Edison Tamascia aponta quatro movimentos que estão mudando a forma de administrar empresas e exigirão uma gestão cada vez mais estratégica
O
varejo brasileiro atravessa uma transformação que combina mudanças
regulatórias, tecnológicas e comportamentais. A Reforma Tributária, o avanço da
Inteligência Artificial, um consumidor mais informado e a necessidade de
desenvolver novas lideranças estão alterando a forma como as empresas operam,
tomam decisões e se relacionam com o mercado.
Para
Edison Tamascia, Presidente da Farmarcas e da Federação Brasileira das Redes
Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), esses movimentos não
devem ser analisados separadamente. Eles fazem parte de uma mudança mais ampla
no ambiente de negócios e colocam a gestão no centro da estratégia das empresas.
“O
varejo sempre soube evoluir diante das mudanças, mas agora elas acontecem ao
mesmo tempo. Quem esperar as transformações se consolidarem para depois agir
corre o risco de perder competitividade. Será cada vez mais importante desenvolver
uma gestão baseada em planejamento, tecnologia, informação e pessoas preparadas
para liderar esse novo cenário”, afirma.
1.
Reforma Tributária muda a lógica da gestão
A
Reforma Tributária não deve ser encarada apenas como uma questão fiscal. Seus
impactos tendem a alcançar diferentes áreas da operação, influenciando
precificação, margens, fluxo de caixa, capital de giro e planejamento
financeiro.
Nesse
cenário, empresas do varejo precisarão transformar o conhecimento sobre as
novas regras em decisões estratégicas e acompanhar de perto os impactos sobre
seus negócios. “A Reforma Tributária muda a lógica da gestão financeira das
empresas. Por isso, o planejamento passa a ser ainda mais importante para
manter competitividade em um ambiente de negócios cada vez mais complexo”,
explica Tamascia.
2.
O consumidor está mais informado e menos previsível
A
jornada de compra também mudou. Antes de decidir, o consumidor pesquisa preços,
compara produtos, consulta avaliações, acompanha conteúdos nas redes sociais e
utiliza diferentes canais para obter informações. A loja física continua
relevante, mas passou a fazer parte de uma jornada muito mais ampla, na qual
experiências digitais e presenciais se complementam.
“Hoje
o consumidor chega muito mais informado. Ele espera uma experiência integrada
entre os diferentes canais. Compreender essa jornada será fundamental para
fortalecer o relacionamento, aumentar a relevância das marcas e ampliar a
fidelização”, ressalta.
3.
Inteligência Artificial passa a fazer parte da estratégia
A
Inteligência Artificial representa outra mudança estrutural para o varejo. A
tecnologia amplia a capacidade das empresas de analisar informações,
identificar padrões, personalizar experiências, automatizar processos e apoiar
decisões.
O
desafio, segundo Tamascia, não está apenas em adotar novas ferramentas, mas em
incorporá-las à cultura de gestão. “A Inteligência Artificial deve ser encarada
como uma ferramenta de apoio à gestão. Quanto mais as equipes compreenderem seu
potencial e souberem utilizá-la no dia a dia, maior será a capacidade das
empresas de responder rapidamente às mudanças do mercado”, afirma.
4.
Pessoas continuam sendo o diferencial
A
transformação tecnológica não elimina a importância das pessoas. Pelo contrário,
aumenta a necessidade de profissionais preparados para interpretar informações,
utilizar novas ferramentas e tomar decisões em ambientes cada vez mais
complexos.
Para
Tamascia, o desenvolvimento de lideranças será determinante para que as
empresas consigam transformar inovação em resultados concretos. “Podemos
investir nas melhores ferramentas, mas são as pessoas que transformam
estratégia em resultado. Empresas que valorizarem o desenvolvimento de suas
equipes estarão mais preparadas para enfrentar os desafios dos próximos anos”,
destaca.
Um novo modelo de gestão
Na avaliação de Tamascia, o principal desafio do varejo será conectar essas quatro transformações. A Reforma Tributária exigirá mais planejamento; a tecnologia permitirá decisões mais rápidas e baseadas em dados; o consumidor demandará experiências cada vez mais relevantes; e as pessoas precisarão estar preparadas para conduzir essa evolução.
“A Reforma Tributária exigirá uma gestão mais eficiente. Essa gestão dependerá cada vez mais do uso inteligente da tecnologia. A tecnologia ajudará as empresas a compreender melhor um consumidor que muda continuamente. E nenhuma dessas transformações produzirá resultados sem pessoas preparadas para liderá-las”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário