“A participação no Carnaval reflete a transformação no perfil da
população e pode trazer impactos positivos importantes, como estímulo ao
convívio social, melhora do humor e redução do isolamento. Ao mesmo tempo,
ambientes com calor intenso, multidões e esforço físico fora da rotina exigem
atenção a cuidados específicos de saúde”, afirma Eduardo
Canteiro Cruz, geriatra e diretor administrativo da Sociedade Brasileira
de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Durante o Carnaval, altas temperaturas, longos períodos em pé,
exposição ao sol e o uso contínuo de medicamentos exigem maior percepção dos
limites do corpo, especialmente quando existem doenças crônicas associadas.
Hidratação adequada, pausas para descanso e escolhas compatíveis com o próprio
ritmo são cuidados recomendados.
Mais do que tratar essa participação como exceção, o debate
proposto é sobre como garantir que pessoas idosas continuem ocupando os espaços
públicos com autonomia, prazer e segurança. O Carnaval, nesse sentido,
evidencia transformações sociais importantes e reforça a necessidade de
integrar saúde, lazer e convivência na agenda do envelhecimento.
Álcool, outras substâncias e envelhecimento
O consumo de bebidas alcoólicas e o uso de outras substâncias
fazem parte do contexto do Carnaval e merecem atenção especial nessa faixa
etária. O álcool pode potencializar efeitos colaterais de medicamentos de uso
contínuo e aumentar o risco de quedas, desidratação, alterações de pressão
arterial e confusão mental.
Além disso, a menor tolerância do organismo, associada ao calor
intenso e a longos períodos sem alimentação adequada, podem levar a quadros de
mal-estar que exigem atendimento médico. A orientação não é a proibição, mas a
consciência sobre limites, interações medicamentosas e sinais de alerta,
reforçando escolhas mais seguras durante os dias de festa.
Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG
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