Com o avanço do diagnóstico, especialista destaca a
importância do acompanhamento contínuo para reduzir impactos, combater estigmas
e promover inclusão
Às
vésperas do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril,
o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha ainda mais
relevância. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o autismo afeta
cerca de uma em cada 100 crianças em todo o mundo. Criada pela Organização das
Nações Unidas em 2007, a data tem como objetivo ampliar o acesso à informação e
reduzir o preconceito em torno da condição. Apesar dos avanços, a desinformação
ainda é um dos principais desafios para a inclusão e o desenvolvimento pleno
das pessoas no espectro.
Segundo
Eliana Farias, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz
Cubas, que completa 55 anos, o suporte psicológico é crucial na detecção dos
primeiros sinais do TEA. “O acompanhamento profissional permite um diagnóstico
preciso e intervenções oportunas, evitando prejuízos no desenvolvimento da
linguagem, social e cognitivo". Segundo ela, é justamente essa intervenção
contínua e aprofundada que desmistifica o TEA, abrindo caminhos para uma vida
com maior autonomia e qualidade, rompendo com percepções limitadas e estigmas
sobre o transtorno.
Para
os pais e responsáveis, a atenção a aspectos sutis do desenvolvimento infantil
pode ser o primeiro passo para uma avaliação especializada. A docente cita como
exemplos a ausência de resposta ao nome por volta dos 12 meses, pouco contato
visual, dificuldades na comunicação e comportamentos repetitivos, destacando
que a presença isolada de um desses sinais não configura diagnóstico, mas
indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada.
Para
além da detecção precoce, a psicologia se consolida como um dos pilares para o
desenvolvimento contínuo de pessoas com TEA, indo da infância à vida adulta. O
acompanhamento é dinâmico e adaptado a cada etapa, focando não apenas em
habilidades sociais e emocionais, mas também em aspectos muitas vezes
negligenciados na discussão pública sobre o tema. "Na infância,
trabalhamos comunicação e regulação emocional. Já na adolescência e na vida
adulta, abordamos questões como identidade, autonomia e saúde mental,
essenciais para a inserção plena na sociedade e a conquista de uma vida
independente", afirma a especialista.
Por
se tratar de um transtorno do neurodesenvolvimento complexo, o TEA demanda uma
abordagem verdadeiramente multidisciplinar. Eliana explica que a atuação
conjunta entre Psicologia, Psiquiatria, Neurologia, Fonoaudiologia e Terapia
Ocupacional é o que garante avaliações mais precisas e intervenções
personalizadas, otimizando resultados e atendendo às múltiplas necessidades do
indivíduo.
Outro
ponto frequentemente subestimado é o suporte psicológico às famílias. O
diagnóstico de TEA, com suas incertezas e a necessidade de adaptação, pode
gerar grande impacto emocional. "O apoio psicológico é vital para a
compreensão do diagnóstico, a construção de estratégias de enfrentamento e o
fortalecimento do vínculo familiar, transformando desafios em oportunidades de
conexão e crescimento", pontua a docente.
Apesar
dos avanços no debate, a desinformação sobre o TEA persiste, alimentando
estigmas e barreiras à inclusão. Mitos sobre pessoas com autismo, como a
ausência de emoções ou a deficiência intelectual generalizada, são prejudiciais
e desconsideram a vasta diversidade do espectro. Desconstruir essas percepções
equivocadas é crucial para promover uma inclusão efetiva, pautada no respeito e
em políticas baseadas em evidências, que assegurem a indivíduos com TEA o pleno
desenvolvimento de seu potencial e uma vida com dignidade.
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