Testes da Meta trocam seguidores por
amigos e priorizam conteúdo original. Veja como o investimento de US$ 70
bilhões em IA está mudando o que aparece no feed de seus clientes
divulgação
Sente que o Instagram já não funciona
como antes? Como de costume, o ano começou com uma série de atualizações no
algoritmo da rede social. Algumas mudam drasticamente a forma como o conteúdo é
distribuído e as possibilidades de viralizar na plataforma.
Entre as principais novidades,
destacam-se a priorização de conteúdos originais e a penalização de posts
puramente sintéticos criados por IA. A proposta é valorizar vídeos que mantêm o
espectador atento até o último segundo a partir de conexões reais.
O algoritmo também passou a priorizar o
tempo de tela (watch time) e a profundidade das conversas via Direct, deixando
métricas de vaidade, como as curtidas, em segundo plano. Mais do que nunca, a
plataforma se comporta como um motor de busca inteligente, em que o SEO
semântico e o conteúdo humano superam as produções genéricas, exigindo que
marcas e criadores recalculem suas rotas para manter a relevância em um feed
cada vez mais personalizado pelo próprio usuário.
O cenário anterior indicava que
curtidas geravam crescimento, hashtags resultavam em buscas, um feed organizado
e bonito ajudava no engajamento, as legendas e subtítulos não importavam, os
Reels funcionavam como principal ferramenta de atração de novos seguidores e as
collabs não faziam tanta diferença.
Agora, os compartilhamentos e
salvamentos são decisivos, as palavras-chave com foco em SEO ajudam os motores
de busca, o conteúdo de valor está acima da estética, as legendas com
subtítulos e palavras-chave importam, os reels e posts entregam bem, e duas a
quatro colaborações por mês potencializam o alcance.
Na última semana, além de algumas
novidades de usabilidade, a Meta divulgou também seus números do último
trimestre:
- 3,59 bilhões de usuários diários nas
plataformas (Instagram, WhatsApp, Threads e Facebook);
- 40 milhões de novos usuários;
- US$ 200 bilhões em lucro anual;
- US$ 59,8 bilhões de lucro no
trimestre;
- US$ 800 milhões de faturamento só com
o Meta Verified.
Saem os seguidores, entram os amigos
De forma sutil, porém poderosa, a Meta
está testando substituir o "seguindo" por "amigos" no
Instagram. Por amigos, entende-se pessoas que seguem um perfil, que também as
seguem de volta. Ou seja, conexões mútuas que transformam o Instagram em uma
plataforma de relações reais, não apenas de visibilidade.
Com essa alteração, a Meta pretende
destacar conexões reais, e não apenas números - o que por si só acaba por gerar
um sentimento de menos comparação e mais comunidade.
Essa mudança revela com quem cada
perfil se conecta de verdade e o foco sai da quantidade e vai para qualidade.
Isso reforça um movimento que já começou: criadores com comunidades fortes têm
mais alcance, mesmo com menos seguidores. Em vez de "stalkear"
perfis, agora o algoritmo vai recomendar por relevância, e não por associação.
Assim, quem entende isso começa a criar conteúdos que geram comunidade, e não
só curtidas.
Postagem do jeito certo
Em 2025, a Meta investiu US$ 70 bilhões
em IA e estrutura de dados e, nesse contexto, cada formato no Instagram tem um
papel estratégico no crescimento de cada perfil. Os Reels são para entreter,
educar e atrair novos seguidores. Os Stories são para construir uma comunidade
e fazer vendas. Os Carrosséis são para nutrir e educar a sua audiência. As Lives
são para construir autoridade e vender. E os posts no feed são para citações,
listas e conteúdo para salvar e compartilhar.
Mesclar tráfegos
A integração estratégica entre tráfego
orgânico e pago cria um ecossistema de marketing equilibrado, unindo a sustentabilidade
do SEO à velocidade dos anúncios. Enquanto o conteúdo orgânico constrói
autoridade a longo prazo e educa leads qualificados, as campanhas pagas
oferecem o impulso necessário para alcançar grandes audiências de forma
imediata, garantindo picos de conversão essenciais para lançamentos e
promoções.
Essa dualidade permite que a marca
mantenha sua relevância de forma constante, assegurando que o fluxo de
visitantes não cesse mesmo após o término de um investimento financeiro direto.
Para implementar essa abordagem com eficiência, o foco deve estar na otimização
técnica e na precisão da segmentação.
É fundamental investir em SEO e na
produção de conteúdo relevante para atrair o público certo naturalmente, ao
mesmo tempo em que se configuram anúncios direcionados para maximizar o retorno
sobre o investimento (ROI). O sucesso dessa estratégia híbrida depende do
acompanhamento rigoroso de métricas e indicadores de desempenho, permitindo
ajustes ágeis que refinam tanto a autoridade da marca quanto a escalabilidade
das vendas.
Estratégia de Manychat
Parceira oficial da Meta, a Manychat
funciona como uma opção para transformar cada conversa ou direct message em uma
conexão real com a audiência. É essa ferramenta que comanda as famosas ações
sugeridas pelos perfis ao convidar seus seguidores a comentarem uma palavra
específica em um post (como "QUERO" ou "GUIA").
