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O recente surto do vírus Nipah na Índia acendeu um alerta mundial.
Apesar da alta letalidade, não é considerado um risco iminente de pandemia,
pois é um vírus zoonótico com transmissão limitada entre humanos. Ainda assim,
é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como prioritário, já que
não há vacina ou tratamento específico e pode evoluir rapidamente para formas
graves, especialmente em crianças.
Por isso, o Hospital Pequeno Príncipe, que é o maior e mais
completo hospital pediátrico do país, esclarece as principais dúvidas sobre a
doença. “As crianças, idosos, gestantes e imunodeprimidos fazem parte do grupo
com maior risco de desenvolver formas graves da doença, que se manifestam nos
pulmões, causando insuficiência respiratória, e no sistema nervoso central,
gerando encefalites [inflamação no cérebro]”, alerta o infectologista
pediátrico Victor Horácio, do Pequeno Príncipe. Segundo ele, de 40% a 70% dos
pacientes que desenvolvem quadros de insuficiência respiratória e encefalite
podem ir a óbito.
O que é e como ocorre a transmissão?
Segundo a OMS, o vírus Nipah foi descoberto em 1999, em um surto
entre criadores de porcos na Malásia. Ele pertence à família Paramyxoviridae e
é zoonótico, ou seja, é transmitido pelos animais, principalmente morcegos e
porcos. Para isso, é necessário o contato direto com animais ou com alimentos
contaminados com saliva, sangue, urina ou fezes.
“O número de casos de contaminação de uma pessoa para outra é
muito pequeno. Os casos relatados até hoje são de profissionais da área da
saúde que estão dando atendimento às pessoas infectadas”, tranquiliza o médico.
De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus Nipah não apresenta risco para o
Brasil e tem potencial baixo para uma nova pandemia.
Quais são os sintomas do vírus Nipah em crianças?
Após a contaminação, varia entre 4 e 14 dias para iniciarem os
sintomas iniciais, que são semelhantes aos de outras viroses comuns, como:
- febre;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- mal-estar geral.
“O sinal de alerta ocorre quando, após alguns dias, há alteração
do nível de consciência, como tontura, confusão mental e convulsões. Esses
sintomas estão relacionados com uma das complicações maiores desse vírus que
são as encefalites”, explica o infectologista pediátrico.
O vírus Nipah tem cura?
Atualmente, não existe tratamento específico contra o vírus Nipah.
O cuidado é baseado em tratamento sintomático e de suporte respiratório em
casos de insuficiência pulmonar. Apesar da gravidade, a infecção não é fatal em
100% dos casos. O diagnóstico precoce e o manejo adequado das complicações são
fundamentais para salvar vidas.
“Em casos graves, especialmente quando há comprometimento pulmonar
ou neurológico, a criança pode apresentar sequelas e necessitar de
acompanhamento médico a longo prazo, de acordo com a gravidade do quadro
apresentado na fase aguda”, complementa o especialista.
Como prevenir a infecção do vírus Nipah em crianças?
A prevenção é a principal forma de proteção, especialmente para
crianças. As medidas essenciais incluem:
- lavar as mãos com água e sabão e usar álcool em gel;
- evitar o contato com pessoas infectadas;
- higienizar bem frutas e alimentos;
- não consumir carne de porco malcozida;
- evitar contato com morcegos e porcos.
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