Projeto, obra, mobiliário, tecnologia e operação podem exigir um investimento elevado, mas modelos mais flexíveis permitem reduzir o desembolso inicial e preservar o caixa das empresas.
Montar um escritório é uma das etapas mais importantes para
empresas em crescimento, mas também uma das que mais gera dúvidas entre
empreendedores. Afinal, quanto capital é necessário para estruturar um espaço
corporativo? A resposta depende do porte da empresa, do padrão do imóvel e do
modelo de contratação escolhido, mas especialistas afirmam que o investimento
vai muito além do aluguel.
Ao planejar um novo escritório, é comum que empresários considerem
apenas o valor da locação. No entanto, há uma série de custos que precisam
entrar na conta, como projeto arquitetônico, obra, mobiliário, equipamentos,
infraestrutura de tecnologia, climatização, condomínio, IPTU, internet e
manutenção.
Segundo levantamento da consultoria Cushman & Wakefield, os
custos de implantação (fit-out) de escritórios corporativos podem variar
significativamente de acordo com o padrão do empreendimento, chegando a
milhares de reais por metro quadrado em espaços de alto padrão. Isso significa
que, dependendo do projeto, o investimento inicial pode alcançar centenas de
milhares — ou até milhões — de reais antes mesmo da empresa iniciar sua
operação.
Além do investimento físico, existe a necessidade de manter
capital de giro para suportar despesas recorrentes enquanto a operação ganha
tração. Por isso, especialistas recomendam que o planejamento financeiro considere
tanto o custo de implantação quanto a capacidade de sustentar a operação nos
primeiros meses.
Para a Be In, empresa especializada em escritórios sob medida e
gestão de operações corporativas, um dos erros mais comuns é subestimar o
capital necessário para colocar um escritório em funcionamento.
"Muitas empresas começam o planejamento olhando apenas para o
aluguel, mas a implantação representa uma parcela muito significativa do
investimento. Quando entram obra, mobiliário, infraestrutura, tecnologia e operação,
o valor pode ser muito maior do que o empresário imaginava", afirma
Nikolas Matarangas, CEO da Be In.
Diante desse cenário, cresce a procura por modelos que reduzem a
necessidade de investimento inicial. Em vez de realizar um grande desembolso para
estruturar o escritório, algumas empresas optam por contratos em que todos os
custos são diluídos em uma mensalidade fixa ao longo do período de locação.
"Hoje já existem soluções que transformam esse investimento
inicial em uma despesa operacional. A empresa não precisa imobilizar capital em
obra, mobiliário e infraestrutura. Todo esse investimento pode ser distribuído
ao longo do contrato, dando mais previsibilidade financeira e permitindo que os
recursos sejam direcionados para áreas estratégicas do negócio", explica
Matarangas.
Nesse modelo, despesas como aluguel, projeto, obra, mobiliário,
limpeza, manutenção, internet, energia e gestão operacional podem estar
concentradas em um único contrato, simplificando tanto o planejamento
financeiro quanto a administração do escritório.
A estratégia acompanha uma tendência observada no mercado
corporativo. De acordo com o relatório CFO Agenda 2025, da Deloitte,
preservar caixa e aumentar a flexibilidade financeira estão entre as principais
prioridades dos diretores financeiros, especialmente em empresas que vivem
processos de expansão ou abertura de novas unidades.
Outro benefício é a previsibilidade. Em vez de lidar com custos
inesperados durante reformas ou implantação, a empresa consegue planejar seu
orçamento com maior segurança e reduzir riscos financeiros ao longo do
contrato.
Para Nikolas, mais importante do que definir um valor exato para
montar um escritório é entender qual modelo faz sentido para a realidade de
cada negócio.
"O capital necessário varia conforme o tamanho da operação, o
padrão do imóvel e as necessidades da empresa. O mais importante é que o
empresário faça esse planejamento olhando para o custo total do projeto e não
apenas para o aluguel. Hoje existem formatos que permitem crescer com muito
mais eficiência financeira, sem comprometer recursos que poderiam ser
investidos na própria expansão da empresa", conclui.
Com o avanço de modelos mais flexíveis de ocupação, a pergunta
deixa de ser apenas quanto custa montar um escritório e passa a ser como
estruturar esse investimento da forma mais inteligente. Para empresas em
crescimento, preservar capital e manter previsibilidade financeira pode ser tão
estratégico quanto escolher o endereço ideal.
Nexus

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