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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Dia Mundial do Coração reforça importância da prevenção para reduzir principal causa de morte no Brasil

Dia Mundial do Coração reforça importância da prevenção
para reduzir principal causa de morte no Brasil.
Freepik
Controle dos fatores de risco, diagnóstico precoce e acompanhamento médico estão entre as principais estratégias para preservar a saúde do coração 

 

Mais brasileiros morrem por doenças cardiovasculares do que por qualquer outra causa1. Por isso, o Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, chama atenção para um desafio permanente de saúde pública2, que, além de causar milhares de mortes todos os anos, também representa uma das principais causas de internação na população adulta3. 

Embora o envelhecimento seja um fator de risco relevante, estudos destacam que grande parte das doenças cardiovasculares está relacionada a fatores modificáveis, como hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, obesidade, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada4. O controle desses fatores, aliado ao acompanhamento médico regular, pode reduzir o risco cardiovascular ao longo da vida1,4. 

"As doenças cardiovasculares costumam se desenvolver ao longo de muitos anos, frequentemente sem provocar sintomas nas fases iniciais. Por isso, a prevenção começa muito antes do aparecimento de um infarto do miocárdio ou de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Identificar e controlar fatores de risco é uma das medidas mais eficazes para preservar a saúde do coração", explica o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs.

Segundo estimativas do estudo Global Burden of Disease, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no Brasil, respondendo por parcela expressiva dos óbitos registrados anualmente¹. A hipertensão arterial, por exemplo, afeta milhões de brasileiros e constitui um dos fatores de risco mais importantes para infarto do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal crônica5. 

Outro desafio é que condições como pressão alta5, colesterol elevado6 e diabetes7 podem evoluir de forma silenciosa durante anos5-7. Em alguns casos, a doença pode ser identificada apenas após o surgimento de uma complicação cardiovascular, o que reforça a importância das consultas médicas periódicas e de exames preventivos, especialmente em pessoas com fatores de risco ou histórico familiar4. 

"A ausência de sintomas não significa ausência de doença. Hipertensão arterial e colesterol elevado, por exemplo, podem permanecer sem manifestações clínicas por anos. Quando identificados precocemente, esses fatores podem ser tratados antes que provoquem danos permanentes ao coração e aos vasos sanguíneos", afirma o cardiologista. 

Além do acompanhamento médico, as diretrizes nacionais e internacionais recomendam a adoção de hábitos saudáveis como estratégia para reduzir o risco cardiovascular4,8. Entre as medidas com maior respaldo científico, estão prática regular de atividade física, alimentação saudável, não fumar, controle do peso corporal e sono adequado9. 

O cardiologista Jairo Borges ressalta que a prevenção não depende de uma única medida, mas da combinação de diferentes estratégias ao longo da vida. Pessoas que já apresentam doença cardiovascular podem reduzir o risco de novas complicações por meio da adesão ao tratamento e da modificação dos fatores de risco4. 

"Cuidar da saúde cardiovascular não significa apenas prevenir infarto do miocárdio ou AVC, mas sim preservar a capacidade funcional, manter autonomia, reduzir hospitalizações e favorecer um envelhecimento saudável. Pequenas mudanças na rotina costumam produzir benefícios significativos para o coração", conclui.

 

Referências Bibliográficas 

1. Brant LCC, Nascimento BR, Veloso GA, et al. Burden of Cardiovascular diseases attributable to risk factors in Brazil: data from the "Global Burden of Disease 2019" study. Rev Soc Bras Med Trop. 2022;55(Suppl 1):e0263.

2. Organização Pan-Americana da Saúde. Heart Disease remains leading cause of death in the Americas [Internet]. Washington, DC: OPAS; 2021. [Acesso em 25 ago. 2026]. Disponível em: Link  

3. de Araújo Fonseca LG, Lima INDF, Gualdi LP. Characterization of Brazilian hospital admissions due to cardiovascular diseases: a longitudinal study. BMC Cardiovasc Disord. 2020;20:311. 

4. Précoma DB, Oliveira GMM, Simão AF, et al. Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;113(4):787-891. 

5. Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516-658. 

6. Centers for Disease Control and Prevention. High cholesterol facts [Internet]. Atlanta: CDC; 2024 Oct 24 [Acesso em 18 ago. 2026]. Disponível em: Link  

7. Centers for Disease Control and Prevention. Type 2 Diabetes [Internet]. Atlanta: CDC; 2024. [Acesso em 17 ago. 2026]. Disponível em: Link  

8. Arnett DK, Blumenthal RS, Albert MA, et al. 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2019 Sep 10;140(11):e596-e646. 

9. Lloyd-Jones DM, Allen NB, Anderson CAM, et al.; American Heart Association. Life's Essential 8: Updating and Enhancing the American Heart Association's Construct of Cardiovascular Health: A Presidential Advisory From the American Heart Association. Circulation. 2022 Aug 2;146(5):e18-e43.


Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado. 

 


“Tempo é músculo”: demora no atendimento ao infarto reduz as chances de preservar o coração

Cardiologista explica como a obstrução de uma artéria provoca danos progressivos e alerta para sintomas que exigem atendimento imediato


As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que elas tenham provocado 19,8 milhões de óbitos em 2022, aproximadamente 32% de todas as mortes registradas globalmente. Desse total, 85% foram causados por infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Brasil, o Ministério da Saúde estima a ocorrência de 300 mil a 400 mil casos de infarto por ano, com um óbito a cada cinco a sete episódios.

No Distrito Federal, um informativo epidemiológico publicado pela Secretaria de Saúde em 2025 aponta que o infarto agudo do miocárdio e o AVC estão entre as principais causas isoladas de morte. O documento também identificou aumento da taxa de mortalidade por doenças isquêmicas do coração em 2024, depois de uma pequena tendência de queda entre 2021 e 2023.

Conhecida na cardiologia, a expressão “tempo é músculo” traduz a urgência que envolve o atendimento ao infarto: quanto maior o intervalo entre o início dos sintomas, o diagnóstico e o restabelecimento do fluxo sanguíneo, maior o risco de progressão da lesão cardíaca. O alerta ganha especial relevância durante o Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização e à prevenção das doenças cardiovasculares.

“Quando uma artéria coronária é obstruída, a região do músculo cardíaco irrigada por ela passa imediatamente a receber menos oxigênio e nutrientes. Em poucos segundos, já ocorrem alterações no metabolismo e na capacidade de contração daquele território”, explica Anny Gutemberg, cardiologista do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do país.

Se a obstrução persistir, algumas células podem começar a sofrer danos irreversíveis após aproximadamente 20 a 30 minutos de isquemia intensa. A partir daí, a área de necrose, ou morte do tecido, tende a avançar progressivamente.

“Quanto mais cedo conseguimos reabrir a artéria, maior é a possibilidade de interromper a progressão da lesão e salvar o músculo cardíaco que ainda está viável. Por isso, meia hora a mais não deve ser encarada como ‘apenas meia hora’. No infarto, todo o sistema precisa trabalhar para reduzir o tempo total de isquemia”, afirma a médica.



Não existe uma quantidade fixa de músculo perdida por minuto

Embora a expressão “tempo é músculo” reforce a urgência do atendimento, a cardiologista ressalta que não é correto estabelecer uma quantidade exata de tecido cardíaco perdida a cada minuto. Dois pacientes com o mesmo tempo de sintomas podem apresentar extensões de infarto muito diferentes.

O dano depende de fatores como a artéria atingida, o tamanho da região irrigada por ela, se a obstrução é completa ou parcial, a existência de circulação colateral — caminhos alternativos pelos quais o sangue consegue chegar ao coração — e até eventuais episódios de abertura espontânea da artéria.

“Não devemos afirmar que determinado número de minutos corresponde a uma quantidade específica de músculo perdido. O conceito mais importante é que a lesão é progressiva e que cada atraso reduz a oportunidade de salvar o miocárdio”, esclarece Anny.

Quanto maior a área afetada pelo infarto, maior pode ser o risco de complicações como insuficiência cardíaca, arritmias graves, choque cardiogênico e morte.



Dor no peito não é o único sinal de alerta

O sintoma mais conhecido do infarto é a dor ou o desconforto no peito, geralmente descrito como aperto, pressão, peso ou queimação, principalmente quando persistente ou recorrente. A dor também pode irradiar para braços, ombros, mandíbula, costas ou região superior do abdômen.

Falta de ar, suor frio, náuseas, tontura, palidez, sensação de desmaio e mal-estar intenso também devem ser valorizados. De acordo com a cardiologista, qualquer dor na região entre a cicatriz umbilical e o queixo precisa ser observada com atenção, especialmente quando acompanhada de outros sintomas ou quando o paciente possui fatores de risco cardiovascular.

