Em um
mercado de trabalho marcado por
intensas e constantes transformações, contratações baseadas exclusivamente
em experiência técnica se tornaram arriscadas. Hoje, as empresas buscam mais do
que histórico profissional: procuram sinais de comportamento, capacidade de
adaptação e muitas outras habilidades sociais que, juntas, passaram a ter
um peso decisivo nos currículos. A grande questão é como elaborá-los de forma
que essas informações se destaquem e ganhem relevância no olhar dos
recrutadores.
Toda vez
que falamos de recrutamento e seleção, é difícil deixar de lado a importância
do currículo como régua de avaliação. Por mais que muitas empresas
testem métodos diferentes nesse sentido, como vídeos de apresentação ou testes
práticos, no fim, o currículo ainda não pode
ser substituído, justamente por servir de comparação entre os
candidatos a fim de identificar o mais qualificado para a vaga em
questão.
Não há como
dispensar a formatação de um bom documento deste tipo para qualquer processo
seletivo. O ideal, inclusive, é que seja sempre ajustado e atualizado conforme
cada posição pretendida, de forma que esteja mais aderente ao que é
buscado e que tenha mais chance de se destacar dentre os demais
concorrentes. Até porque, segundo uma pesquisa da Sólides, hoje, as
empresas têm uma média de 26 candidatos por anúncio de emprego – um aumento de
23,8% em relação a 2025.
Um bom
currículo que gere atenção dos recrutadores precisa evidenciar pontos
importantes da trajetória e experiências de cada um, que irão depender do
tipo de posição a qual está sendo aplicada. Cadeiras mais acadêmicas costumam
preferir currículos profundamente detalhados, incluindo possíveis artigos
escritos, cursos realizados junto com a quantidade de horas empenhadas em cada
um. Recrutamentos executivos, enquanto isso, tendem a ser
mais objetivos e, ao mesmo tempo, profundos, trazendo informações
relevantes de sua jornada profissional, mas sem se estender
demasiadamente em nenhuma delas.
Na prática,
isso pode ser construído destacando os principais projetos com os quais
contribuiu em cada empresa que passou – sendo que, em cada um deles, explique
não apenas quais atividades foram exercidas, como, acima de tudo, quais
resultados quantitativos foram conquistados. Qualquer detalhe mais aprofundado
pode ser explorado em plataformas específicas nesse sentido como o próprio
LinkedIn, lugar ideal para que complete esses pontos com a maior riqueza
possível de detalhes – o que, inclusive, favorece os softwares de busca.
Testes
comportamentais que já tenham sido feitos também são bem-vindos, sendo,
inclusive, muito valorizados e reconhecidos pelos recrutadores como forma de
entender um pouco mais quem está se candidatando, indo além de questões
meramente técnicas. Ao menos, é o que aponta o relatório Global Trends
Report, desenvolvido pelo LinkedIn, o qual revelou que 80% dos recrutadores consideram
que as soft skills têm
um papel cada vez mais importante para os resultados corporativos.
No geral,
toda empresa busca por profissionais engajados, comprometidos a fazer dar
certo e que tenham brilho no olho, fora seu background técnico em si. São
essas as pessoas que, via de regra, tendem a ter um melhor rendimento e
desempenho internamente, contratados não só por seus conhecimentos, mas por sua
motivação em fazer diferente e ir além.
Isso faz com que o sucesso em qualquer entrevista, tanto para o profissional em si quanto para a empresa, esteja diretamente relacionado ao autoconhecimento individual dos candidatos aplicado, de forma clara e precisa, em seus currículos; quanto ao máximo aproveitando da entrevista explorando possíveis convergências entre as partes. A soma desses cuidados elevará significativamente as chances de uma contratação mais assertiva.
Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Wide
https://wide.works/
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