Mais do que não consumir o doce, o segredo está na
estratégia ao longo do feriado. Endocrinologista e nutricionista explicam como
evitar excessos sem abrir mão do chocolate
A
Páscoa chega e, com ela, uma dúvida que se repete todos os anos: dá para
aproveitar o chocolate sem sair completamente da rotina alimentar?
Entre
ovos, sobremesas e encontros em família, o que costuma pesar não é um momento
isolado, mas a forma como o consumo se distribui ao longo do dia.
Para
a endocrinologista Tassiane Alvarenga e a nutricionista Amanda Figueiredo, o
ponto central não é o chocolate em si, mas o padrão que se instala durante o
feriado.
“O
impacto não vem de um pedaço de chocolate, mas da repetição ao longo do dia.
Quando a pessoa belisca várias vezes, somando com refeições mais calóricas, o
excesso acontece sem perceber”, explica Amanda Figueiredo Nutricionista Clínica
pela USP.
Esse comportamento
faz com que o doce deixe de ser uma exceção e passe a fazer parte de vários
momentos, o que pode aumentar significativamente a ingestão calórica.
Do ponto de vista
metabólico, o excesso de açúcar pode levar a picos de glicose no sangue,
seguidos por maior liberação de insulina, um cenário que favorece o acúmulo de
gordura ao longo do tempo.
Além disso, a
alimentação rica em açúcar e gorduras pode interferir no equilíbrio hormonal.
“Nas mulheres, pode impactar hormônios como estrogênio e progesterona. Nos
homens, pode influenciar a produção de testosterona”, explica Dra. Tassiane
Alvarenga Endocrinologista e Metabologista pela SBEM.
Ainda assim, não
se trata de restrição. A forma de consumir faz diferença: evitar o chocolate em
jejum e priorizar o consumo após as refeições principais ajuda a reduzir o
impacto no organismo.
“Quando o doce vem
depois da refeição, a resposta glicêmica tende a ser menor. Associar com fontes
de gordura boa ou proteína, como castanhas, também contribui para esse
equilíbrio”, orienta a endocrinologista.
Outro ponto
importante é manter o corpo em movimento. Caminhadas leves após as refeições já
ajudam na regulação metabólica.
Em relação à
quantidade, não existe uma regra única, mas a moderação segue como referência.
“Uma média de 20 a 30 gramas por dia já permite aproveitar o chocolate sem
grandes impactos. Isso equivale a dois quadradinhos de chocolate com maior teor
de cacau ou um bombom pequeno”, afirma Amanda.
E depois da
Páscoa, vale apostar em dietas restritivas? A resposta é não. O corpo já possui
mecanismos naturais de desintoxicação.
“O mais importante
é retomar a rotina alimentar, com boa hidratação, consumo de vegetais, fibras e
proteínas de qualidade”, reforça Amanda.
Na prática, o
que ajuda a equilibrar o consumo na Páscoa:
• Evitar “beliscar” chocolate ao longo do dia
• Preferir consumir o doce após as refeições principais
• Escolher opções com maior teor de cacau
• Combinar com castanhas ou outras fontes de gordura boa
• Manter-se ativo, mesmo com caminhadas leves
• Equilibrar o prato com vegetais e preparações mais leves
No fim, a lógica é simples: não é sobre não consumir o chocolate, mas sobre como ele entra na rotina.
Dra. Amanda Figueiredo Nutricionista - Nutricionista clínica formada pela USP, pós-graduada em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC e também especialista em emagrecimento e nutrição estética. Atende presencialmente em São Paulo e online para o mundo todo.Tem como foco o acompanhamento nutricional de mulheres em todas as fases da vida.Site: Link
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