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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mensalidades escolares devem subir de 7% a 11% em 2027; saiba como negociar

Pesquisa aponta previsão de reajuste em nove em cada dez escolas particulares; educadora explica o que pesa na conta e orienta famílias sobre planejamento e negociação


As famílias com filhos em escolas particulares devem preparar o orçamento para mensalidades mais altas em 2027. Segundo o estudo Mensalidade e Rematrícula 2026-2027, da consultoria Meira Fernandes, nove em cada dez instituições privadas de ensino pesquisadas pretendem reajustar os valores no próximo ano. Entre as que preveem aumento, 80,66% devem aplicar índices entre 7% e 11%.

O levantamento aponta uma combinação de fatores por trás dos reajustes: despesas com salários, contratação e permanência de profissionais, ampliação do atendimento especializado e investimentos em segurança digital. A inadimplência também pressiona as receitas das instituições, que precisam manter pagamentos e serviços mesmo quando há atraso nas mensalidades.

Na prática, uma mensalidade de R$ 2 mil passaria a custar entre R$ 2.140 e R$ 2.220 com os percentuais previstos. Em 12 parcelas, isso representa um gasto adicional de R$ 1.680 a R$ 2.640 por aluno, sem considerar outras despesas escolares.

Para Mariana Ruske, idealizadora e diretora da Senses Montessori School, em São Paulo, o cenário exige planejamento das famílias e transparência das instituições sobre a composição dos valores.

“Quando o número é alto, as escolas também sofrem. Não é do interesse de ninguém aplicar reajustes abusivos. A perda de alunos e a desconfiança das famílias afetam diretamente a sustentabilidade de uma instituição”, afirma.

Segundo a educadora, a definição das mensalidades envolve despesas que precisam ser estimadas antes do início do ano letivo. Salários, encargos, alimentação, manutenção e investimentos pedagógicos entram nessa conta, assim como a previsão de matrículas e a capacidade de atendimento da escola.

“As escolas precisam prever o cenário econômico de mais de um ano à frente. Essa decisão é tomada ainda em setembro, e o valor precisa sustentar todas as contas até dezembro do ano seguinte”, explica.

Mariana ressalta que a inflação geral, isoladamente, não traduz todas as despesas de uma instituição de ensino. O peso da folha de pagamento e a necessidade de manter equipes qualificadas são elementos centrais do orçamento escolar.

“Nosso maior custo é humano. E é justo que professores motivados, preparados e bem remunerados façam parte do investimento que as famílias escolhem para os filhos”, diz.

Para os responsáveis, a orientação é começar a avaliar o orçamento antes da rematrícula. Além da mensalidade, o planejamento deve considerar material, uniforme, alimentação, transporte e atividades extras. Conhecer o custo total ajuda a identificar quanto a família pode comprometer e quais condições precisa discutir com a instituição.

A conversa pode incluir descontos para irmãos, condições de rematrícula antecipada e alternativas de pagamento, conforme a política de cada escola. Antecipar parcelas, porém, só faz sentido se houver vantagem financeira e se a decisão não comprometer a reserva da família.

“O ideal é que as famílias se planejem com antecedência, avaliem as opções e conversem com as escolas”, orienta Mariana.

Na avaliação da diretora, explicar o reajuste e abrir espaço para negociação ajuda a preservar a relação com os responsáveis. Para as famílias, esse diálogo permite tomar decisões com mais informação e menos pressão diante dos prazos de rematrícula.
 

Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School, especializada no método Montessori e fundadora da Senses Montessori School, referência em bilinguismo e educação Montessori no Brasil. Mãe de dois meninos, sua trajetória inclui formações em engenharia e astrofísica antes de encontrar sua vocação na pedagogia, impulsionada pela paixão pelo cérebro humano e seu desenvolvimento. Palestrante e ativista, dedica-se a disseminar informações sobre a proteção infantil contra abuso e violência. Defende que a educação infantil é a base do futuro e vê na Pedagogia Científica de Maria Montessori a ferramenta ideal para um desenvolvimento integral.

 

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