Especialista detalha sintomas, riscos e dicas para
minimizar o mal-estar e promover um consumo consciente
O dia 28 de fevereiro marca o "Dia da Ressaca", data que serve de alerta importante para se discutir os impactos do consumo excessivo de álcool. Sua proximidade com períodos de festas e celebrações, como o recente carnaval, realça a importância de compreender esse conjunto de sintomas desagradáveis que podem persistir por horas. Para entender melhor o que causa esse mal-estar e como preveni-lo, conversamos com o Dr. Julio Cesar, endocrinologista da Unifran.
A ressaca, um
conjunto complexo de sintomas físicos e neurológicos, é o resultado da ingestão
excessiva de álcool. "O etanol, principal componente das bebidas
alcoólicas, é metabolizado no fígado em acetaldeído, uma substância tóxica para
o organismo. Essa toxicidade afeta diversas partes do corpo, incluindo cérebro
e fígado, levando aos conhecidos sintomas de dor de cabeça, náuseas, mal-estar
geral, desorientação e fadiga", explica o endocrinologista.
Fatores que agravam e os riscos envolvidos: O médico destaca que nem todo álcool é igual. Bebidas com mais impurezas e metabólitos, como gin, vodka e uísque, tendem a agravar os sintomas. Além disso, a ressaca é influenciada pela quantidade e tipo de bebida, predisposição individual e até o sexo, já que mulheres tendem a ter uma distribuição maior dessas impurezas devido a um menor volume de líquido corporal.
Um dos principais vilões da ressaca é a desidratação. O álcool inibe a produção do hormônio antidiurético (ADH), fazendo com que a pessoa urine mais e perca líquidos essenciais. Do ponto de vista hepático e endócrino, o álcool pode bloquear a produção de glicose pelo fígado (glicogenólise), levando a um risco de hipoglicemia, especialmente em pacientes com diabetes ou que utilizam insulina.
Os sintomas
neurológicos incluem desorientação, cefaleia, mal-estar geral, náuseas,
vermelhidão e até efeitos neuroquímicos que causam lentificação do pensamento,
ansiedade, irritabilidade e tremores. Geralmente, esses sintomas começam entre
6 e 8 horas após o consumo.
Como diminuir
e evitar a ressaca: O especialista
oferece dicas essenciais para mitigar ou evitar a ressaca:
- Nunca
beba em jejum: alimentos, especialmente carboidratos, ajudam
a retardar a absorção do álcool.
- Hidratação
constante: intercale a ingestão de bebidas alcoólicas
com água. A hidratação é fundamental para combater a diurese causada pelo
álcool.
- Coma
bem: consumir alimentos ricos em carboidratos e
nutrientes antes e durante a ingestão de álcool.
- Descanse: o
sono adequado e o descanso são cruciais para a recuperação do corpo.
Em casos mais graves,
a ressaca pode evoluir para complicações sérias como gastrites, pancreatite e
intoxicação alcoólica grave, que podem requerer atendimento médico de urgência.
"O álcool é metabolizado em acetaldeído, uma substância tóxica que afeta
diversas partes do corpo. Compreender esse processo e os limites individuais é
crucial para um consumo consciente e para evitar o mal-estar. A chave está na
moderação e no cuidado com a hidratação e alimentação", afirma Julio
Cesar. Ele reforça que, em pequenas quantidades, o álcool pode fazer parte do
convívio social, mas o consumo excessivo é o que deve ser evitado.
www.unifran.edu.br
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