Medo de perder a memória, alergia, riscos da anestesia geral e possibilidade de ficar consciente durante uma cirurgia estão entre as principais dúvidas dos pacientes antes de um procedimento
A anestesia ainda é cercada de dúvidas e receios que podem aumentar a ansiedade de quem vai passar por uma cirurgia. Afinal, é possível acordar durante o procedimento? A anestesia pode causar perda de memória? Quem tem tatuagem na região lombar pode receber anestesia na coluna? E a anestesia geral é mesmo mais perigosa do que a raquidiana?
Para esclarecer essas questões, a Dra. Lucia Pereira Nascimento, anestesiologista do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital – CEPARH, explica dez dos principais mitos e verdades sobre o tema.
“A
anestesia moderna é extremamente segura quando realizada por profissional
habilitado, em ambiente adequado e com monitorização. A técnica é escolhida de
forma individualizada, considerando as condições clínicas do paciente,
medicamentos em uso, alergias, cirurgias anteriores e o tipo de procedimento”,
explica.
1. É possível acordar durante a cirurgia?
Verdade, mas é muito raro.
A chamada consciência intraoperatória pode ocorrer durante a anestesia geral, fazendo com que o paciente se lembre de sons, vozes ou sensações. É mais associada a situações de emergência e procedimentos nos quais a quantidade de anestésico precisa ser limitada.
“É
importante diferenciar anestesia geral de sedação. Na sedação, o paciente pode
permanecer parcialmente consciente. Na anestesia geral, o objetivo é manter o
paciente inconsciente, com monitoramento contínuo dos sinais vitais”, esclarece
a especialista.
2. A anestesia faz perder a memória?
Verdade, geralmente de forma temporária.
Alguns medicamentos podem causar sonolência, confusão ou alterações temporárias de memória após a cirurgia. Isso não significa perda permanente. Idade, condições de saúde, tipo de cirurgia e medicamentos utilizados influenciam esse efeito.
“É
comum ter dificuldade para lembrar de momentos próximos à cirurgia. Isso é
diferente de perda definitiva de memória”, afirma a médica.
3. Existe alergia à anestesia?
Verdade.
Reações alérgicas aos medicamentos utilizados durante a anestesia podem acontecer, inclusive de forma grave, mas são raras. Por isso, o paciente deve informar alergias conhecidas e qualquer reação anterior a medicamentos ou anestesias.
“Mesmo
que não saiba qual medicamento causou uma reação anterior, o paciente deve
contar ao anestesiologista”, orienta.
4. Quem tem tatuagem pode fazer anestesia na coluna?
Verdade.
A tatuagem lombar, por si só, não impede a anestesia raquidiana ou outros bloqueios na região. Quando possível, o anestesiologista pode escolher uma área de pele sem pigmentação para realizar a punção.
“Ter
tatuagem nas costas não significa que a pessoa não poderá receber anestesia na
coluna. Avaliamos a localização, o aspecto da pele e as condições do paciente”,
explica a Dra. Lucia.
5. A anestesia geral é mais perigosa que a raquidiana?
Mito.
Não existe uma técnica universalmente mais perigosa. A escolha depende do tipo de cirurgia, das condições clínicas do paciente e da relação entre riscos e benefícios.
“O
que existe é a técnica mais adequada para determinado paciente e procedimento.
Por isso, a avaliação pré-anestésica é fundamental”, ressalta a especialista.
6. A anestesia geral faz o paciente parar de respirar?
Verdade, em determinadas situações.
Alguns medicamentos utilizados na anestesia geral podem reduzir ou interromper temporariamente a respiração espontânea. Quando isso acontece, a equipe anestésica utiliza equipamentos para auxiliar a ventilação e monitora continuamente a oxigenação e os demais sinais vitais.
“O
paciente não fica simplesmente ‘sem respirar’. Temos recursos para controlar e
auxiliar a ventilação durante todo o procedimento”, explica.
7. É preciso informar todos os medicamentos usados?
Verdade.
Medicamentos de uso contínuo, suplementos, fitoterápicos e remédios usados eventualmente devem ser informados ao anestesiologista. Doenças preexistentes e experiências anteriores com anestesia também são importantes para o planejamento.
“Um
medicamento que o paciente considera comum pode ser relevante para a anestesia.
É fundamental fornecer essas informações com precisão”, destaca a médica.
8. É possível sentir dor durante a anestesia geral?
Mito, quando a anestesia é adequadamente conduzida.
O objetivo da anestesia geral é manter o paciente inconsciente e sem dor durante a cirurgia. A equipe monitora continuamente o paciente e ajusta os medicamentos conforme necessário.
Casos
de consciência acidental são raros e não devem ser confundidos com a sedação,
na qual algum grau de consciência pode ocorrer.
9. Anestesia na coluna deixa a pessoa paralítica?
Mito.
A raquianestesia bloqueia temporariamente a transmissão dos sinais nervosos, causando perda de sensibilidade e de movimento na região anestesiada. O efeito desaparece gradualmente à medida que o medicamento perde a ação.
“A
sensação de não conseguir movimentar as pernas pode assustar, mas esse bloqueio
é esperado e temporário. O movimento e a sensibilidade retornam gradualmente”,
explica a especialista.
10. A anestesia é sempre igual para todos os pacientes?
Mito.
A anestesia é planejada individualmente, considerando idade, peso, doenças preexistentes, medicamentos, alergias, cirurgias anteriores e características do procedimento.
“Duas
pessoas podem fazer a mesma cirurgia e receber planos anestésicos diferentes. O
objetivo é encontrar a estratégia que ofereça o melhor equilíbrio entre
segurança, conforto e eficácia para cada paciente”, finaliza a Dra. Lucia
Pereira Nascimento.
Informação ajuda a reduzir o medo
Conversar com o anestesiologista antes da cirurgia é uma das principais formas de reduzir a ansiedade e esclarecer dúvidas.
“O paciente tem o direito de perguntar qual técnica será utilizada, por que foi escolhida, quais são os possíveis efeitos e o que será feito para garantir sua segurança. Uma boa conversa antes da cirurgia faz parte do cuidado anestésico”, conclui a Dra. Lucia.
Além de conduzir a anestesia, o anestesiologista também atua no controle da dor durante e após o procedimento. O planejamento da analgesia contribui para um despertar mais tranquilo, com menos dor e mais conforto nas primeiras horas de recuperação.
Dra. Lucia Pereira Nascimento - médica anestesiologista, associada à Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e à Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia (SAEB). Atua como coordenadora do Grupo de Anestesiologia do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital – CEPARH e integra, como sócia, o Grupo de Anestesiologia do Hospital Cardiopulmonar, da Rede D’Or. Com experiência na área de anestesiologia hospitalar, Dra. Lucia exerce papel de liderança na coordenação da assistência anestésica, contribuindo para a segurança e a qualidade do atendimento aos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos.
Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital - CEPARH
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