Levantamento do Olá Doutor mostra que 74,5% das brasileiras recorrem à inteligência artificial para dúvidas médicas, contra 66,2% dos homens
As mulheres brasileiras estão à frente quando o assunto é o uso de inteligência artificial para cuidados com a saúde. Segundo um estudo do Olá Doutor, plataforma de consultas online via chat, 74,5% delas afirmam ter recorrido a ferramentas como ChatGPT e Gemini no último ano para esclarecer dúvidas médicas — índice superior ao observado entre os homens, de 66,2%.
Os dados fazem parte de um levantamento realizado com pessoas de diferentes regiões do país, que buscou entender como os brasileiros utilizam a IA para obter informações sobre o próprio corpo e organismo, além de mapear a frequência de uso dessas tecnologias, seus riscos e os principais temas pesquisados.
Na prática, o estudo revela que o uso dessas ferramentas já faz parte da rotina da população: ao todo, 7 em cada 10 entrevistados disseram ter recorrido à IA no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou doenças. Além disso, quase metade dos respondentes relatou utilizar a tecnologia para compreender informações sobre medicamentos e diagnósticos médicos, reforçando o papel crescente da inteligência artificial como apoio na busca por informações em saúde.
Quais são os principais temas relacionados à saúde que levam os brasileiros a utilizar IA?
Em um contexto marcado pela busca por mais agilidade nos serviços de saúde e a popularização da IA no cotidiano, os dados recentes divulgados pelo Olá Doutor apenas comprovam uma impressão geral: como, nos últimos anos, a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez mais presente na rotina dos pacientes, antes ou após uma consulta médica.
Ao serem questionados pela plataforma, 71% dos entrevistados afirmaram ter recorrido à inteligência artificial no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou doenças, prática ainda mais comum entre pessoas com doenças crônicas (81,4%) se comparadas àquelas que não convivem com condições contínuas de saúde (61,6%).
Outras diferenças também aparecem quando se observa o perfil dos usuários: as mulheres brasileiras tendem a utilizar mais a IA para questões médicas do que os homens (74,5% contra 66,2%), hábito também mais frequente entre os estudantes e pessoas de até 30 anos — grupos que mais recorreram à tecnologia nos últimos doze meses.
Na prática, de acordo com o Olá Doutor, canais como o ChatGPT e Gemini servem como uma espécie de ferramenta de apoio para compreender orientações ou informações técnicas. Não por acaso, quase metade dos entrevistados (49%) afirmaram ter usado a IA nos últimos meses para pesquisar sobre medicamentos, 41,6% recorreram à tecnologia para entender diagnósticos e 35,4% disseram usá-la para interpretar exames ou laudos.
Mas, afinal, quais tópicos de saúde vêm levando a população até a inteligência artificial recentemente? Quando o assunto são os temas que mais despertam as buscas, sintomas gerais, como febre, dores e desconfortos lideram o ranking (59,6%), seguidos por nutrição e alimentação (54%) e questões de saúde mental, como ansiedade, estresse ou depressão (46,8%) — que evidenciam como a tecnologia tem sido utilizada tanto para dúvidas imediatas quanto para questões relacionadas ao bem-estar no dia a dia.
O outro lado da tecnologia: os riscos de se recorrer à IA para fins de saúde
Mais do que um recurso para esclarecer dúvidas rápidas, algo que o Olá Doutor descobriu é que, para o bem ou para o mal, o uso da IA também vem influenciando a forma como os brasileiros observam e interpretam a própria saúde, afetando o modo pelo qual a população se informa e toma decisões relacionadas ao próprio corpo e organismo.
Entre os efeitos positivos identificados pelos entrevistados, muitos relataram uma postura mais ativa em relação aos cuidados pessoais: cerca de 58,8% afirmaram ter passado a prestar mais atenção em sintomas e sinais do próprio corpo após utilizar ferramentas de IA, enquanto 52,4% disseram se informar com maior frequência sobre prevenção e cuidados de saúde. Além disso, uma parcela considerável destacou ter adotado mudanças de hábitos no dia a dia (45,4%), incluindo melhorias na alimentação ou na rotina de atividades físicas.
Por outro lado, o estudo também revela que o uso dessas ferramentas pode trazer uma série de riscos sem a orientação médica adequada. Muitos respondentes, por exemplo, afirmaram ter passado a pesquisar de forma excessiva sobre possíveis doenças (20,2%) ou se tornar mais ansiosos em relação à saúde após recorrer à IA (16,8%).
Em alguns casos, a interpretação das informações também gerou distorções: 3 em cada 10 deles relataram já ter interpretado um sintoma como mais grave do que realmente era, ao passo que 22,4% minimizaram sinais que depois se mostraram mais sérios.
Para Anderon Zilli, CEO do Olá Doutor,
esse cenário reforça o papel da tecnologia como complemento, e não substituto,
da avaliação médica. “Ferramentas podem, sim, ampliar o acesso à informação,
mas não substituem a análise clínica feita por um profissional de saúde”,
explica. “Com o avanço da telemedicina, ser atendido por um médico deixou de
ser um processo demorado e burocrático: hoje, consultas online permitem que
pacientes tenham acesso à orientação profissional em poucos cliques, reduzindo
o risco de decisões baseadas apenas em informações encontradas na
internet.”
Qual será o futuro da IA na saúde? As apostas dos brasileiros
Embora o uso da IA para esclarecer dúvidas médicas já faça parte da rotina de muitos brasileiros, essa relação, segundo os respondentes, ainda é marcada por certo nível de cautela.
De acordo com o Olá Doutor, mais da metade dos entrevistados (52,8%) afirmaram ter algum grau de desconfiança quanto ao armazenamento de seus dados de saúde, por exemplo, entre aqueles que confiam parcialmente nas ferramentas (33,8%), confiam pouco (12,6%) ou não confiam de forma alguma nesse tipo de tecnologia quando o assunto são informações de ordem pessoal (6,4%).
É um cenário que ajuda a explicar como a população enxerga o futuro da inteligência artificial no setor: quando questionados sobre os próximos anos, a maioria dos ouvidos pela empresa acreditam que tal tecnologia deve avançar, mas com certas limitações e cuidados.
Para 29,8% dos respondentes, a IA tende
a impulsionar certas inovações na saúde, desde que acompanhada por
regulamentações adequadas, enquanto 26,8% acreditam que seu uso será mais
restrito — funcionando principalmente como uma ferramenta de apoio, e não uma
sucessora do trabalho médico.
Metodologia
Para entender o impacto da IA nos hábitos de saúde dos brasileiros, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso
a 8 questões, que exploraram a frequência com que recorrem à IA para fins de
saúde, os tópicos mais populares nas ferramentas e seus impactos no dia a dia.
A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos
quais você confere o percentual de cada alternativa apontada pelos
entrevistados.




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