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terça-feira, 1 de setembro de 2026

De ransomware a roubo de dados com pendrive: Kaspersky revela bastidores de ciberataques às instituições de ensino no Brasil

Com 40% das invasões ao setor educacional classificadas como de alta severidade no país, mapeamento inédito detalha três incidentes reais e mostra como senhas vazadas, programas legítimos e falhas internas viraram portas de entrada 


Com o grande volume de dados pessoais de alunos, pais e professores, armazenados nas instituições de ensino, as escolas e universidades brasileiras viraram grandes alvos de ciberataques. Das invasões registradas no setor educacional no país, 40% são consideradas de alta severidade. Uma investigação inédita da Kaspersky reuniu três casos reais ocorridos no Brasil, revelando como cibercriminosos usam desde programas populares de suporte remoto para o sequestro de dados (por meio da implantação de ransomware) até pendrives para coleta de informações e espionagem interna. Entenda o modus operandi dos ataques e como se proteger. 

A análise aponta que as invasões graves são impulsionadas por falhas básicas de segurança, como senhas vazadas e o uso de sistemas operacionais desatualizados. As instituições privadas aparecem como as principais vítimas de ataques de extorsão por ransomware, enquanto escolas e universidades públicas sofrem majoritariamente com invasões em computadores locais e tentativas de acesso privilegiado aos sistemas. Conheça os acasos abaixo.
 

Caso 1: Sequestro de dados a partir de senha vazada de funcionário 

A invasão começou quando criminosos conseguiram a senha de um funcionário e entraram no sistema da escola. Já dentro da rede, eles usaram um ransomware, programa malicioso feito para "sequestrar" os arquivos e somente liberá-los mediante pagamento. 

Para espalhar esse programa malicioso pelos computadores da escola sem acionar os alarmes do antivírus, os invasores usaram ferramentas normais de trabalho do próprio sistema. O ataque acabou sequestrando os servidores de arquivos e bancos de dados mais importantes da instituição, deixando bloqueados os históricos acadêmicos, fichas dos alunos, entre outras informações.
 

Caso 2: Uso de software de acesso remoto (AnyDesk) para infectar rede com ransomware 

Em outro caso, os cibercriminosos usaram a conta de um usuário comprometido para instalar o AnyDesk, um aplicativo bastante comum usado para controlar computadores de forma remota. Por meio dele, o grupo cibercriminoso assumiu o controle de todo o sistema da escola. 

Depois de usarem um ransomware para sequestrar os dados e exigir um resgate, os invasores apagaram o histórico de navegação e registros (logs) do sistema para esconder os rastros do crime. Mesmo assim, os especialistas da Kaspersky conseguiram analisar o computador e descobrir como o ataque aconteceu.
 

Caso 3: Espionagem interna: roubo de senhas com programa espião e pendrive 

O terceiro caso mostra um perigo que veio de dentro da própria escola. Em um computador que era compartilhado por várias pessoas sem que cada uma tivesse sua própria senha de acesso, alguém instalou um programa espião capaz de gravar tudo o que era digitado no teclado (keylogger). 

Esse programa era tão detalhado que identificava até as letras maiúsculas para roubar as senhas com exatidão, salvando tudo em uma pasta oculta. Para pegar as senhas roubadas, uma pessoa só precisou espetar um pendrive no computador e copiar os arquivos. O incidente obrigou a escola a trocar as senhas de todos os usuários e mostrou o perigo de ter computadores sem acesso individual para cada usuário. 

"As redes educacionais têm um desafio único: precisam ser acessíveis para alunos, professores e terceiros, mas essa flexibilidade vira uma vulnerabilidade crítica se não houver controle de acesso. Existe uma falsa impressão de que escolas não são alvos prioritários, mas a realidade é o oposto. Os dados acumulados nelas, como CPFs e informações de famílias inteiras, são uma mina de ouro para golpistas aplicarem fraudes e roubo de identidade no Brasil. Quando uma instituição falha na higiene digital básica, ela não coloca em risco apenas a sua operação, mas a segurança de toda a sua comunidade”, ressalta Cristian Souza, especialista da equipe de Resposta a Incidentes (GERT) da Kaspersky no Brasil. 

Para evitar que redes acadêmicas sejam comprometidas, a Kaspersky recomenda:
 

  • Autenticação de dois fatores (MFA): Tornar o uso de MFA obrigatório para todos os acessos externos, como VPNs, e-mails e portais educacionais, neutralizando o uso de senhas vazadas.
  • Contas individuais e privilégios mínimos: Eliminar contas genéricas ou compartilhadas. Cada aluno e funcionário deve ter um login próprio e apenas o acesso estritamente necessário para suas funções.
  • Monitoramento de softwares de acesso remoto: Restringir e monitorar continuamente o uso e a instalação de ferramentas como AnyDesk, TeamViewer e PsExec na rede corporativa.
  • Estratégia rígida de backup: Manter cópias de segurança isoladas (offline) da rede principal e testar a restauração dos dados periodicamente.
  • Gestão de patches: Atualizar rigorosamente sistemas operacionais e softwares, eliminando de vez sistemas sem suporte do fabricante.

Para acessar a análise técnica completa, acesse o blog oficial de inteligência de ameaças da Kaspersky no Securelist.

 

Kaspersky
Mais informações no site

 

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