“Nem todos os pacientes apresentam a forma clássica. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes, por exemplo, podem ter manifestações menos típicas. Diante da suspeita, o mais importante é não esperar a dor passar em casa e procurar atendimento médico o mais rápido possível”, alerta.

O Ministério da Saúde também orienta que idosos e pessoas com diabetes podem apresentar infarto sem sinais específicos. Em caso de dor no peito acompanhada de suor frio, palidez, falta de ar ou sensação de desmaio, a recomendação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 ou procurar imediatamente uma emergência cardiológica.



Protocolo integrado acelera diagnóstico e tratamento

Uma das primeiras medidas diante da suspeita de infarto é a realização do eletrocardiograma. Quando o exame e a avaliação clínica identificam um quadro que exige reperfusão imediata — o restabelecimento do fluxo de sangue —, começa uma corrida coordenada contra o tempo.

“A equipe é acionada, as medicações indicadas são administradas e a hemodinâmica é preparada para a realização do cateterismo e, quando necessário, da angioplastia. O objetivo é reabrir a artéria o mais rapidamente possível”, explica Anny Gutemberg.

Segundo a médica, protocolos organizados de atendimento à dor torácica são fundamentais porque reduzem etapas desnecessárias e integram os diferentes setores envolvidos. “Recepção, emergência, cardiologia e hemodinâmica precisam funcionar como partes de um mesmo processo. Quanto mais eficiente for essa cadeia, maior será a possibilidade de preservar o músculo cardíaco e reduzir as sequelas do infarto”, conclui.

 

5 indícios de que você sofre com bruxismo: conheça os sinais da condição relacionada ao sono e à ansiedade

 

Dores na mandíbula, desgaste dos dentes e dor de cabeça ao acordar estão entre os sinais que podem indicar o problema; especialista explica quando procurar ajuda 

 

Quatro em cada dez brasileiros convivem com o bruxismo, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O hábito de apertar ou ranger os dentes pode acontecer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada e, apesar de muitas vezes passar despercebido, pode provocar desgaste dos dentes, sensibilidade, dores musculares e sobrecarga da articulação temporomandibular (ATM).  

Como nem sempre a pessoa percebe que aperta ou range os dentes, alguns sinais podem ajudar a identificar o comportamento e indicar quando é importante buscar avaliação profissional. Segundo o Dr. Leonardo Acioli, dentista e fundador da SorriaMed, observar manifestações que aparecem principalmente ao acordar pode ajudar na identificação do problema.  

“O fato de o paciente apertar ou ranger os dentes não significa, por si só, que exista um problema a ser tratado. Na consulta, avaliamos se esse comportamento está provocando desgaste dos dentes, dor ou fadiga nos músculos da face, sobrecarga da articulação temporomandibular ou outros sintomas. É a presença e a intensidade dessas consequências que ajudam a definir a necessidade de intervenção”, explica Leonardo. 

A seguir, o especialista aponta cinco indícios que podem ajudar a identificar o problema: 
 

1. Dor ou cansaço na mandíbula ao acordar  

Sentir dor, tensão ou cansaço na região da mandíbula logo pela manhã pode ser um sinal de que os músculos responsáveis pela mastigação permaneceram contraídos durante o sono. “É comum que a pessoa acorde com a sensação de que passou a noite inteira pressionando as arcadas dentárias. Em alguns casos, ela também pode perceber dificuldade ou desconforto ao abrir a boca”, explica Leonardo. 
 

2. Mais dor de cabeça e estresse  

O apertamento dos dentes durante a noite pode manter os músculos da mastigação em atividade por longos períodos e contribuir para o surgimento de dores de cabeça, especialmente ao acordar.  

A relação entre bruxismo, estresse e ansiedade também merece atenção. O estudo “Existe associação entre estresse e bruxismo? Uma revisão sistemática e meta-análise”, publicado na revista Frontiers in Neurology, analisou seis estudos com adultos e identificou uma associação entre estresse e bruxismo. Na análise conjunta, os participantes sob estresse apresentaram 97% mais chances de manifestar o comportamento.  

“Muitas vezes, precisamos entender como está o sono, quais são os níveis de tensão da rotina e se existe algum fator psicológico associado. Em alguns casos, a pessoa passa o dia inteiro em estado de alerta e mantém a musculatura da mandíbula contraída sem perceber”, relata Leonardo. 
 

3. Desgaste ou sensibilidade nos dentes  

Dentes que parecem mais achatados, pequenas trincas, bordas quebradiças ou aumento da sensibilidade ao consumir alimentos e bebidas quentes ou gelados também podem ser sinais de atenção. O contato frequente e com força entre as arcadas pode acelerar a perda da estrutura dentária e deixar partes mais internas expostas.  

“Além do desgaste que conseguimos identificar durante a avaliação, o paciente pode perceber mudanças na própria mordida, notar que alguns dentes estão mais sensíveis ou até observar pequenas fraturas. São sinais que merecem investigação, principalmente quando aparecem sem uma causa aparente relacionada a um trauma específico ou alimentação”, explica Leonardo. 
 

4. Estalos ou desconforto na articulação da mandíbula  

A articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula, pode sofrer com a sobrecarga da musculatura. A sensação de que a região “trava” ou dificuldade para realizar movimentos amplos, como abrir completamente a boca, são sinais que merecem atenção.  

“Estalos, sensação de pressão, dor ou desconforto ao movimentar a mandíbula indicam sobrecarga. No entanto, esses sintomas não significam necessariamente que a causa seja o bruxismo. A avaliação profissional é importante para identificar a origem", conta. 
 

5. Alguém percebe que você range os dentes durante o sono  

Como o bruxismo do sono acontece enquanto a pessoa está dormindo, muitas vezes o primeiro sinal vem de quem divide o quarto ou a cama. O barulho provocado pelo ranger dos dentes pode ser percebido durante a noite e atrapalhar o sono de quem divide a rotina com o paciente.  

“Às vezes, é o parceiro ou alguém da família que percebe o barulho e chama a atenção para o problema e inicia-se a procura por algum tratamento. A atenção dos familiares é fundamental para também identificar a redução das frequências de bruxismo à noite após o atendimento odontológico”, orienta Dr.Leonardo Acioli. 
 

Quando procurar ajuda?  

Quando há consequências, o tratamento pode envolver diferentes estratégias, de acordo com cada caso. A placa oclusal, por exemplo, pode ser indicada para proteger os dentes do desgaste durante o sono. Em situações específicas, também podem ser considerados cuidados restauradores, fisioterapia orofacial e medidas relacionadas ao controle do estresse, à qualidade do sono e a outros fatores associados.  

“O tratamento precisa olhar para a pessoa como um todo. Se existe ansiedade ou estresse, por exemplo, não adianta olhar apenas para a musculatura. O mais importante é entender quais consequências o comportamento está provocando e atuar sobre esses fatores”, finaliza o dentista. 

 

Canetas emagrecedoras podem afetar a fertilidade? Especialista explica

Especialista da SBRA explica como a perda de peso pode influenciar a ovulação e alerta para os cuidados com as medicações antes da concepção e de tratamentos de reprodução assistida

 

As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço na rotina de milhões de pessoas e, com a popularização desses medicamentos, uma nova questão passou a chamar a atenção de mulheres em idade reprodutiva: como conciliar a perda de peso com o desejo de engravidar? 

Segundo o Dr. Bruno Ramalho, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a discussão sobre fertilidade não ficou em segundo plano. Ao contrário, ganhou relevância diante dos indícios de que a perda de peso promovida por esses medicamentos pode melhorar a função reprodutiva em algumas mulheres. 

No Brasil, as principais canetas emagrecedoras utilizadas para o controle do peso são liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Em mulheres com obesidade, a redução de peso pode contribuir para melhorar alterações metabólicas e hormonais associadas à dificuldade para ovular. 

“A obesidade pode estar associada a distúrbios da fertilidade por vários mecanismos, entre os quais o estado inflamatório, a resistência à insulina, o aumento da fração livre da testosterona circulante e alterações no padrão de secreção do hormônio luteinizante (LH), responsável pelo amadurecimento dos folículos”, explica Bruno. Segundo ele, essas alterações podem levar a mulher a um estado em que a ovulação não acontece regularmente. 

Com a perda de peso, esse cenário pode mudar. A melhora dos padrões metabólicos e hormonais tende a favorecer a retomada dos ciclos ovulatórios e, potencialmente, aumentar as chances de gravidez, tanto espontânea quanto por reprodução assistida. 

A ciência também começa a investigar se as incretinas podem ter efeitos sobre os órgãos e células diretamente relacionados à reprodução. “O receptor de GLP-1 está presente em células dos ovários, nos óvulos e no endométrio, o que sugere que as incretinas podem ter efeitos positivos sobre o funcionamento desses tecidos e ajudar a reduzir processos de inflamação e estresse celular que podem afetar, por exemplo, a qualidade dos óvulos”, afirma o especialista.
 

O cuidado começa antes da gravidez 

Se a perda de peso pode favorecer a fertilidade, o uso das medicações precisa ser planejado quando existe intenção de engravidar. As canetas são contraindicadas durante a gestação e devem ser interrompidas antes da concepção planejada.

A orientação é que a suspensão ocorra de um a dois meses antes de tentar engravidar. Em caso de gravidez acidental durante o uso, a medicação deve ser suspensa imediatamente e a paciente deve buscar orientação médica. 

A recomendação está relacionada principalmente à falta de evidências que comprovem a segurança dessas substâncias durante a gestação. Embora estudos sobre exposições acidentais no primeiro trimestre não tenham identificado, até o momento, aumento do risco de grandes malformações, o número de casos ainda é pequeno. Além disso, estudos em animais apontaram efeitos adversos sobre o desenvolvimento embrionário e fetal.
 

Para quem vai fazer fertilização in vitro, atenção redobrada 

O planejamento também é importante para mulheres que pretendem realizar fertilização in vitro (FIV). Nesse caso, existe uma preocupação específica com a sedação utilizada durante a coleta dos óvulos. 

As canetas emagrecedoras retardam o esvaziamento do estômago e, por isso, podem aumentar o risco de aspiração do conteúdo gástrico durante a sedação. Por essa razão, o uso deve ser interrompido com antecedência antes da aspiração dos folículos, geralmente de duas a quatro semanas, conforme avaliação da equipe médica e do medicamento utilizado. 

Para Bruno, a decisão de usar uma incretina antes de um tratamento de fertilidade deve levar em conta não apenas o peso, mas também a idade da mulher e o tempo disponível para o planejamento reprodutivo. 

“Quando há obesidade e tempo para perder peso, o ideal é trabalhar o uso de uma incretina associado a um método contraceptivo não oral, acompanhando a perda ponderal e estabelecendo, de forma interdisciplinar, um ponto ótimo de interrupção para então dar andamento ao tratamento de reprodução assistida”, orienta. 

Já para mulheres em idade reprodutiva mais avançada, o cuidado é para que a busca pela perda de peso não acabe adiando um tratamento de fertilidade. “A mulher obesa pode se beneficiar da estratégia, mas com a cautela de não se adiar muito o início do tratamento de fertilidade, diante do possível impacto da idade sobre a quantidade e a qualidade dos gametas”, conclui.
 

Associação Brasileira de Reprodução Assistida - SBRA


Engajamento ou sobrecarga? Com 45% dos profissionais afetados, Brasil supera a “média global de estresse” entre trabalhadores

 

Para Darwin Grein, especialista em desenvolvimento humano e organizacional, empresas precisam preparar equipes para lidar com feedbacks, erros, frustrações e conflitos. 

 

O estresse no trabalho é parte da sua rotina? Se a resposta for afirmativa, saiba que essa é a realidade de muitos. Segundo o relatório “State of the Global Workplace 2026”, da Gallup, cerca de 45% dos profissionais brasileiros enfrentam altos níveis de estresse no dia a dia, marca acima da média mundial, avaliada em 40%.

Por outro lado, os índices de engajamento no país surpreendem: aproximadamente 32% dos trabalhadores brasileiros estão engajados com suas funções, contra 30% na América Latina e apenas 20% no mundo. Esse contraste levanta uma questão central: alto engajamento nas empresas significa, necessariamente, mais estresse?

Segundo o CEO da Juntxs e especialista em desenvolvimento humano e organizacional, Darwin Grein, os indicadores mostram a importância de discutir não apenas como reduzir fontes de estresse, mas também como preparar profissionais e lideranças para lidar com os desafios inevitáveis das relações de trabalho.

“Existe uma diferença importante entre segurança psicológica e conforto. Uma equipe psicologicamente segura não é aquela em que ninguém é contrariado, cobrado ou confrontado. É aquela em que as pessoas sabem que podem discordar, receber um feedback negativo, admitir um erro ou trazer um problema sem serem humilhadas ou colocadas em uma situação de ameaça. O conflito faz parte de qualquer relação profissional; o que precisa ser construído é a capacidade de atravessá-lo com respeito, clareza e confiança”, explica Darwin.

Nesse contexto, saber lidar com conflitos também se torna uma competência profissional. Evitar constantemente conversas difíceis pode fazer com que problemas se acumulem, enquanto transformar toda divergência em sinal de um ambiente tóxico pode impedir discussões necessárias para o funcionamento das equipes. A responsabilidade é compartilhada: lideranças precisam saber conduzir conversas difíceis e estabelecer limites, enquanto os profissionais também precisam desenvolver capacidade para ouvir críticas, rever posições e lidar com frustrações.

Essa maturidade pode ser estimulada por estratégias de desenvolvimento que criem experiências diferentes da rotina corporativa. Team building, dinâmicas de colaboração e experiências coletivas de aprendizagem podem ajudar equipes a exercitar comunicação, escuta, negociação, tomada de decisão e resolução de problemas. Quando planejadas de forma estratégica, essas iniciativas deixam de ser apenas momentos de integração e passam a criar situações em que os profissionais podem observar como se relacionam diante de desafios, divergências e decisões coletivas.

“Uma experiência coletiva de aprendizagem pode revelar comportamentos que muitas vezes não aparecem em uma reunião convencional. Quando as pessoas precisam resolver um problema juntas, negociar, discordar ou tomar uma decisão sob pressão, elas começam a perceber como escutam, como se posicionam e como reagem quando algo não acontece como esperavam. O valor do team building está justamente em transformar essas experiências em aprendizado que possa voltar para o cotidiano e melhorar a forma como a equipe conversa, trabalha e resolve seus conflitos”, afirma o especialista.

Para que esse desenvolvimento seja efetivo, entretanto, as ações não podem ficar restritas a momentos pontuais. O aprendizado precisa aparecer também na rotina, na forma como líderes dão feedback, conduzem reuniões, reconhecem erros e tomam decisões. Fortalecer a segurança psicológica não significa retirar a cobrança ou evitar frustrações, mas criar relações em que as pessoas tenham confiança para enfrentar situações difíceis e responsabilidade para participar da construção das soluções.

“Uma empresa madura não é aquela onde todos concordam o tempo inteiro ou onde ninguém sai de uma conversa desconfortável. É aquela em que existe confiança suficiente para que as pessoas possam discordar, receber um não, reconhecer que erraram e conversar sobre aquilo que precisa mudar. Se queremos equipes mais saudáveis e preparadas, precisamos parar de tratar todo desconforto como um problema e começar a desenvolver a capacidade das pessoas de lidar com ele de maneira construtiva”, conclui.


Quase 60% dos profissionais apontam equilíbrio entre vida e trabalho como principal fator de bem-estar, revela enquete da Serasa Experian

 Sondagem realizada pela datatech mostra que boas relações com a equipe, reconhecimento profissional e autonomia também aparecem entre os fatores associados ao bem-estar no ambiente corporativo

 

Um levantamento de caráter perceptivo realizado pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostrou que 59% dos 342 participantes apontam o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho como o principal fator para o bem-estar no ambiente corporativo. Aspectos relacionados à experiência cotidiana no trabalho também apareceram como tema central da sondagem. Somadas, as respostas de quem apontou boas relações com a equipe (20%), reconhecimento profissional (16%) e autonomia no dia a dia (5%) representam quatro em cada dez participantes.  

Para Letícia Sanchez, Gerente Executiva de Recursos Humanos da Serasa Experian, o levantamento, realizado por meio de uma enquete realizada em rede social da datatech, reforça que saúde mental e bem-estar devem ser tratados como parte da estratégia de gestão de pessoas. “Quando quase seis em cada dez participantes apontam o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho como principal fator de bem-estar, vemos uma sinalização importante sobre a necessidade de olhar para a organização do trabalho, para a qualidade das relações e para a construção de ambientes mais sustentáveis. Saúde mental não deve ser tratada apenas em momentos de crise. Ela precisa estar presente nas decisões de gestão, na atuação das lideranças e na experiência cotidiana dos colaboradores”, afirma.