A partir dessas respostas, o ManyChat
inicia instantaneamente uma conversa no Direct. Isso não só agrada o algoritmo
do Instagram devido ao alto volume de interações, mas também garante que o
seguidor receba a informação desejada no momento de maior interesse, sem
distrações.
Para converter esse engajamento em
vendas reais, o ManyChat permite criar fluxos de qualificação e checkout
direto. Em vez de simplesmente enviar um link e torcer pela compra, é possível
configurar um chatbot para fazer perguntas estratégicas, identificar a dor do
cliente e oferecer o produto mais adequado.
Além disso, a ferramenta possibilita o
envio de lembretes automáticos para quem abandonou o carrinho ou demonstrou
interesse, mantendo a marca presente na mente do consumidor. Essa abordagem
personalizada e imediata reduz drasticamente o ciclo de venda e escala o
faturamento sem a necessidade de aumentar a sua equipe de suporte.
Destaques do Instagram
Os destaques são considerados a vitrine
do seu negócio digital. É por eles que o usuário decide se continua seguindo ou
não um perfil.
Depoimentos, resultados, elogios,
mensagens e fotos reais mostram o que um negócio entrega na prática. Prova
social ainda é uma das armas mais poderosas no digital. Para outro destaque é
recomendado explorar produtos e serviços, pois os seguidores precisam entender
claramente o que o perfil vende e como podem comprar. Deixar um link com
valores ou link direto para se comunicar com a loja é uma boa opção.
Outro destaque pode ser usado para
compartilhar dicas rápidas, prints de bastidores, conteúdo leve e de valor - é
nesse conteúdo educativo que o perfil se torna "stalkeável". É
importante ainda antecipar objeções e responder o que as pessoas costumam
perguntar antes de comprar. Nessa etapa, é possível destravar o sim de uma
compra. É recomendado listar as dez dúvidas mais frequentes da audiência e
respondê-las nesse destaque.
Aparecer todos os dias
Recorrência não funciona apenas para
posts e stories, mas também para presença da figura de quem comanda um negócio.
A pesquisa "O impacto das redes sociais no posicionamento de CEOs",
realizada pela HSM e pela Community Creators Academy, do Ecossistema Ânima,
revela uma mudança importante na forma como CEOs encaram as redes sociais.
O material mapeou como as altas
lideranças utilizam ou deixam de utilizar as plataformas digitais como
ferramenta de comunicação institucional e reputacional no Brasil e seu
resultado indica que a presença digital deixou de ser opcional.
De acordo com o levantamento, 70% dos
CEOs utilizam as redes sociais para impulsionar os negócios, enquanto 60% focam
no fortalecimento da marca pessoal. O LinkedIn consolida sua hegemonia, sendo a
plataforma preferida de 93% dos executivos, seguido pelo Instagram (61%). O principal
motor dessa exposição é a reputação corporativa, prioridade para seis em cada
dez gestores, que veem no digital uma ferramenta vital para geração de negócios
e networking.
A projeção para o futuro é clara: 52%
dos entrevistados acreditam que, em cinco anos, a presença online será um
requisito indispensável para o exercício da liderança. Apesar da relevância
estratégica, a execução dessa presença digital ainda esbarra em obstáculos
operacionais e falta de suporte profissional.
A escassez de tempo é o principal
entrave para 54% dos líderes, somada à falta de preparo técnico para um quarto
dos executivos. O cenário é marcado por um paradoxo de autoconfiança e
informalidade: embora mais da metade se sinta segura para atuar nas redes, 73%
nunca receberam treinamento ou coaching especializado. Além disso, 60% das
organizações ainda não estabeleceram políticas formais sobre o uso dessas
plataformas, deixando a gestão da imagem institucional em uma zona cinzenta de
diretrizes.
Essa falta de estrutura reflete
diretamente na rotina de produção, pois 57% dos CEOs operam de forma solitária,
sendo responsáveis por todas as etapas da publicação, desde a criação até a
postagem. Mesmo com a sobrecarga de funções, o comprometimento é alto, com sete
em cada dez executivos mantendo uma presença regular nos canais digitais.
Em um ecossistema saturado de conteúdos
genéricos e inteligência artificial, a figura humana do líder atua como a
âncora de confiança da marca. Quando um CEO aparece, ele dá um rosto e uma voz
à organização. Isso reduz a distância entre a marca e o consumidor final. Se o
cliente confia em quem comanda, a confiança no produto ou serviço é uma
consequência natural.
Para além disso, vale lembrar que o Instagram é uma vitrine de autoridade - quando o CEO utiliza a plataforma para comentar tendências do setor, compartilhar aprendizados ou antecipar movimentos de mercado, ele posiciona a empresa como referência intelectual. Isso atrai não apenas clientes, mas também investidores e parceiros estratégicos que buscam segurança em uma liderança bem preparada e atualizada.
Mariana Missiaggia
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/o-que-nao-funciona-mais-no-algoritmo-do-instagram-e-o-que-passa-a-funcionar
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