Entre avanços no Congresso, faturamento de R$ 6,3 bi e o fim das promessas de "dinheiro fácil", mercado se consolida e exige que o consumidor troque o amadorismo pela inteligência financeira
O mercado brasileiro de milhas e programas de
fidelidade pode atravessar uma transformação estrutural que irá redefinir as
regras do jogo. O avanço no Congresso do Projeto de Lei que busca proibir
restrições e bloqueios arbitrários sobre a transferência e venda de pontos deu
mais um pontapé para a consolidação de uma era de segurança jurídica. O texto
trata os pontos acumulados não mais como uma concessão das companhias aéreas,
mas como um patrimônio digital de direito do consumidor. Essa virada
legislativa impõe um limite claro a práticas unilaterais do setor e assegura a
proteção financeira de milhões de brasileiros.
A mudança no ambiente regulatório ocorre em paralelo
a um momento de forte expansão do setor de fidelização no país. Dados recentes
da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF) mostram
que o faturamento das empresas do segmento atingiu a marca recorde de R$ 6,3
bilhões no primeiro trimestre de 2026. O número consolida uma migração
expressiva de comportamento: o consumidor voltou a priorizar os pontos em
detrimento do cashback tradicional. Em um cenário de passagens aéreas
valorizadas, a capacidade de conversão dos pontos em viagens de alta classe
entrega um retorno proporcionalmente superior a qualquer percentual fixo de
reembolso em dinheiro.
Diante do fim das promessas irrealistas de
"renda extra sem esforço" promovidas por velhas plataformas, surge o
questionamento inevitável: afinal, ainda vale a pena investir tempo e recursos
em milhas aéreas? A resposta é sim, mas com uma ressalva crucial de
comportamento. O investimento continua altamente rentável, desde que o
consumidor abandone a dependência de intermediários e passe a encarar o acúmulo
como uma estratégia de gestão de ativos. Para Aloysio Rebello, sócio-fundador
da Go Miles Club, o momento não é de retração, mas de mudança de postura.
"O mercado não acabou; ele apenas vai expulsando o amadorismo. O
consumidor que antes buscava milhas como um atalho fácil percebeu que a
verdadeira vantagem está na compreensão do mercado e elaboração de uma
estratégia clara e coerente com os objetivos de cada pessoa", afirma
Rebello.
A eficiência no uso dos programas se reflete no
declínio histórico da taxa de breakage — o percentual de pontos que expiram sem
utilização —, que se mantém nos menores patamares registrados pela indústria.
Essa queda demonstra que o acúmulo deixou de ser um subproduto esquecido na
fatura do cartão de crédito para se tornar um planejamento ativo. Ao trocar o
gasto impulsivo pelo consumo inteligente, famílias e empresários aprenderam a
transformar despesas operacionais em passagens de classe Executiva e estadias
em redes hoteleiras globais, provando que o retorno do setor continua imbatível
quando há domínio técnico.
Nesse cenário de maior rigor técnico e
sofisticação, a decisão de permanecer ou entrar no mercado passa
necessariamente pela educação financeira. A Go Miles Club atua no centro dessa
transformação, formando gestores de acúmulo e entusiastas capazes de operar com
governança e análise de dados. "Investir em milhas continuará valendo a
pena para quem tratar o setor com a seriedade de uma carteira de ativos. O
ecossistema atual não tolera mais a falta de estratégia; ele recompensa quem
domina a análise de custo por milheiro e executa emissões de forma
consciente", destaca Aloysio Rebello.
A convergência entre a regulamentação no Congresso, a gestão individualizada de emissões e o crescimento dos programas de fidelidade aponta para um mercado mais sustentável e maduro no longo prazo. O questionamento sobre a validade do setor revela que as milhas deixaram de ser uma simples promoção de marketing para se tornarem um pilar de inteligência financeira. Para o consumidor, a mensagem final é clara: o investimento em milhas se consolida não mais como uma aposta especulativa, mas como uma das ferramentas mais eficientes para maximizar o poder de compra de quem busca viajar com sofisticação e otimizar seu orçamento.

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