Pesquisar no Blog

terça-feira, 31 de março de 2026

Vacinação contra a gripe: campanha segue ativa e proteção deve ser feita agora

Após o Dia D de mobilização nacional, campanha continua até maio e mira grupos prioritários; influenza ainda é responsável por cerca de 30% das mortes por vírus respiratórios no país

 

A Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe 2026 já começou em todo o Brasil e segue nas próximas semanas com foco na proteção dos grupos mais vulneráveis. Após o Dia D de mobilização, realizado no último fim de semana, a orientação de especialistas é clara: quem ainda não se vacinou deve procurar um posto o quanto antes.

A vacinação acontece até o dia 30 de maio nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com doses disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde para os públicos prioritários.

Apesar da percepção de que a gripe é uma doença leve, o cenário é diferente na prática clínica. Dados recentes mostram que o influenza ainda está entre as principais causas de morte por vírus respiratórios no Brasil, sendo responsável por cerca de 30% dos óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com agente identificado.

Para Dr. Paulo Telles Pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria, o momento da campanha é estratégico justamente por anteceder o período de maior circulação viral. “A influenza não é uma ‘gripe comum’. Em crianças, pode evoluir com febre alta, prostração, pneumonia, necessidade de internação e, nos casos mais graves, até morte. A vacinação é uma das principais ferramentas de proteção que temos hoje”, alerta.

As crianças pequenas estão entre os grupos de maior risco, especialmente as menores de 5 anos. Por isso, fazem parte do público prioritário, junto com gestantes, puérperas, idosos e pessoas com comorbidades.

“A vacina não impede todos os casos, mas reduz de forma significativa as formas graves e as internações. Isso muda completamente o desfecho da doença”, explica o pediatra.

Outro ponto que preocupa especialistas é a circulação de informações incorretas, que ainda impacta a adesão à vacinação.

“A vacina não causa gripe. Ela é feita com vírus inativado. Muitas vezes, a criança apresenta sintomas depois porque já estava incubando outro vírus comum da época, e isso acaba sendo confundido”, reforça Dr. Paulo Telles.

A necessidade de vacinação anual também gera dúvidas frequentes entre os pais. “O vírus da gripe sofre mutações constantes e a proteção da vacina diminui com o tempo. Por isso, a vacinação precisa ser atualizada todos os anos”, completa.

A Prof. Dra. Elisabeth Fernandes, Pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria, destaca que a imunização na infância tem impacto direto na redução de complicações. “Crianças entre 6 meses e menores de 6 anos ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento. A vacina reduz de forma importante o risco de quadros graves, como pneumonia e internações”, explica.

Ela também reforça que, para muitas famílias, a vacina disponível no SUS já oferece proteção essencial.

“A vacina trivalente, disponível gratuitamente, protege contra os vírus que mais causam casos graves, como H1N1 e H3N2. A versão tetravalente, disponível na rede privada, amplia a cobertura, mas o mais importante é não deixar de vacinar”, orienta.

A campanha contempla crianças a partir de 6 meses, com esquema que varia conforme a idade e histórico vacinal. Crianças que nunca foram vacinadas podem precisar de duas doses, com intervalo de 30 dias.

Outro grupo que merece atenção são gestantes e puérperas. Ao se vacinar, a mãe também protege o bebê nos primeiros meses de vida, período em que ele ainda não pode receber a vacina.

Além da proteção individual, a vacinação também tem impacto coletivo. “Quando vacinamos as crianças, reduzimos a circulação do vírus dentro de casa e protegemos também os bebês menores de 6 meses e outros familiares mais vulneráveis”, reforça Elisabeth.

Com a proximidade dos meses mais frios, a orientação é não adiar.

“A campanha não terminou no Dia D. Esse foi apenas um momento de mobilização. Ainda dá tempo de se proteger antes do pico da doença”, finaliza Dr. Paulo Telles.

 


Dra. Elisabeth Canova Fernandes – Pediatra - CRM 94686 - RQE 105.527. Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência médica em pediatria pela FMUSP. Complementação especializada em reumatologia pediátrica pelo Instituto da Criança – FMUSP. Título de especialista em Pediatria pela SBP. Título de especialista em reumatologia pediátrica pela SBP e SBR. Mestrado e doutorado em pediatria pela FMUSP. Pós-graduação em nutrição infantil pela Boston Umjversity e também pela Ludwig Maximilian University of Munich. Professora de graduação em Medicina na Universidade São Caetano do Sul. Médica proprietária da Clínica Pediátrica Crescer Participação ativa em diversos congressos nacionais e internacionais em pediatria voltados para alimentação infantil, amamentação, cuidados com o bebê e doenças comuns da primeira infância. Palestrante frequente nos temas de amamentação, alimentação infantil e primeiros cuidados com o bebê.


Dr. Paulo Nardy Telles - CRM 109556 @paulotelles - Formado pela Faculdade de medicina do ABC, Residência médica em pediatra e neonatologia pela Faculdade de medicina da USP, Preceptoria em Neonatologia pelo hospital Universitário da USP, Título de Especialista em Pediatria pela SBP, Título de Especialista em Neonatologia pela SBP, Atuou como Pediatra e Neonatologista no hospital israelita Albert Einstein 2008-2012, 18 anos atuando em sua clínica particular de pediatria, puericultura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados