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terça-feira, 17 de março de 2026

Novos exames oferecem mais assertividade para o tratamento da endometriose

Especialista da Dasa destaca que métodos mais assertivos e acessíveis ganham espaço entre as pacientes, como é o caso do ultrassom com preparo intestinal
 

O diagnóstico precoce e preciso, realizado principalmente por meio do ultrassom transvaginal com preparo intestinal, tornou-se um dos principais aliados para o tratamento da endometriose, uma doença que afeta 1 em cada 10 mulheres no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE)¹. 

Nem sempre a doença gera sintomas. É possível que a paciente tenha a doença e não sinta nada específico. Porém, há muitos casos em que os sintomas estão presentes. A principal manifestação é a cólica menstrual forte. Além disso, pode haver dores pélvicas (mesmo fora do período menstrual) e dor durante relações sexuais. 

Dependendo da localização da endometriose, outros sintomas também podem surgir. Por exemplo: a endometriose na bexiga pode resultar em ardor ao urinar, enquanto a intestinal está associada à dificuldade para evacuar. 

“O diagnóstico é muito importante. A endometriose é uma doença progressiva, ela não estagna. Começa em um pequeno foco e, dependendo de para onde vai, tem um comportamento que se assemelha a de um tumor maligno. Apesar de ser benigna, ela se espalha e pode penetrar órgãos como o intestino e a bexiga", explica Andrea Luíza Mendes Sales, ginecologista e colposcopista do Delboni, da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil.
 

Entendendo a doença

A endometriose é uma condição em que células semelhantes ao endométrio crescem fora do útero, geralmente na região pélvica. Esse tecido inflama e sangra durante o ciclo menstrual, causando dor e possíveis cicatrizes nos órgãos afetados. Estima-se que a endometriose afete 10% (190 milhões) das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)². 

A evolução tecnológica tem sido determinante no diagnóstico e tratamento. Se antes o acesso a exames como a ressonância magnética era restrito, hoje métodos mais assertivos e acessíveis ganharam espaço, como é o caso do ultrassom com preparo intestinal. 

"Embora se falasse menos, a endometriose sempre existiu; o problema é que o diagnóstico era restrito. Hoje, somos capazes de detectar com precisão - e às vezes até melhor que a ressonância - por meio do ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Estamos fazendo um diagnóstico de forma mais fácil e assertiva", complementa Andrea Sales. 

A especialista conta que, historicamente, o diagnóstico da endometriose era retardado por crenças culturais de que a dor menstrual era inerente à condição feminina. “Frases como 'vai passar quando casar' ou 'melhora depois do primeiro filho' impediram gerações de buscar ajuda precocemente”, lembra. "Pacientes com endometriose às vezes têm a doença desde muito jovens, mas antigamente as pessoas tinham uma resistência muito grande em encaminhá-las ao médico. Ouvíamos que era apenas uma 'cólica de adolescência'. Essas crenças impediam o diagnóstico antecipado", afirma a médica. 

Atualmente, o cenário mudou graças ao maior acesso à informação. "Meu consultório está aberto há 20 anos. No início, nós é que questionávamos se não seria endometriose; a paciente não falava sobre isso. Hoje, jovens de 15 ou 20 anos já chegam perguntando se a cólica que sentem pode ser a doença. Esse é o 'pulo do gato': prevenir para não chegar ao estágio severo, que exige cirurgias complexas com múltiplos especialistas."
 

Impacto na qualidade de vida

Segundo a especialista, mesmo focos pequenos podem ser prejudiciais: "Como é uma doença inflamatória, às vezes ela não precisa ser agressiva ou estar em muitos lugares para prejudicar a fertilidade. Pequenas localizações já atrapalham o processo de gestação". 

Embora o diagnóstico precoce não elimine a necessidade de cirurgia em todos os casos, ele simplifica o procedimento e melhora a qualidade de vida. "No caso de a endometriose ser profunda, mesmo inicial, os médicos podem optar por operar justamente para evitar um processo mais complicado no futuro. O diagnóstico precoce traz menos complicações, gera doenças mais leves e fáceis de tratar, impedindo a progressão para estágios graves que afetariam o ureter, a bexiga e o intestino", finaliza a coordenadora.

 

Referências

1. Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva.

2. Organização Mundial da Saúde (OMS).


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