Especialista do IBCC Oncologia explica os principais sinais da doença, fatores de risco e a importância do rastreamento no momento certo
Com 53.810 novos casos estimados por ano no
Brasil entre 2026 e 2028, o câncer colorretal já ocupa a terceira posição entre
os tipos mais frequentes no País, desconsiderando os tumores de pele não
melanoma (INCA, 2026). O avanço da doença acende um alerta por envolver fatores
de risco cada vez mais presentes na rotina da população, como sedentarismo,
obesidade, consumo de álcool, carnes processadas e baixa ingestão de fibras.
Ao mesmo tempo, especialistas chamam
atenção para um ponto decisivo: trata-se de um tipo de câncer com importante
potencial de prevenção e detecção precoce, especialmente por meio de hábitos de
vida saudáveis, atenção aos sinais de alerta e acompanhamento adequado de
pessoas com mais risco.
Para explicar por que esse tipo de câncer
tem chamado cada vez mais atenção da comunidade médica, quais sinais não devem
ser ignorados e como a prevenção pode fazer diferença, o Dr. Abner Jácome
Barrozo, do IBCC Oncologia, responde às principais dúvidas sobre o tema.
1.
O câncer colorretal está entre os mais comuns no mundo. Por que essa doença tem
despertado tanta atenção da comunidade médica?
Porque, além de já ser um dos tumores mais
frequentes, o câncer colorretal tem chamado atenção pelo aumento de casos em
adultos mais jovens observado em diferentes países. Esse cenário preocupa
porque se trata de uma doença que, em muitos casos, pode ser prevenida ou
identificada precocemente, por meio do rastreamento. Ao mesmo tempo, fatores
ligados ao estilo de vida moderno, como sedentarismo, obesidade e alimentação
inadequada têm ganhado relevância nessa discussão.
2.
O fato de o câncer colorretal estar chamando atenção também em pessoas mais
jovens muda a forma como a população deve olhar para a prevenção?
Sem dúvida. Ainda existe a percepção
equivocada de que o câncer colorretal é uma doença restrita a pessoas mais
velhas, e isso pode levar muita gente a subestimar os próprios fatores de risco
e adiar cuidados importantes. Esse novo olhar reforça que a prevenção deve
fazer parte da rotina de saúde antes mesmo do envelhecimento, com atenção aos
hábitos de vida, ao histórico familiar e à orientação médica sobre o momento
certo de iniciar o rastreamento.
3.
Quais são os principais sinais de alerta para o câncer colorretal?
Os sinais mais indicativos e que merecem
atenção incluem sangue ou muco nas fezes, diarreia ou prisão de ventre
persistentes, fezes mais finas que o habitual, sensação de evacuação incompleta,
dor abdominal recorrente, perda de peso sem causa aparente e anemia. Nem sempre
esses sinais indicam câncer, mas eles precisam ser avaliados por um médico,
para que a causa seja identificada o quanto antes.
4.
Por que o diagnóstico precoce faz tanta diferença nesse tipo de câncer?
Porque ele aumenta significativamente as
chances de cura e permite tratamentos menos agressivos. Em muitos casos, quando
a doença é descoberta em fase inicial, o tratamento pode ser mais simples e com
melhores resultados. Além disso, o câncer colorretal geralmente se desenvolve a
partir de pólipos, que podem ser identificados e retirados antes mesmo de se
transformarem em câncer.
5.
A colonoscopia é vista por muitos pacientes como um exame apenas diagnóstico.
Na prática, ela também pode prevenir a doença?
Sim. A colonoscopia não serve apenas para
detectar um tumor já existente, ela também é uma ferramenta de prevenção. O
exame permite visualizar diretamente o intestino grosso, identificar pólipos e
removê-los no mesmo procedimento, evitando que essas lesões evoluam para
câncer. Esse é um dos grandes diferenciais do rastreamento adequado: ele pode
interromper a doença antes mesmo de ela surgir.
6.
Quando a colonoscopia ou o rastreamento passam a ser recomendados?
Para pessoas de risco habitual, a
recomendação é conversar com o médico sobre rastreamento a partir dos 45 anos.
Já quem tem casos da doença na família, doenças inflamatórias intestinais ou
sintomas de alerta pode precisar de avaliação antes dessa idade. O mais
importante é entender que o rastreamento não deve começar apenas quando surgem
sintomas.
7.
Esse tipo de câncer está relacionado ao estilo de vida?
Sim, há uma relação importante.
Sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação
inadequada estão entre os fatores associados ao aumento do risco. Há evidências
consistentes sobre a relação entre mais consumo de carnes processadas e câncer
colorretal, e também cresce a discussão sobre o impacto do excesso de
ultraprocessados na saúde intestinal e no risco de câncer.
8.
Quando se fala em alimentação, os ultraprocessados realmente entram como motivo
de preocupação?
Eles entram, sim, como um ponto de alerta
dentro de um contexto mais amplo de estilo de vida. Os estudos vêm mostrando
associação entre padrões alimentares ricos em ultraprocessados e maior risco de
diferentes doenças crônicas, inclusive alguns tipos de câncer. No caso do
câncer colorretal, a mensagem mais segura continua sendo priorizar alimentos in
natura ou minimamente processados, com mais fibras, frutas, verduras, legumes e
grãos integrais, além de reduzir carnes processadas e ultraprocessados.
9.
Quais hábitos podem ajudar na prevenção do câncer colorretal?
Manter o peso adequado, praticar atividade
física regularmente, não fumar, evitar excesso de álcool e ter alimentação mais
equilibrada são medidas importantes. Além disso, realizar o rastreamento na
idade recomendada é essencial. A prevenção do câncer colorretal não depende de
uma única atitude, mas de um conjunto de cuidados mantidos ao longo da vida.
10.
Que estrutura o IBCC Oncologia oferece para o cuidado do paciente com câncer
colorretal?
O IBCC Oncologia oferece uma linha de cuidado ampla e integrada para pacientes com câncer colorretal. Isso inclui cirurgia oncológica, com preferência por abordagens minimamente invasivas, quando indicadas, Quimioterapia, Radioterapia, Oncologia Clínica com tratamentos personalizados, Medicina Nuclear, Radiologia Intervencionista, Cuidados Paliativos, Pronto Atendimento nOcológico e diferentes exames diagnósticos e de apoio ao tratamento. O diferencial está justamente na atuação multidisciplinar, que permite ao paciente ter acompanhamento especializado em todas as etapas do cuidado.
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