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domingo, 29 de março de 2026

Banho e tosa deixou de ser serviço e virou motor de crescimento do pet shop

Existe um equívoco persistente no varejo pet brasileiro centrado em acreditar que vender bem produtos é suficiente para sustentar crescimento. Não é mais, e o próprio tamanho e maturidade do setor deixam isso claro. O mercado pet devia movimentar cerca de R$ 77,2 bilhões em 2025, segundo projeções divulgadas com base em dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do Instituto Pet Brasil (IPB). Esse número impressiona, mas o que realmente importa é como esse dinheiro está sendo distribuído e por que alguns negócios crescem mais do que outros. Nesse contexto, banho e tosa deixou de ser um serviço complementar e passou a ser uma engrenagem central para geração de fluxo, relacionamento e valor dentro do pet shop.

O Brasil convive hoje com uma base gigantesca de consumo recorrente. Estima-se que o país tenha aproximadamente 160 milhões de animais de estimação, com média de 2,2 pets por domicílio, de acordo com dados divulgados por entidades do setor. Isso significa milhões de lares que precisam cuidar de higiene, bem-estar e aparência dos animais de forma contínua, não esporádica, e é justamente aí que mora a diferença entre quem apenas vende produto e quem constrói rotina com o cliente.


Quando o cliente cria hábito, o negócio ganha previsibilidade

Produto gera visita pontual. Serviço gera hábito. Hábito gera previsibilidade. E previsibilidade, no varejo, é ouro. O tutor que entra no pet shop para comprar ração pode escolher hoje uma loja e amanhã outra. Já aquele que leva o animal toda semana ou a cada quinze dias para banho começa a construir um vínculo com o espaço, com a equipe e com a experiência, passando a resolver mais coisas ali de forma natural.

É verdade que categorias como ração, antiparasitários, tapetes higiênicos e areia também têm alto potencial de recorrência e podem gerar previsibilidade de receita. No entanto, para que isso aconteça, o pet shop precisa investir em gestão estruturada, ERP eficiente, controle de estoque, política de preço competitiva e, muitas vezes, estratégias como programas de fidelidade ou assinatura para enfrentar a concorrência dos grandes players e marketplaces.

Isso ajuda a entender por que, mesmo com os alimentos ainda representando cerca de metade do faturamento do setor pet, segundo estimativas das próprias entidades de mercado, os serviços ganham importância estratégica. Produtos são cada vez mais pressionados por preço, marketplace e guerra promocional. Serviços não: eles são experiência, confiança e relação, além de difíceis de substituir por um clique.

Quando um pet shop oferece banho e tosa de forma estruturada, ele deixa de ser apenas ponto de venda e passa a ocupar um lugar na rotina do cliente, e essa mudança é profunda, pois o negócio deixa de depender exclusivamente de campanhas, descontos ou datas sazonais para girar.


O problema não é o serviço, é a falta de método

De fato, investir em banho e tosa é algo complexo, pois exige equipe, espaço, treinamento e processos, e tudo isso é verdade. Mas esse não é um argumento contra o serviço. É um argumento contra improviso. Negócios que tentam operar banho e tosa como “puxadinho” normalmente sofrem. Negócios que tratam banho e tosa como unidade estratégica, com padrão, indicadores e gestão, colhem resultado. A diferença não está no serviço em si, mas na forma como ele é encarado dentro do modelo de negócio.

Ignorar esse movimento tem custo. Em um mercado que deve seguir em expansão em 2026, como mostram as projeções da Abinpet e do IPB para 2025, pet shops que permanecem restritos à venda de produtos tendem a perder relevância para operações que entregam conveniência e solução completa. O futuro do pet shop não é ser apenas uma boa loja, mas um bom ponto de relacionamento com o tutor, e relacionamento se constrói muito mais por meio de serviços do que por prateleiras.

Por isso, vale ressaltar que banho e tosa não é mais diferencial. Diferencial hoje é como o serviço é executado. Ter ou não ter deixou de ser escolha estratégica. Virou condição mínima para quem quer crescer, fidelizar e permanecer competitivo no varejo pet brasileiro. 

 

Ricardo de Oliveira - especialista em negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop, empresa referência em capacitação e consultoria estratégica para pet shops em todo o Brasil. Com mais de 10 anos de atuação no setor, Ricardo já acompanhou a inauguração de mais de 70 pet shops, orientando desde a escolha do ponto comercial até o mix de produtos, layout e estratégias de marketing. À frente da Fórmula, já capacitou mais de 8.700 empreendedores por meio de mentorias, treinamentos e consultorias, se consolidando como uma das principais vozes na profissionalização do varejo pet nacional. Sua experiência prática e visão de negócio ajudam empreendedores a saírem do amadorismo e construírem empresas lucrativas e sustentáveis.



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