Entenda a razão pela qual questões psicológicas e o estresse familiar podem estagnar a evolução de uma ferida, exigindo um olhar que cuida da mente para que a pele possa fechar.
O processo de recuperação de uma lesão na pele vai muito além de curativos modernos e pomadas de última geração. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 90% das doenças têm algum fundo psicossomático ou são agravadas pelo estresse emocional. Quando o organismo está sob pressão constante, o sistema imunológico entra em estado de alerta, liberando hormônios que dificultam a regeneração dos tecidos. Essa conexão direta entre a mente e a biologia explica por que muitos pacientes apresentam feridas que simplesmente não fecham, mesmo recebendo o tratamento clínico adequado.
No Instituto que leva seu nome, a estomaterapeuta Micheline Sarquis observa diariamente como o ambiente familiar e o equilíbrio mental ditam o ritmo da recuperação. Segundo a especialista, o estresse crônico eleva os níveis de cortisol no sangue, o que reduz a produção de citocinas essenciais para a fase inflamatória da cicatrização. Sem esse equilíbrio interno, o corpo prioriza a sobrevivência ao estresse em vez de focar a energia na reconstrução da pele. "Muitas vezes, a ferida que não sara é apenas o reflexo de um conflito que o paciente ainda não conseguiu processar internamente", explica a fundadora da instituição.
A abordagem de Micheline foca em um atendimento humanizado que tenta identificar os travamentos emocionais antes mesmo de aplicar a primeira cobertura na lesão. Problemas como depressão, ansiedade ou lutos mal resolvidos funcionam como barreiras invisíveis para o sucesso do tratamento. A especialista defende que, se o paciente vive em um ambiente de hostilidade ou negligência, o organismo entende que não é o momento de se restaurar, mantendo a ferida em um estado de estagnação crônica. "Não tratamos apenas um buraco na pele; cuidamos de uma pessoa que possui uma história e um contexto social que influenciam diretamente na sua biologia", afirma a estomaterapeuta.
O papel da rede de apoio é outro fator
determinante destacado pela profissional em sua prática clínica. Famílias que
oferecem suporte emocional e segurança aceleram o processo de cura, enquanto o
isolamento social tende a cronificar o problema. A fundadora ressalta que o
acolhimento reduz a carga de adrenalina no sistema circulatório, permitindo que
o sangue flua melhor para as extremidades e leve o oxigênio necessário para as
células de defesa trabalharem. "Quando o indivíduo se sente amparado, o cérebro
envia sinais de segurança que autorizam o corpo a concluir o processo de
reparo", pontua a Dra. Micheline.
O objetivo final é promover uma integração entre o cuidado físico e o bem-estar da mente para garantir a longevidade da cura. Ao entender que a emoção pode ser tanto o veneno quanto o antídoto, o caminho para a alta se torna muito mais curto e menos doloroso. "A cicatrização real acontece de dentro para fora, começando pela disposição da mente em permitir que o corpo se restabeleça", conclui a profissional.
Fonte: Dra. Micheline Sarquis | Estomaterapeuta especializada em feridas crônicas | Fundadora do Instituto Micheline Sarquis |
@institutomichelinesarquis | institutomichelinesarquis.com
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