passa a analisar o custo total da viagem e os fatores que determinam esse valor. A estratégia envolve dados, comportamento, negociação, tecnologia, política de viagens e experiência do viajante.

Para a Voetur, esse movimento também exige uma relação mais transparente entre empresas e fornecedores. Dados históricos e informações operacionais podem ser usados desde o início de uma RFP para que a concorrência seja baseada nas características reais de cada operação, considerando que rotas, cidades, perfis de viajantes e necessidades variam de uma empresa para outra.

“Cada negócio têm características diferentes. Se a empresa abre os dados, o fornecedor consegue enxergar onde realmente está a oportunidade”, conclui Carolina.


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