No Dia da Saúde e Nutrição, especialistas
alertam para o "abismo" entre algoritmos de redes sociais e a
fisiologia humana
No Dia da Saúde e Nutrição, especialistas alertam para o "abismo"
entre algoritmos de redes sociais e a fisiologia humana.
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Um
banquete de desinformação para todos os gostos na internet. É preciso atenção
na hora de acessar o conteúdo. A data 31 de março marca o Dia da Saúde e
Nutrição e traz uma reflexão sobre como a alimentação é o pilar central da
longevidade. No entanto, em 2026, o desafio dos profissionais de saúde mudou: o
inimigo não é mais apenas a falta de informação, mas o excesso de
desinformação. Com a ascensão de influenciadores "fitness" sem
formação acadêmica, dietas restritivas tornaram-se virais, ignorando que o
corpo humano possui uma individualidade bioquímica complexa.
A
busca pelo corpo perfeito em tempo recorde impulsionou o que a ciência chama de
"terrorismo nutricional". Abordagens como a Dieta Carnívora, que exclui
fibras e vegetais, e o jejum intermitente extremo, janelas sem comer superiores
a 24h, estão no topo das preocupações.
Para
a nutricionista, Ana Paula Perillo, que atende no centro clínico Órion Complex,
em Goiânia, o impacto dessas escolhas é uma bomba-relógio biológica. "O
ditado 'você é o que você come' nunca foi tão literal, quanto na era das redes
sociais. No entanto, existe um abismo entre um post viral e a fisiologia
humana. Dietas milagrosas prometem resultados rápidos, mas ignoram a
individualidade biológica, colocando em risco a saúde física e mental”, alerta
a especialista.
Danos Invisíveis e o
"Efeito Sanfona" Mental
A
restrição severa não ataca apenas o ponteiro da balança. Os consultórios estão
registrando um aumento alarmante de ortorexia — a obsessão patológica por
comida considerada "pura".
"Muitos
pacientes chegam com queda de cabelo, unhas quebradiças e, no caso das
mulheres, interrupção do ciclo menstrual, perda de massa e sobrecarga renal.
Mas tem também os danos mentais com o desenvolvimento de ortorexia – que é a
obsessão por comer "limpo" -, ansiedade social, irritabilidade e o
"efeito sanfona", salienta a especialista.
Mitos que Persistem: A
Ciência contra o "Detox"
A
data de 31 de março é um lembrete para desconstruir falácias que sobrevivem
graças ao marketing de produtos milagrosos. A especialista é enfática ao
separar o que é fisiologia do que é crença.
O
Mito do Suco Detox: "O termo 'detox' é puramente comercial. Quem faz a
desintoxicação do seu organismo são os seus rins e o seu fígado, 24 horas por
dia. O suco é um excelente complemento de micronutrientes, mas não limpa o
organismo de excessos", pontua.
O
Mito do Limão em Jejum: "O limão é fonte de vitamina C e melhora a
imunidade, mas ele não tem o poder termogênico de 'derreter' gordura
isoladamente. O emagrecimento depende de um déficit calórico planejado e não de
um alimento isolado."
Diferente
dos algoritmos das redes sociais, que entregam o mesmo conteúdo para milhões de
pessoas, o acompanhamento nutricional trabalha com a individualidade
bioquímica. "O nutricionista é o único profissional capaz de ler o que o
seu corpo está pedindo através de exames laboratoriais. O profissional avalia
rotina, sono, genética e níveis de estresse, tornando o plano alimentar uma
prescrição de saúde. Além disso, os exames clínicos são fundamentais para
identificar anemias e deficiências vitamínicas, como a B12, que dietas
genéricas podem agravar”, reforça a especialista.
Guia de Sobrevivência
Nutricional: Como identificar perfis falsos?
A
nutricionista alerta sobre cuidados com ondas de desinformação na internet.
“Cuidado com promessas ultra rápidas: Perder 10kg em 10 dias é biologicamente
insustentável e perigoso. Também, verifique o CRN, pois todo nutricionista deve
exibir seu número de registro profissional. Se não tem, não é profissional de
saúde.
Fuja
do terrorismo nutricional: Se o perfil demonizar alimentos como glúten ou leite
sem diagnóstico e foco excessivo na venda de produtos.
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