Com a chegada do outono em 20 de março e a intensificação paulatina dos últimos anos de retorno aos escritórios, empresas voltam a observar um aumento de afastamentos por sintomas respiratórios. O cenário combina dois fatores que se reforçam: a maior circulação de vírus sazonais e a retomada da convivência em ambientes fechados.
Dados da 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas, do Great Place to Work, mostram que o modelo presencial já, novamente, é predominante no Brasil, adotado por 51,1% das empresas, enquanto o formato híbrido aparece em 41,3% e o remoto se tornou minoritário, com 7,6%2. Esse movimento acompanha uma tendência global. Levantamento da McKinsey & Company mostra que o trabalho presencial quase dobrou em um ano, passando de 35% em 2023 para 68% em 20242.
Na prática, isso significa mais pessoas compartilhando os mesmos espaços por períodos prolongados – o que potencializa infecções respiratórias principalmente nos meses outonais, quando esses vírus ganham mais força. Dados epidemiológicos da Fiocruz indicam que o outono marca o início da alta sazonal dessas infecções no Brasil³.
“Quando você reúne pessoas por muitas horas em ambientes fechados, com pouca renovação de ar e contato próximo, cria-se um cenário favorável à transmissão. Basta um infectado para iniciar uma cadeia de contágio. Mais do que uma medida individual, a vacinação passa a ser incorporada como ferramenta de gestão, especialmente em períodos de maior circulação viral”, explica Rosana Richtmann, infectologista e consultora em vacinas da Dasa.
Atualizada
anualmente para acompanhar as variantes em circulação, a vacina contra a gripe
reduz o risco de formas graves da doença, assim como internações e afastamentos
prolongados⁵. Em ambientes coletivos, como escritórios, o impacto é ampliado:
quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de transmissão em cadeia.
Ambiente e comportamento ampliam o risco
Além da sazonalidade, a forma como o trabalho é organizado influencia diretamente a transmissão. Ambientes pouco ventilados, reuniões presenciais prolongadas e alta densidade de pessoas favorecem a circulação de partículas respiratórias, que podem permanecer suspensas no ar³.
“O comportamento
também pesa. O ambiente corporativo favorece essa disseminação porque há
proximidade constante e, muitas vezes, uma cultura que ainda valoriza estar
presente mesmo quando a pessoa não está bem. O presenteísmo — ir trabalhar
mesmo com sintomas — segue como um dos principais vetores silenciosos de
transmissão”, afirma Luísa Chebabo, infectologista do laboratório Bronstein.
O que as empresas podem fazer
O aumento de casos no outono não é um evento isolado, mas resultado da combinação entre comportamento, ambiente e sazonalidade. Com escritórios mais cheios e vírus em circulação, episódios de afastamentos em sequência tendem a ocorrer — não necessariamente atingindo todos, mas com impacto suficiente para afetar equipes e operações.
Diante desse
cenário, empresas podem adotar medidas práticas:
· campanhas de
vacinação corporativa
· flexibilização
para afastamento em caso de sintomas
· incentivo ao
modelo híbrido em períodos de maior circulação viral
· melhoria da
ventilação e revisão de espaços fechados
· ampliação do acesso a telemedicina e atendimento rápido
Pequenas mudanças
operacionais têm impacto direto na redução de casos e na continuidade das
atividades.
Referências:
1. GREAT PLACE TO
WORK BRASIL. Tendências em Gestão de Pessoas 2026. 8. ed. São Paulo: GPTW,
2026.
2. MCKINSEY &
COMPANY. How to get return-to-office right. 2024.
3. FUNDAÇÃO
OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). InfoGripe: boletins epidemiológicos de síndromes
respiratórias agudas graves. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2025-2026.
4.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Campanha nacional de vacinação contra a gripe:
orientações e dados epidemiológicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2025.

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