Gravidez, hormônios e dores silenciosas revelam riscos vasculares mais comuns do que se imagina
Um tema que merece mais espaço nas conversas sobre saúde é a
circulação. Muitas vezes silenciosos, os problemas vasculares podem se
manifestar de forma sutil no dia a dia e estão diretamente ligados a fases
importantes da vida feminina, como a gravidez, além do uso de hormônios e
predisposições individuais.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia
Vascular (SBACV), esses sinais nem sempre são percebidos como alerta. “A saúde
vascular da mulher é influenciada por diversos fatores ao longo da vida.
Conhecer esses riscos é essencial para prevenção e diagnóstico precoce”,
explica o Dr. Edwaldo Joviliano, presidente da entidade.
1 - Gravidez: quando a circulação pede mais atenção
A gravidez é um dos períodos que mais exigem cuidado. Durante a
gestação, o corpo passa por transformações profundas: há aumento do volume
sanguíneo, ação intensa dos hormônios e compressão das veias pelo crescimento
do útero, o que dificulta o retorno do sangue ao coração. Esse cenário favorece
o surgimento de varizes, inchaço nas pernas e sensação de peso, além de
aumentar o risco de trombose.
“A gestação cria um ambiente propício para alterações na
circulação. Essa combinação pode favorecer desde quadros mais leves, como
varizes, até eventos mais graves, como a trombose, exigindo acompanhamento ao
longo de todo o pré-natal”, destaca o especialista. Segundo a Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o risco de
tromboembolismo venoso pode ser até 4,6 vezes maior em gestantes.
2 - Varizes pélvicas: dor que não deve ser ignorada
Outro sinal que o corpo pode dar e que costuma ser negligenciado é
a dor pélvica persistente. Em muitos casos, ela pode estar associada às varizes
pélvicas, condição caracterizada pela dilatação das veias na região inferior do
abdômen. O desconforto tende a piorar ao longo do dia, após muitas horas em pé
ou durante o ciclo menstrual.
“As varizes pélvicas ainda são pouco reconhecidas, o que pode
atrasar o diagnóstico. Muitas mulheres convivem com dor crônica sem saber a
causa. É importante investigar, especialmente quando há histórico de
gestações”, alerta Joviliano.
3 - Anticoncepcionais: uso exige avaliação individual
Os hormônios são fatores fundamentais nessa equação.
O uso de anticoncepcionais, embora seguro para a maioria das mulheres, pode
aumentar o risco de trombose em pessoas com predisposição, como histórico
familiar, obesidade, tabagismo e sedentarismo. Essas circunstâncias acontecem
porque alguns hormônios interferem no sistema de coagulação do sangue,
tornando-o mais propenso à formação de coágulos.
“O uso de hormônios deve ser sempre individualizado e orientado
por um médico. Nem todas as mulheres podem utilizar os mesmos métodos com segurança”,
reforça o especialista.
4 - Check-up vascular: prevenção que faz diferença
Não acompanhar sua saúde é se expor a riscos. Mesmo sem sintomas aparentes, a avaliação vascular deve fazer parte da rotina de cuidados com a saúde da mulher. Especialmente em fases como gestação, uso de hormônios ou presença de histórico familiar, os exames clínicos e, quando necessário, o ultrassom Doppler, ajudam a identificar alterações precoces na circulação.
“O check-up vascular permite identificar fatores de risco antes que eles evoluam para quadros mais graves. Com medidas simples, como manter-se ativa, hidratar-se bem e evitar longos períodos na mesma posição, já é possível proteger a circulação no dia a dia”, conclui o presidente da SBACV.

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