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O Carnaval é uma
das festas mais marcantes da cultura brasileira. Música, cores, fantasias e
encontros fazem parte dessa época do ano, mas nem todas as famílias vivem esse
momento da mesma forma. Para quem tem crianças com Transtorno do Espectro
Autista (TEA), o período pode exigir planejamento extra para garantir conforto,
segurança e bem-estar.
A pesquisa “Ainda
somos o país do Carnaval?”, realizada pela MindMiners, mostra que 43% dos
brasileiros acompanham a festa de alguma forma, enquanto 57% preferem não
participar diretamente. Entre quem acompanha, muitos assistem pela TV ou
internet, enquanto outros escolhem blocos e festas presenciais. Para famílias
de crianças neurodivergentes, não existe uma forma certa de viver o Carnaval. O
mais importante é respeitar o ritmo e as necessidades da criança.
Por que o Carnaval pode ser desafiador para crianças neurodivergentes?
Segundo a
terapeuta ocupacional Mariana Asseituno, da Genial Care, muitas crianças
autistas, por exemplo, apresentam hipersensibilidade sensorial. “Isso acontece
porque algumas crianças autistas apresentam hipersensibilidade sensorial, uma
característica do Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), que afeta a
maneira como o sistema nervoso recebe e interpreta estímulos auditivos, táteis,
visuais e vestibulares”, explica.
Na prática, isso
significa que sons altos, multidões, luzes fortes, fantasias ou mudanças na
rotina podem gerar sobrecarga sensorial e desconforto.Além disso, o Carnaval
costuma alterar horários e rotinas familiares, o que também pode gerar
ansiedade.
Carnaval acessível: mais famílias buscando formas adaptadas de
participar
Nos últimos anos,
cresce o debate sobre acessibilidade em eventos culturais. Em algumas cidades,
já existem iniciativas para tornar festas e eventos mais inclusivos, com
ambientes mais tranquilos ou espaços de descanso.
Além disso, blocos
infantis e eventos familiares costumam ser alternativas mais previsíveis e
menos lotadas, o que pode ajudar crianças com maior sensibilidade sensorial.
Para muitas famílias, adaptar o tipo de programação, o horário ou até o tempo
de permanência já faz toda a diferença.
Dá para aproveitar o Carnaval em casa? Sim e pode ser muito especial
Nem toda criança
vai se sentir confortável em blocos ou festas grandes. E tudo bem. Criar um
Carnaval em casa pode ser uma experiência divertida e segura. “Um baile de
Carnaval pode acontecer na sala ou no quintal, com luzes suaves, músicas
escolhidas com cuidado e brincadeiras que respeitem o interesse da criança”,
sugere Mariana.
Algumas ideias:
· montar um mini baile em casa
· escolher músicas que a criança gosta
· usar fantasias confortáveis
· reduzir estímulos como sons altos ou luzes fortes
· convidar pessoas próximas e conhecidas
Carnaval na rua: 8 cuidados para uma experiência mais tranquila
Se a família
decidir participar de blocos ou eventos, alguns cuidados podem ajudar:
1. Escolha eventos que combinem com a criança
Blocos infantis ou eventos familiares costumam ser menos lotados.
2. Pense na proteção contra o barulho
Abafadores podem ajudar, principalmente se a criança já estiver acostumada.
3. Priorize fantasias confortáveis
Tecidos macios e roupas já conhecidas costumam funcionar melhor.
4. Evite acessórios que possam incomodar
Máscaras, tiaras ou chapéus podem gerar desconforto.
5. Explique antes o que vai acontecer
Roteiros visuais e histórias sociais ajudam na previsibilidade.
6. Observe acesso a banheiros e estrutura básica
Isso evita estresse desnecessário.
7. Fique atento a sinais de cansaço ou sobrecarga
Pausas fazem parte da experiência.
8. Facilite a comunicação
Se a criança usa CAA, leve os recursos necessários.
"O mais
importante: cada criança tem seu próprio jeito de viver o Carnaval. O objetivo
não é fazer a criança se adaptar à festa, mas adaptar a experiência para que
ela seja confortável e segura. Com planejamento, respeito às necessidades
sensoriais e pequenas adaptações, muitas famílias conseguem construir memórias
positivas nessa época do ano, seja em casa, seja em eventos externos. Porque,
no fim, o melhor Carnaval é aquele em que a criança pode participar do seu
jeito, no seu tempo e com segurança emocional.", finaliza a especialista.

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