 

Bem-estar como parte da cultura organizacional 

Em setembro, mês marcado pela campanha do “Setembro Amarelo”, de valorização à vida, a discussão sobre bem-estar no trabalho ganha ainda mais relevância em um contexto de maior atenção das empresas aos fatores psicossociais relacionados ao ambiente ocupacional, tema também associado às discussões sobre a NR-1, norma que estabelece as diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho.  

Na Serasa Experian, o cuidado com a saúde e o bem-estar dos colaboradores faz parte de uma agenda contínua, com ações relacionadas à saúde mental. Entre as iniciativas a empresa conta com uma rede de apoio aos colaboradores como Socorristas de saúde mental, Canal de Apoio Emocional, programa de monitoramento para saúde mental, ampliando o suporte em momentos de necessidade e acesso a cuidados especializados. Além disso, a datatech oferece iniciativas como o Respire (programa de bem-estar) contempla serviço de massagem, acompanhamento nutricional, médico ginecologista, medicina da família dentre outros. As ações se somam a práticas voltadas à cultura organizacional, ao desenvolvimento e ao fortalecimento de relações de confiança, colaboração e apoio entre equipes. 

“Programas e benefícios são importantes, mas precisam estar conectados a uma cultura que estimule diálogo, confiança e corresponsabilidade. Quando líderes e equipes reconhecem que equilíbrio, relações saudáveis e reconhecimento fazem parte da experiência profissional, as empresas avançam na construção de ambientes mais humanos, produtivos e preparados para lidar com os desafios atuais do mundo do trabalho”, completa Letícia.

 

Metodologia 

A sondagem foi realizada por meio de enquete promovida pela Serasa Experian em uma rede social da companhia e contou com a participação de 342 respondentes. O levantamento tem caráter perceptivo e buscou identificar quais fatores são considerados mais relevantes para o bem-estar no ambiente de trabalho.



Experian
experianplc.com


Biomm lança Glargina Pass, assistente virtual com Inteligência Artificial para apoiar profissionais de saúde na transição para a insulina glargina no tratamento do diabetes no SUS

 

Glargina Pass, assiststente virtual criada para apoiar profissionais de saúde
 na ampliação do acesso à insulina glargina no SUS 

Ferramenta via WhatsApp esclarece dúvidas técnicas sobre a mudança da insulina NPH para a glargina e amplia o acesso à informação para profissionais da rede pública 


Para apoiar médicos e profissionais da Atenção Primária à Saúde no processo de transição gradual da oferta de insulina NPH para a insulina glargina no Sistema Único de Saúde (SUS), a biofarmacêutica brasileira Biomm lança a Glargina Pass, uma assistente virtual via WhatsApp. Desenvolvida a partir de Inteligência Artificial, a ferramenta oferece aos profissionais de saúde respostas rápidas, precisas e fundamentadas sobre protocolos de conversão para a insulina glargina, medicamento utilizado no tratamento do diabetes tipo 1 e tipo 2. 

A iniciativa de transição do tratamento do diabetes conduzida pelo Ministério da Saúde beneficia, na fase atual, crianças e adolescentes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. A chegada da insulina glargina à rede pública também traz o desafio de preparar os profissionais de saúde para sua utilização adequada e segura. Embora essa tecnologia esteja disponível há mais de duas décadas, sua incorporação à prática assistencial requer capacitação e conhecimentos específicos. 

“Enxergamos a tecnologia e a Inteligência Artificial como grandes aliadas na educação dos profissionais de saúde, nesse caso apoiando a transição da insulina humana para a glargina. Esse é um exemplo concreto de como podemos colocar a inovação e a IA a serviço da saúde e da população, de forma acessível e no nível que o Brasil precisa”, explica Guilherme Maradei, presidente da Biomm. 

Conhecida também como Gina, a assistente virtual da Glargina pode ser acessada pelo WhatsApp, através do número +55 31 7245-5447. O canal é destinado exclusivamente a profissionais de saúde. Pacientes devem procurar atendimento na Unidade de Atenção Básica de Saúde de referência.
 

Tecnologia e IA a serviço da educação dos profissionais de saúde

A Glargina Pass foi desenvolvida para atender exclusivamente aos médicos, profissionais de saúde e equipes multidisciplinares das Unidades de Atenção Básica de Saúde. A ferramenta integra uma frente mais ampla de capacitação da Biomm, que promove treinamentos sobre a transição da insulina NPH para a glargina em parceria com secretarias municipais e estaduais de Saúde e COSEMs locais. 

