Tecnologia baseada em processos de
adsorção pode ajudar no tratamento de efluentes e no desenvolvimento de
soluções mais sustentáveis
A escassez de água e o aumento da contaminação de
rios, lagos e efluentes industriais estão entre os principais desafios
ambientais da atualidade. Neste contexto, a FEI, centro universitário
referência em engenharia há 85 anos, desenvolve estudos que investigam o uso de
materiais produzidos a partir de resíduos, como borra de café, cascas vegetais
e até garrafas PET, para remover poluentes da água por meio de processos de
adsorção - em que contaminantes presentes na água são capturados por materiais
sólidos altamente porosos -, contribuindo para o desenvolvimento de
alternativas mais sustentáveis para o tratamento de efluentes.
No Brasil, o cenário evidencia a importância de soluções para o tratamento da água e de efluentes. Cerca de 33 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água potável, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil (2024), com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2022. Além disso, apenas 55,2% da população possui acesso à coleta de esgoto e, aproximadamente, 51,8% do volume gerado recebe tratamento, de acordo com o SNIS (2023).
A professora Dra. Andréia Morandim-Giannetti, de Engenharia Química da FEI, explica que a pesquisa se baseia no fenômeno de adsorção. “O processo se baseia principalmente no fenômeno de adsorção, em que moléculas de contaminantes presentes na água se fixam na superfície de um material sólido altamente poroso”, afirma. Segundo a pesquisadora, resíduos como borra de café, cascas vegetais e garrafas PET podem passar por processos de carbonização e ativação, resultando em materiais com elevada área superficial e grande quantidade de microporos capazes de reter poluentes dissolvidos na água.
De acordo com a professora, os materiais adsorventes avaliados nos estudos apresentam potencial para remover diferentes classes de contaminantes presentes em efluentes. Entre eles estão fármacos, corantes, compostos fenólicos, pesticidas e metais pesados, substâncias frequentemente associadas à poluição de recursos hídricos. A eficiência da remoção depende de fatores como o pH do meio, a área superficial do material adsorvente e as características químicas de sua superfície.
Além do potencial para remover poluentes da água, a abordagem também contribui para o aproveitamento de resíduos que normalmente seriam descartados. Segundo a pesquisadora, o uso de materiais agroindustriais ou plásticos no desenvolvimento de adsorventes permite transformar resíduos em soluções ambientais. “A principal vantagem está na sustentabilidade do processo, uma vez que o uso de resíduos permite valorizar materiais que normalmente seriam descartados, reduzir custos de produção e diminuir o impacto ambiental associado ao descarte desses materiais”, observa. Para ela, esse tipo de solução também contribui para o avanço de práticas alinhadas à economia circular e à produção mais sustentável.
Andréia Morandim-Giannetti destaca que o uso de
adsorventes produzidos a partir de resíduos apresenta potencial para aplicação
em sistemas de tratamento de efluentes industriais e municipais. Estudos já
demonstram a viabilidade técnica dessa abordagem em escala piloto, embora ainda
sejam necessários avanços em aspectos como padronização da produção dos
materiais, regeneração e reutilização do adsorvente e avaliação de
custo-benefício. Para a professora de Engenharia Química, o desenvolvimento de
tecnologias sustentáveis para o tratamento de efluentes é cada vez mais
relevante diante de desafios globais como a escassez de água potável, o aumento
da presença de contaminantes nos recursos hídricos e a necessidade de reduzir
impactos ambientais associados às atividades industriais.
FEI - Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de
Medeiros
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