Pesquisar no Blog

terça-feira, 31 de março de 2026

Escritórios cheios, vírus em circulação: por que a gripe volta a pressionar empresas no outono

Com a chegada do outono em 20 de março e a intensificação paulatina dos últimos anos de retorno aos escritórios, empresas voltam a observar um aumento de afastamentos por sintomas respiratórios. O cenário combina dois fatores que se reforçam: a maior circulação de vírus sazonais e a retomada da convivência em ambientes fechados. 

Dados da 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas, do Great Place to Work, mostram que o modelo presencial já, novamente, é predominante no Brasil, adotado por 51,1% das empresas, enquanto o formato híbrido aparece em 41,3% e o remoto se tornou minoritário, com 7,6%2. Esse movimento acompanha uma tendência global. Levantamento da McKinsey & Company mostra que o trabalho presencial quase dobrou em um ano, passando de 35% em 2023 para 68% em 20242. 

Na prática, isso significa mais pessoas compartilhando os mesmos espaços por períodos prolongados – o que potencializa infecções respiratórias principalmente nos meses outonais, quando esses vírus ganham mais força. Dados epidemiológicos da Fiocruz indicam que o outono marca o início da alta sazonal dessas infecções no Brasil³. 

“Quando você reúne pessoas por muitas horas em ambientes fechados, com pouca renovação de ar e contato próximo, cria-se um cenário favorável à transmissão. Basta um infectado para iniciar uma cadeia de contágio. Mais do que uma medida individual, a vacinação passa a ser incorporada como ferramenta de gestão, especialmente em períodos de maior circulação viral”, explica Rosana Richtmann, infectologista e consultora em vacinas da Dasa. 

Atualizada anualmente para acompanhar as variantes em circulação, a vacina contra a gripe reduz o risco de formas graves da doença, assim como internações e afastamentos prolongados⁵. Em ambientes coletivos, como escritórios, o impacto é ampliado: quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de transmissão em cadeia.

 

Ambiente e comportamento ampliam o risco 

Além da sazonalidade, a forma como o trabalho é organizado influencia diretamente a transmissão. Ambientes pouco ventilados, reuniões presenciais prolongadas e alta densidade de pessoas favorecem a circulação de partículas respiratórias, que podem permanecer suspensas no ar³. 

“O comportamento também pesa. O ambiente corporativo favorece essa disseminação porque há proximidade constante e, muitas vezes, uma cultura que ainda valoriza estar presente mesmo quando a pessoa não está bem. O presenteísmo — ir trabalhar mesmo com sintomas — segue como um dos principais vetores silenciosos de transmissão”, afirma Luísa Chebabo, infectologista do laboratório Bronstein.

 

O que as empresas podem fazer 

O aumento de casos no outono não é um evento isolado, mas resultado da combinação entre comportamento, ambiente e sazonalidade. Com escritórios mais cheios e vírus em circulação, episódios de afastamentos em sequência tendem a ocorrer — não necessariamente atingindo todos, mas com impacto suficiente para afetar equipes e operações. 

Diante desse cenário, empresas podem adotar medidas práticas:

· campanhas de vacinação corporativa

· flexibilização para afastamento em caso de sintomas

· incentivo ao modelo híbrido em períodos de maior circulação viral

· melhoria da ventilação e revisão de espaços fechados

· ampliação do acesso a telemedicina e atendimento rápido 

Pequenas mudanças operacionais têm impacto direto na redução de casos e na continuidade das atividades.

 

Referências:

1. GREAT PLACE TO WORK BRASIL. Tendências em Gestão de Pessoas 2026. 8. ed. São Paulo: GPTW, 2026.

2. MCKINSEY & COMPANY. How to get return-to-office right. 2024.

3. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). InfoGripe: boletins epidemiológicos de síndromes respiratórias agudas graves. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2025-2026.

4. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Campanha nacional de vacinação contra a gripe: orientações e dados epidemiológicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2025.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados