Levantamento do Sindilojas-SP com base no Novo Caged mostra alta de 55,2% nos vínculos formais do setor entre 2020 e 2026
O mercado pet vem se consolidando como um dos
segmentos mais dinâmicos da economia paulistana. Entre janeiro de 2020 e
janeiro de 2026, o número de vínculos celetistas ativos no setor cresceu 55,2%,
passando de 11.798 para 18.313 postos de trabalho. Os dados são de levantamento
do Sindilojas-SP com base no Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
No mesmo
período, o total de empregos formais na cidade de São Paulo avançou 17,8%,
segundo a mesma base de dados. O desempenho do setor pet, portanto, foi mais de
três vezes superior à média da economia local, evidenciando o ganho de
relevância das atividades ligadas aos animais de estimação na estrutura
produtiva urbana.
De acordo
com o presidente do Sindilojas-SP, Aldo Nuñez
Macri, o avanço reflete uma transformação consistente no perfil de consumo das
famílias. “O crescimento do mercado pet está diretamente ligado a mudanças
estruturais no comportamento da população, que passou a priorizar mais o
bem-estar e os cuidados com os animais de estimação, sustentando a expansão do
setor no longo prazo”, afirma.
A expansão
do segmento acompanha uma tendência nacional. Dados da Abinpet (Associação
Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação) indicam
crescimento contínuo do mercado pet brasileiro ao longo da última década, com
avanço do faturamento e diversificação de produtos e serviços.
Esse
movimento foi intensificado a partir da pandemia de Covid-19. O período de
isolamento social contribuiu para o aumento da adoção de animais e para o
fortalecimento do vínculo entre tutores e pets, o que ampliou a demanda por
serviços especializados, como cuidados veterinários, estética, hospedagem e
adestramento.
Além do
fator conjuntural, mudanças demográficas ajudam a explicar o fenômeno. Dados do
IBGE, a partir da PNAD Contínua e de indicadores populacionais, mostram a queda
da taxa de fecundidade, o adiamento da parentalidade e o crescimento de
domicílios menores ou unipessoais, fatores que favorecem a centralidade dos
animais de estimação na dinâmica familiar.
Na cidade de
São Paulo, a estrutura do setor reflete a predominância de atividades de
comércio e serviços. O mercado é composto principalmente por lojas
especializadas, clínicas e hospitais veterinários, estabelecimentos de banho e
tosa e serviços de cuidado animal. Etapas industriais e agropecuárias da
cadeia, como a fabricação de ração e medicamentos, tendem a se concentrar fora
da capital.
Outro vetor
relevante é o empreendedorismo. Levantamento do Sindilojas-SP, com base em
dados do Sebrae, aponta que cerca de 10,8 mil microempreendedores individuais
atuam em atividades relacionadas ao mercado pet na cidade, incluindo
prestadores de serviços, cuidadores e pequenos comerciantes.
Para Aldo Nuñez
Macri, a combinação entre crescimento do emprego formal e avanço do
empreendedorismo indica um movimento estrutural. “O setor pet não apenas amplia
a geração de empregos formais, mas também abre espaço para pequenos negócios e
novas oportunidades de renda, o que reforça sua importância crescente na
economia paulistana”, diz.
Apesar do
desempenho expressivo no acumulado do período, o setor apresentou estabilidade
recente, com a criação de 238 vagas formais no último ano, segundo dados do
Novo Caged. Ainda assim, o avanço observado desde 2020 sinaliza uma mudança
consistente no padrão de consumo e na organização das atividades econômicas
ligadas ao cuidado com animais de estimação.

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