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| Divulgação A OMS recomenda pelo menos 90 minutos diários ao ar livre, durante o dia, como uma das medidas que podem ajudar a retardar o aparecimento da miopia |
A miopia está se tornando mais frequente entre crianças e adolescentes em
diferentes partes do mundo. Uma revisão sistemática publicada em 2025 no
British Journal of Ophthalmology, com 276 estudos e mais de 5,4 milhões de
participantes de 50 países, apontou que a prevalência global passou de 24,3% em
1990 para 35,8% em 2023. A projeção é de que chegue a 39,8% em 2050, o que
representaria mais de 740 milhões de casos entre crianças e adolescentes.
O
cenário tem levado a Oftalmologia a olhar para a miopia infantil de outra
maneira. Para o oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho, da Alpha Oftalmologia
Avançada, não basta identificar o grau e prescrever os óculos: é importante
acompanhar sua evolução e reconhecer precocemente os casos com maior risco de
progressão.
“Não
queremos apenas corrigir a miopia. Queremos identificar precocemente quem está
progredindo e, quando indicado, tentar desacelerar essa progressão”, enfatiza.
O que mudou na rotina das crianças
A genética influencia o desenvolvimento da miopia, mas não explica sozinha o avanço observado nas últimas décadas. Estudos apontam a importância de fatores ambientais, principalmente a combinação entre maior exposição a atividades de visão próxima e menos tempo ao ar livre. O International Myopia Institute considera o tempo ao ar livre um dos fatores ambientais com evidência mais consistente de proteção contra o aparecimento da miopia.
“Não
devemos simplesmente dizer que o celular causa miopia. A relação é mais
complexa”, explica Carvalho. O uso de dispositivos é uma forma contemporânea de
atividade de perto, mas a epidemia de miopia já era observada antes da popularização
dos smartphones. Por isso, a recomendação não é simplesmente retirar as telas
da rotina, mas equilibrar atividades próximas com pausas e, principalmente,
mais tempo em ambientes externos.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 90 minutos diários ao ar livre, durante o dia, como uma das medidas que podem ajudar a retardar o aparecimento da miopia.
Quando a criança não percebe que enxerga mal
Um dos desafios é que a miopia pode passar despercebida. A criança pode se aproximar da televisão, apertar os olhos para enxergar de longe, sentar perto da lousa ou simplesmente se adaptar à visão borrada sem reclamar.
“Não
espere a criança reclamar que não está enxergando”, orienta o oftalmologista.
“Muitas vezes ela não percebe que existe um problema porque aquela é
simplesmente a única maneira de enxergar que ela conhece.”
A
idade de início também merece atenção. Quanto mais cedo a miopia aparece, maior
pode ser o período de progressão durante o crescimento. Por isso, a avaliação
deve considerar não apenas o grau, mas sua evolução ao longo do tempo. Em
determinados casos, o acompanhamento do comprimento axial do olho também pode
contribuir para essa avaliação.
O objetivo é controlar a progressão
Óculos
continuam sendo uma forma segura e eficiente de corrigir a visão. Mas, para
crianças cuja miopia está avançando, existem estratégias específicas de
controle, que podem incluir determinados tipos de lentes para óculos, lentes de
contato, ortoceratologia e atropina em baixas concentrações. A escolha depende
das características de cada paciente e deve ser feita pelo oftalmologista.
A
preocupação não se resume à necessidade de trocar as lentes com mais
frequência. A alta miopia está associada a maior risco de problemas oculares ao
longo da vida, o que torna a prevenção e o controle da progressão especialmente
relevantes.
“Ter
miopia significa apresentar o erro refrativo. Miopia em progressão significa
que esse grau está aumentando ao longo do tempo”, destaca Carvalho.
Para
os pais, a orientação envolve medidas simples: estimular atividades ao ar
livre, evitar longos períodos ininterruptos de visão próxima, manter uma
distância confortável de leitura e dispositivos e realizar avaliações
oftalmológicas periódicas.
“Detectar a miopia precocemente permite não só devolver uma visão nítida à criança, mas também identificar quem apresenta risco de progressão e agir no momento em que temos maior oportunidade de modificar sua evolução”, conclui o especialista.
Rodrigo T. de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) - médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.
Alpha Oftalmologia Avançada
Av. José de Souza Campos (Norte-Sul), 550, conjunto 91, Campinas.
@dr_rodrigotccarvalho
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