Advogada licenciada nos Estados Unidos explica por que ter um processo migratório em andamento não significa, necessariamente, estar protegido contra ações das autoridades de imigração
A detenção de uma imigrante russa que aguardava a
análise de seu pedido de Green Card nos Estados Unidos trouxe à tona uma dúvida
que pode atingir milhares de estrangeiros no país: ter um processo de
regularização migratória em andamento significa estar legalmente protegido
contra uma eventual detenção?
O caso ganhou repercussão internacional depois que
Galina Bobreneva foi abordada por agentes do ICE, o Serviço de Imigração e
Alfândega dos Estados Unidos, em um aeroporto da Califórnia. Ela passou 16 dias
detida e foi posteriormente liberada mediante pagamento de fiança de US$35 mil.
Bobreneva é casada com um cidadão norte-americano e possui pedido de residência
permanente em análise. O Departamento de Segurança Interna afirma que ela
permaneceu no país além do prazo permitido pelo visto, enquanto seu advogado
sustenta que ela não estava em situação migratória irregular.
A situação chama atenção para uma distinção
jurídica pouco conhecida por quem vive ou pretende viver nos Estados Unidos.
Segundo as orientações do USCIS, órgão responsável pelos serviços de cidadania
e imigração, a existência de uma solicitação ou petição migratória pendente,
por si só, não confere automaticamente status migratório legal nem impede a
abertura de um processo de remoção.
Para Caroline Azevedo, advogada licenciada nos
Estados Unidos, especializada em imigração e mobilidade internacional e
representante da Visa Finder, um dos principais riscos é justamente acreditar
que a existência de um protocolo ou processo em andamento funciona como uma
espécie de garantia de permanência.
“Existe uma diferença jurídica importante entre ter
um pedido migratório em andamento, estar autorizado a permanecer no país
durante determinado período e possuir um status migratório válido. Para quem
não trabalha com imigração, essas situações podem parecer iguais, mas não são. Um
processo aberto não deve ser interpretado automaticamente como uma proteção
contra qualquer medida das autoridades migratórias”.
O alerta se torna ainda mais importante diante do
endurecimento da fiscalização migratória nos Estados Unidos. O caso de Bobreneva
chamou atenção justamente porque ela não tinha antecedentes criminais e
mantinha processos migratórios ativos. A detenção ocorreu durante uma viagem
doméstica, entre San Francisco e Burbank, na Califórnia.
Segundo Caroline, pessoas que entraram legalmente
nos Estados Unidos também precisam conhecer exatamente a condição migratória
que possuem no momento.
“Entrar legalmente no país não significa que essa
condição permanecerá válida indefinidamente. É preciso acompanhar datas,
mudanças de status, pedidos apresentados, autorizações concedidas e eventuais
períodos de permanência. Na imigração, o histórico completo faz diferença. Um
detalhe que parece pequeno pode ter consequências importantes”.
Outro ponto que costuma provocar confusão é a
autorização para trabalhar nos Estados Unidos. A existência de uma permissão de
trabalho pode decorrer de diferentes situações migratórias e não deve ser
interpretada isoladamente como prova de que o estrangeiro possui determinado
status.
“Documentos diferentes têm funções diferentes.
Autorização de trabalho, pedido de Green Card, solicitação de asilo, visto e
status migratório não são sinônimos. O problema começa quando a pessoa reúne
alguns documentos e conclui, sem uma análise jurídica do caso, que está
completamente protegida”.
Para a advogada, o momento exige principalmente
prevenção. Pessoas com solicitações migratórias em andamento devem conhecer seu
histórico de entradas e saídas do país, saber quando o período originalmente
autorizado terminou, manter a documentação organizada e buscar orientação
específica antes de tomar decisões que possam produzir consequências migratórias.
Isso vale especialmente para quem passou por
mudanças importantes desde a chegada aos Estados Unidos, como vencimento de
visto, casamento com cidadão norte-americano, solicitação de asilo, mudança de
categoria migratória ou início de um processo para obtenção da residência
permanente.
“Não se trata de criar medo ou dizer que todo
imigrante com processo em andamento corre risco de ser detido. Cada situação é
individual. O que esse caso mostra é que não se pode presumir segurança
migratória apenas porque existe uma solicitação sendo analisada. A melhor
proteção é saber exatamente qual é a sua condição jurídica naquele momento e
quais são os efeitos de cada processo apresentado”.
Caroline também recomenda atenção antes de
entrevistas, viagens e outros procedimentos que possam colocar o estrangeiro em
contato com autoridades.
“Planejamento migratório não começa quando surge um
problema. Ele precisa acontecer antes. Revisar documentos, entender possíveis
fragilidades do histórico e corrigir estratégias quando ainda há tempo reduz
riscos e evita que uma pessoa descubra uma questão importante justamente
durante uma abordagem ou procedimento oficial”.
Caroline Azevedo - advogada licenciada nos Estados Unidos
e especializada em imigração e mobilidade internacional, atua como
representante da Visa Finder, auxiliando pessoas e empresas nos processos de
solicitação de vistos, regularização migratória e planejamento internacional.
Possui experiência na análise estratégica de perfis, prevenção de negativas e
orientação jurídica em entrevistas consulares. Seu trabalho é pautado na
clareza, segurança jurídica e atendimento personalizado, oferecendo soluções
eficazes para quem busca estudar, trabalhar, investir ou residir no exterior.

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