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terça-feira, 31 de março de 2026

Alimentação e enxaqueca: o papel da nutrição no manejo moderno da doença

O que você consome pode influenciar na frequência, intensidade e controle da doença. O apoio nutricional tem papel estratégico em planos terapêuticos integrados.

 

A enxaqueca, muitas vezes confundida com dor de cabeça, é uma doença neurológica crônica, hereditária e complexa, que afeta cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde. É marcada por episódios de dor de cabeça intensa, um dos principais sintomas da doença, que podem ser acompanhados de náuseas, distúrbios visuais, zumbidos, alterações de humor e até desequilíbrios gastrointestinais. 

Embora não seja causada por alimentos, certos ingredientes podem funcionar como gatilhos poderosos, desencadeando, agravando e cronificando a condição.  

“A enxaqueca é uma doença de um cérebro hiperexcitável. Substâncias estimulantes presentes em alguns alimentos, como a cafeína, e compostos termogênicos como o gengibre e a canela, por exemplo, podem atuar como gatilhos e ‘pioradores’ das crises, especialmente em indivíduos com mais sensibilidade neurológica”, explica Thais Villa, médica neurologista, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca.

 

Alimentos que estimulam o cérebro:

  • Bebidas com cafeína: como café, chá preto, branco e verde, matcha, mate; refrigerante de cola ou guaraná, energéticos, entre outros;
  • O consumo de bebidas alcoólicas não é recomendado para pessoas com enxaqueca. O álcool dilata os vasos sanguíneos e pode desencadear dor de cabeça, um dos sintomas mais comuns da doença enxaqueca - porém não o único! Vinhos tintos contêm taninos, compostos que podem “irritar” o cérebro e, por isso, são associados ao surgimento de crises;
  • Chocolates escuros: produzidos a partir do cacau, que contém cafeína e teobromina, dois estimulantes que deixam ainda mais em alerta o cérebro já hiperexcitado naturalmente na pessoa com enxaqueca;
  • Pré treinos e suplementos estimulantes;
  • Alimentos ricos em glutamato monossódico (como temperos prontos, salgadinhos, biscoitos e molho shoyu);
  • Alimentos com ação termogênica, como gengibre, cúrcuma e canela.
     

Thais Villa reforça que a enxaqueca não é uma doença de causa alimentar, e sim neurológica. A alimentação pode funcionar como um fator de agravamento ou desencadeador de crises, e por isso não deve ser tratada como única solução.

“Cortar alimentos é parte do processo, não a solução isolada. O tratamento da enxaqueca precisa ser integrado, com acompanhamento neurológico e intervenções medicamentosas e não medicamentosas. O apoio nutricional é estratégico para melhorar a resposta ao tratamento, oferecendo orientações personalizadas”, completa Thais Villa.
 

Por ser hereditária, a enxaqueca não tem cura, mas tem controle. O cuidado deve ser personalizado e multidisciplinar. Entre os profissionais envolvidos no manejo da doença e das crises que ela faz acontecer, o apoio do nutricionista é fundamental no processo, colaborando diretamente para a redução da frequência, intensidade e duração das crises.


Dra Thais Villa (CRM 110217) - Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.


Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil


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