Pesquisa aponta previsão de reajuste em nove em
cada dez escolas particulares; educadora explica o que pesa na conta e orienta
famílias sobre planejamento e negociação
As famílias com filhos em escolas particulares devem preparar o orçamento para
mensalidades mais altas em 2027. Segundo o estudo Mensalidade e Rematrícula
2026-2027, da consultoria Meira Fernandes, nove em cada dez instituições
privadas de ensino pesquisadas pretendem reajustar os valores no próximo ano.
Entre as que preveem aumento, 80,66% devem aplicar índices entre 7% e 11%.
O
levantamento aponta uma combinação de fatores por trás dos reajustes: despesas
com salários, contratação e permanência de profissionais, ampliação do
atendimento especializado e investimentos em segurança digital. A inadimplência
também pressiona as receitas das instituições, que precisam manter pagamentos e
serviços mesmo quando há atraso nas mensalidades.
Na
prática, uma mensalidade de R$ 2 mil passaria a custar entre R$ 2.140 e R$ 2.220
com os percentuais previstos. Em 12 parcelas, isso representa um gasto
adicional de R$ 1.680 a R$ 2.640 por aluno, sem considerar outras despesas
escolares.
Para
Mariana Ruske, idealizadora e diretora da Senses Montessori School, em São
Paulo, o cenário exige planejamento das famílias e transparência das
instituições sobre a composição dos valores.
“Quando
o número é alto, as escolas também sofrem. Não é do interesse de ninguém
aplicar reajustes abusivos. A perda de alunos e a desconfiança das famílias
afetam diretamente a sustentabilidade de uma instituição”, afirma.
Segundo
a educadora, a definição das mensalidades envolve despesas que precisam ser
estimadas antes do início do ano letivo. Salários, encargos, alimentação,
manutenção e investimentos pedagógicos entram nessa conta, assim como a
previsão de matrículas e a capacidade de atendimento da escola.
“As
escolas precisam prever o cenário econômico de mais de um ano à frente. Essa
decisão é tomada ainda em setembro, e o valor precisa sustentar todas as contas
até dezembro do ano seguinte”, explica.
Mariana
ressalta que a inflação geral, isoladamente, não traduz todas as despesas de
uma instituição de ensino. O peso da folha de pagamento e a necessidade de
manter equipes qualificadas são elementos centrais do orçamento escolar.
“Nosso
maior custo é humano. E é justo que professores motivados, preparados e bem
remunerados façam parte do investimento que as famílias escolhem para os
filhos”, diz.
Para
os responsáveis, a orientação é começar a avaliar o orçamento antes da
rematrícula. Além da mensalidade, o planejamento deve considerar material,
uniforme, alimentação, transporte e atividades extras. Conhecer o custo total
ajuda a identificar quanto a família pode comprometer e quais condições precisa
discutir com a instituição.
A
conversa pode incluir descontos para irmãos, condições de rematrícula
antecipada e alternativas de pagamento, conforme a política de cada escola.
Antecipar parcelas, porém, só faz sentido se houver vantagem financeira e se a
decisão não comprometer a reserva da família.
“O
ideal é que as famílias se planejem com antecedência, avaliem as opções e
conversem com as escolas”, orienta Mariana.
Na
avaliação da diretora, explicar o reajuste e abrir espaço para negociação ajuda
a preservar a relação com os responsáveis. Para as famílias, esse diálogo
permite tomar decisões com mais informação e menos pressão diante dos prazos de
rematrícula.
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