Na WeVets, cirurgias já representam quase 30% da demanda odontológica devido ao caráter progressivo da enfermidade
A saúde bucal dos pets está longe de ser um tema estético. Dados
do corpo clínico da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, indicam
que cerca de 90% dos cães e gatos acima de três anos apresentam algum grau de
doença bucal, condição que pode evoluir para complicações sistêmicas graves
quando não tratada.
O problema vai além do mau hálito. A inflamação crônica provocada
pelo acúmulo de placa bacteriana permite que microrganismos entrem na corrente
sanguínea e atinjam órgãos vitais.
“A boca é uma das principais portas de entrada de bactérias no
organismo. Quando a doença periodontal está instalada, o risco não é apenas
local. Essas bactérias podem comprometer coração, fígado e rins, além de causar
dor constante e impactar diretamente a qualidade de vida do pet”, afirma a
médica-veterinária, Head de Odontologia da WeVets, Nicole Casara.
A progressão costuma ser silenciosa. O pet, no geral, não
apresenta sinais óbvios como falta de apetite e o responsável não percebe
sinais iniciais da doença. A halitose é um dos principais indicativos de algo
errado na cavidade oral. Casos graves evoluem para perdas dentárias
espontâneas, um sinal clássico do estágio final da doença.
Em 2025, a WeVets registrou um total de 3.601 atendimentos,
mantendo uma média constante de 300 atendimentos por mês. Desse volume, 66%
corresponderam a consultas iniciais, 59% a retornos para acompanhamento e 29% a
procedimentos cirúrgicos, evidenciando a robustez da infraestrutura hospitalar
para casos que exigem intervenção avançada.
Segundo a companhia, o protocolo odontológico inclui avaliação
anual com odontologista e, quando indicado, exames pré-operatórios como
hemograma, avaliação de função renal e hepática, além de exames cardiológicos.
O modelo integra odontologia, anestesia, cardiologia e clínica médica na mesma
jornada assistencial.
Em cães, a doença periodontal é a ocorrência mais frequente,
especialmente em raças de pequeno porte e braquicefálicas, devido à aglomeração
dentária e alterações de oclusão. Em gatos, além da doença periodontal, são
comuns as lesões de reabsorção dentária felina, condição dolorosa e de difícil
percepção pelos tutores.
Especialistas alertam que o acompanhamento odontológico deveria
integrar a rotina preventiva, assim como a vacinação e consultas clínicas
periódicas. Ainda assim, o cuidado bucal segue entre os mais negligenciados na
saúde veterinária.
Com o envelhecimento dos pets e o avanço da medicina veterinária,
a odontologia deixou de ser um procedimento pontual e passou a integrar a
lógica de cuidado sistêmico.
“Quanto mais cedo o acompanhamento é iniciado, maior a chance de
evitar procedimentos complexos e reduzir riscos sistêmicos. A prevenção é
determinante tanto para qualidade de vida quanto para desfechos clínicos mais
seguros”, afirma Nicole.

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