Reumatologista explica como praticar
atividade com segurança e evitar lesões silenciosas
O número de brasileiros que adotaram a corrida como
hábito de saúde segue em expansão, especialmente entre pessoas acima dos 40
anos. De acordo com levantamento da Olympikus em parceria com a Box1824, o
Brasil reúne mais de 13 milhões de corredores, com crescimento relevante nos
últimos anos impulsionado pela busca por qualidade de vida.
A popularização do esporte acompanha uma mudança de comportamento.
Segundo a mesma pesquisa, cerca de 83% dos praticantes afirmam correr com foco
em saúde física e mental, reforçando o papel da atividade como aliada do
envelhecimento ativo.
Nesse cenário, a adesão do público acima dos 40 anos chama atenção
de especialistas, já que essa faixa etária passa por alterações naturais no
organismo, como perda de massa muscular, redução da flexibilidade e maior desgaste
articular.
Para o reumatologista Dr. Sergio Bontempi Lanzotti, o movimento é
positivo, mas exige orientação adequada. “A corrida é uma excelente atividade
cardiovascular e traz inúmeros benefícios, mas, após os 40 anos, é fundamental
respeitar os limites do corpo e adotar uma prática orientada”, afirma.
Segundo o médico, um dos principais erros está em iniciar a
prática sem preparo físico prévio. “Muitos pacientes saem do sedentarismo
direto para a corrida, o que aumenta o risco de lesões como tendinites, dores
no joelho e sobrecarga nas articulações”, explica.
Dados do Ministério do Esporte indicam que a corrida de rua está
entre as atividades físicas mais praticadas no país, consolidando-se como uma
das principais portas de entrada para quem deseja sair do sedentarismo.
Apesar disso, o avanço da idade não deve ser encarado como um
impeditivo. Pelo contrário, a prática regular pode ajudar a preservar a
mobilidade, fortalecer músculos e reduzir processos inflamatórios quando
realizada de forma adequada.
“Correr pode ser um grande aliado da saúde articular. O problema
não está na atividade em si, mas na forma como ela é realizada, muitas vezes
sem fortalecimento muscular, sem acompanhamento e ignorando sinais de dor”,
destaca Lanzotti.
Entre os principais cuidados, o especialista recomenda avaliação
médica antes de iniciar a prática, especialmente para pessoas com histórico de
dores articulares ou doenças reumáticas.
Além disso, incluir exercícios de fortalecimento muscular e
alongamento na rotina é essencial para proteger as articulações e melhorar o
desempenho na corrida.
Outro ponto importante é respeitar a progressão do treino. “O
corpo precisa de adaptação. Aumentar distância ou intensidade de forma abrupta
é um dos fatores que mais levam a lesões”, alerta o reumatologista.
A escolha de calçados adequados e a atenção à postura durante a corrida também são fatores determinantes na prevenção de problemas musculoesqueléticos.
Para quem já sente dores, o alerta é direto. “Dor persistente nunca deve ser normalizada. Ela pode ser o primeiro sinal de uma lesão ou até de uma condição reumatológica que precisa ser investigada”, afirma.

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