Desde a nacionalização da insulina glargina, a Biomm já facilitou aproximadamente 60 treinamentos para capacitação de profissionais de saúde sobre a transição da insulina NPH para a glargina. As iniciativas são realizadas em parceria com secretarias municipais e estaduais de Saúde e COSEMs locais, com o Ministério da Saúde informado sobre as atividades. A meta da companhia é capacitar cerca de 8 mil profissionais de saúde ainda este ano e, no longo prazo, alcançar aproximadamente 300 mil profissionais do sistema público, entre médicos, farmacêuticos e enfermeiros. 

“Uma parte importante da nossa missão é também apoiar para a capacitação dos profissionais de saúde em todo o Brasil, especialmente aqueles que atuam na atenção básica e que, muitas vezes, têm menos acesso à informação e à treinamentos especializados no manejo do diabetes”, complementa Maradei. 

Como parte desse movimento de capacitação em âmbito nacional, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) também realizou uma rodada de aproximadamente 130 treinamentos em todo o Brasil, voltada à preparação de profissionais para a transição para a insulina glargina. 

A estratégia visa ampliar o acesso à informação técnica, especialmente entre profissionais que atuam em regiões onde há menor oferta de educação médica continuada. A participação de profissionais em treinamentos realizados inclusive em regiões remotas reforça a demanda por iniciativas de capacitação voltadas à realidade da rede pública.
 

Produção nacional e segurança no fornecimento de insulina à população

A insulina glargina que passou a ser fornecida pelo SUS decorre de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre a Biomm, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e a biofarmacêutica Gan&Lee. 

Para a companhia, ampliar o acesso a tratamentos envolve também garantir que a incorporação de novas tecnologias seja acompanhada de informação e capacitação dos profissionais responsáveis pelo atendimento aos pacientes. 

Ao unir capacidade fabril de ponta no Brasil, capacitação profissional e inovação digital no atendimento assistencial, a Biomm fortalece o ecossistema de saúde e contribui para a sustentabilidade e a eficiência do SUS. 



Biomm
www.biomm.com


Saúde mental não começa no diagnóstico: o que acontece no cérebro quando não estamos bem


No Setembro Amarelo, neurocientista explica como estresse prolongado e sobrecarga podem repercutir em funções como atenção e memória e por que a ciência ajuda a ampliar a discussão sobre saúde mental 

 

Saúde mental não se resume à presença ou à ausência de um diagnóstico. Antes mesmo de falar em transtornos, situações prolongadas de estresse e sobrecarga podem repercutir no funcionamento do cérebro e ser percebidas no cotidiano, inclusive em aspectos como atenção, memória e sono. Entender essas respostas é uma das contribuições da neurociência para uma discussão que ganha ainda mais espaço durante o Setembro Amarelo. 

O tema ganhou dimensão global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontavam cerca de 970 milhões de pessoas vivendo com algum transtorno mental em 2019, enquanto ansiedade e depressão tiveram crescimento expressivo no período da pandemia. Levantamentos internacionais também vêm colocando a saúde mental entre as principais preocupações de saúde da população. 

No Brasil, ansiedade, depressão e esgotamento também têm impacto relevante na saúde e na vida profissional, reforçando uma discussão que vai além do diagnóstico e envolve as condições em que as pessoas vivem, trabalham e se relacionam. 

Para a neurocientista e pesquisadora Michelle Melgarejo da Rosa, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autora do livro Anatomia da Recusa – Um Olhar Pessoal e Científico sobre a Anorexia Nervosa, falar sobre saúde mental é falar também sobre aquilo que acontece todos os dias, muitas vezes antes mesmo de percebermos que algo não vai bem. 

“Às vezes pensamos em saúde mental como uma questão que só aparece quando existe um diagnóstico. Mas nosso cérebro está funcionando, se adaptando e respondendo ao ambiente o tempo inteiro. A maneira como dormimos, o estresse que acumulamos, as relações que estabelecemos, as escolhas que fazemos, a forma como lidamos com nosso corpo, com as cobranças e até com pequenas situações do cotidiano têm impacto sobre esse sistema”, explica Michelle. 

Isso não significa transformar cada dificuldade da vida em uma doença. Pelo contrário. