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terça-feira, 31 de março de 2026

Quatro riscos da circulação corporal que as mulheres não devem ignorar

Gravidez, hormônios e dores silenciosas revelam riscos vasculares mais comuns do que se imagina

Um tema que merece mais espaço nas conversas sobre saúde é a circulação. Muitas vezes silenciosos, os problemas vasculares podem se manifestar de forma sutil no dia a dia e estão diretamente ligados a fases importantes da vida feminina, como a gravidez, além do uso de hormônios e predisposições individuais. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), esses sinais nem sempre são percebidos como alerta. “A saúde vascular da mulher é influenciada por diversos fatores ao longo da vida. Conhecer esses riscos é essencial para prevenção e diagnóstico precoce”, explica o Dr. Edwaldo Joviliano, presidente da entidade.
 

1 - Gravidez: quando a circulação pede mais atenção

A gravidez é um dos períodos que mais exigem cuidado. Durante a gestação, o corpo passa por transformações profundas: há aumento do volume sanguíneo, ação intensa dos hormônios e compressão das veias pelo crescimento do útero, o que dificulta o retorno do sangue ao coração. Esse cenário favorece o surgimento de varizes, inchaço nas pernas e sensação de peso, além de aumentar o risco de trombose. 

“A gestação cria um ambiente propício para alterações na circulação. Essa combinação pode favorecer desde quadros mais leves, como varizes, até eventos mais graves, como a trombose, exigindo acompanhamento ao longo de todo o pré-natal”, destaca o especialista. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o risco de tromboembolismo venoso pode ser até 4,6 vezes maior em gestantes.
 

2 - Varizes pélvicas: dor que não deve ser ignorada

Outro sinal que o corpo pode dar e que costuma ser negligenciado é a dor pélvica persistente. Em muitos casos, ela pode estar associada às varizes pélvicas, condição caracterizada pela dilatação das veias na região inferior do abdômen. O desconforto tende a piorar ao longo do dia, após muitas horas em pé ou durante o ciclo menstrual. 

“As varizes pélvicas ainda são pouco reconhecidas, o que pode atrasar o diagnóstico. Muitas mulheres convivem com dor crônica sem saber a causa. É importante investigar, especialmente quando há histórico de gestações”, alerta Joviliano.
 

3 - Anticoncepcionais: uso exige avaliação individual
Os hormônios são fatores fundamentais nessa equação. O uso de anticoncepcionais, embora seguro para a maioria das mulheres, pode aumentar o risco de trombose em pessoas com predisposição, como histórico familiar, obesidade, tabagismo e sedentarismo. Essas circunstâncias acontecem porque alguns hormônios interferem no sistema de coagulação do sangue, tornando-o mais propenso à formação de coágulos. 

“O uso de hormônios deve ser sempre individualizado e orientado por um médico. Nem todas as mulheres podem utilizar os mesmos métodos com segurança”, reforça o especialista.
 

4 - Check-up vascular: prevenção que faz diferença

Não acompanhar sua saúde é se expor a riscos. Mesmo sem sintomas aparentes, a avaliação vascular deve fazer parte da rotina de cuidados com a saúde da mulher. Especialmente em fases como gestação, uso de hormônios ou presença de histórico familiar, os exames clínicos e, quando necessário, o ultrassom Doppler, ajudam a identificar alterações precoces na circulação. 

“O check-up vascular permite identificar fatores de risco antes que eles evoluam para quadros mais graves. Com medidas simples, como manter-se ativa, hidratar-se bem e evitar longos períodos na mesma posição, já é possível proteger a circulação no dia a dia”, conclui o presidente da SBACV.


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