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terça-feira, 31 de março de 2026

O corpo fala: por que o estado emocional pode travar a sua cicatrização?

Entenda a razão pela qual questões psicológicas e o estresse familiar podem estagnar a evolução de uma ferida, exigindo um olhar que cuida da mente para que a pele possa fechar.

 

O processo de recuperação de uma lesão na pele vai muito além de curativos modernos e pomadas de última geração. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 90% das doenças têm algum fundo psicossomático ou são agravadas pelo estresse emocional. Quando o organismo está sob pressão constante, o sistema imunológico entra em estado de alerta, liberando hormônios que dificultam a regeneração dos tecidos. Essa conexão direta entre a mente e a biologia explica por que muitos pacientes apresentam feridas que simplesmente não fecham, mesmo recebendo o tratamento clínico adequado. 

No Instituto que leva seu nome, a estomaterapeuta Micheline Sarquis observa diariamente como o ambiente familiar e o equilíbrio mental ditam o ritmo da recuperação. Segundo a especialista, o estresse crônico eleva os níveis de cortisol no sangue, o que reduz a produção de citocinas essenciais para a fase inflamatória da cicatrização. Sem esse equilíbrio interno, o corpo prioriza a sobrevivência ao estresse em vez de focar a energia na reconstrução da pele. "Muitas vezes, a ferida que não sara é apenas o reflexo de um conflito que o paciente ainda não conseguiu processar internamente", explica a fundadora da instituição. 

A abordagem de Micheline foca em um atendimento humanizado que tenta identificar os travamentos emocionais antes mesmo de aplicar a primeira cobertura na lesão. Problemas como depressão, ansiedade ou lutos mal resolvidos funcionam como barreiras invisíveis para o sucesso do tratamento. A especialista defende que, se o paciente vive em um ambiente de hostilidade ou negligência, o organismo entende que não é o momento de se restaurar, mantendo a ferida em um estado de estagnação crônica. "Não tratamos apenas um buraco na pele; cuidamos de uma pessoa que possui uma história e um contexto social que influenciam diretamente na sua biologia", afirma a estomaterapeuta. 

O papel da rede de apoio é outro fator determinante destacado pela profissional em sua prática clínica. Famílias que oferecem suporte emocional e segurança aceleram o processo de cura, enquanto o isolamento social tende a cronificar o problema. A fundadora ressalta que o acolhimento reduz a carga de adrenalina no sistema circulatório, permitindo que o sangue flua melhor para as extremidades e leve o oxigênio necessário para as células de defesa trabalharem. "Quando o indivíduo se sente amparado, o cérebro envia sinais de segurança que autorizam o corpo a concluir o processo de reparo", pontua a Dra. Micheline.

 Para reverter casos de difícil resolução, a especialista sugere que os cuidadores e familiares fiquem atentos aos sinais de desânimo ou apatia do paciente. O tratamento eficaz de feridas complexas exige uma visão 360 graus, unindo a técnica rigorosa ao suporte psicológico. Muitas vezes, a introdução de terapias integrativas ou apenas uma mudança na dinâmica de convivência da casa gera resultados mais rápidos do que qualquer intervenção cirúrgica isolada. Segundo a estomaterapeuta, a pele é o maior órgão do ser humano e também o que mais expressa nossas fragilidades emocionais. 

O objetivo final é promover uma integração entre o cuidado físico e o bem-estar da mente para garantir a longevidade da cura. Ao entender que a emoção pode ser tanto o veneno quanto o antídoto, o caminho para a alta se torna muito mais curto e menos doloroso. "A cicatrização real acontece de dentro para fora, começando pela disposição da mente em permitir que o corpo se restabeleça", conclui a profissional.

  

Fonte: Dra. Micheline Sarquis | Estomaterapeuta especializada em feridas crônicas | Fundadora do Instituto Micheline Sarquis |
@institutomichelinesarquis | institutomichelinesarquis.com


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