Dados da ABEMF
mostram que fidelização está mais distribuída por diferentes momentos da
jornada de consumo
Os
programas de fidelidade continuam relevantes em contextos já tradicionais, como
viagens e grandes resgates, mas dados do setor apontam que eles também avançam
em situações mais simples, recorrentes e próximas da vida real do consumidor.
Os números da última Pesquisa Panorama da Fidelização no Brasil ajudam a
mostrar essa transformação. Quando os consumidores foram perguntados sobre em
quais segmentos de mercado estão os programas de fidelidade dos quais
participam, os programas de coalizão — que reúnem várias marcas em um mesmo
ecossistema — apareceram em primeiro lugar, com 61,4%.
Na
sequência vieram companhias aéreas (48,6%), postos de combustíveis (34,9%),
instituições financeiras (33,9%) e supermercados (30,4%). Também se destacam
farmácias (27,6%), serviços por aplicativos (21%), hotéis e agências de turismo
(17,3%), farmacêuticas, com descontos em medicamentos (16,3%), e telefonia
(14,9%).
“Esse
retrato mostra que a fidelização está cada vez mais distribuída por diferentes
momentos da jornada de consumo. Não ocupando apenas espaços aspiracionais, mas
se consolidando também em categorias de uso frequente, nas quais o consumidor
percebe utilidade mais imediata e concreta”, explica Paulo Curro, diretor
executivo da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização
(ABEMF), responsável pela pesquisa em parceria com a Valuenet.
Nesse
contexto, o desempenho dos programas de coalizão chama atenção porque traduz
bem essa lógica de uso ampliado. Ao reunir diferentes marcas em um mesmo
ambiente, esse modelo permite que o consumidor acumule e utilize benefícios em
mais ocasiões, conectando varejo, serviços, mobilidade e consumo. Paulo Curro
afirma que “não se trata apenas de oferecer pontos ou milhas, mas de ampliar as
possibilidades de uso dos benefícios e criar um ecossistema mais presente na
jornada cotidiana”. Segundo o executivo, não por acaso, esse foi o segmento que
registrou o avanço mais expressivo do levantamento, com crescimento de 8,8
pontos percentuais em relação a 2023.
As
farmácias também reforçam essa expansão da fidelização no consumo recorrente.
Com crescimento de 6,3% frente à edição anterior, o setor mostra como programas
de fidelidade vêm ganhando espaço em uma categoria essencial, marcada por
frequência, conveniência e necessidade concreta. O mesmo vale para os
supermercados, que avançaram 1,6%, para os serviços por aplicativos, com alta
de 0,9%, e para a telefonia, que cresceu 5,5%. Juntos, esses dados indicam que
a fidelização avança justamente em espaços nos quais o consumidor encontra
valor mais imediato, seja pela flexibilidade de uso, seja pela proximidade com
despesas do dia a dia.
Esse
movimento conversa ainda com mudanças mais amplas no comportamento do consumidor.
No estudo Consumidor do Futuro 2027: Emoções, da WGSN, um dos perfis
identificados é o da “Desvontade”, que aponta para uma valorização crescente de
jornadas sem atrito, recompensas acessíveis e benefícios que facilitem o
cotidiano. Essa leitura ajuda a entender por que programas mais integrados à
rotina ganham relevância, pois respondem a uma demanda por simplicidade,
conveniência e valor percebido no uso real.
Ao
mesmo tempo, essa transformação dialoga com uma discussão mais ampla do mercado
de fidelização. Programas mais relevantes não são apenas os que oferecem
benefícios, mas os que conseguem fazer esses benefícios ocuparem um lugar
concreto na jornada do consumidor. “Mais do que acumular pontos/milhas, o que
fortalece a relação com a marca é a percepção de valor no uso, no resgate e na
relevância da experiência oferecida”, afirma Curro.
O que os dados mostram é um setor mais amplo, plural e integrado a diferentes momentos de consumo. Companhias aéreas, postos de combustíveis, instituições financeiras, supermercados, farmácias, aplicativos, telefonia e coalizões convivem em um ecossistema cada vez mais diverso, em que a fidelização ganha força justamente por estar presente em várias frentes da vida do consumidor.

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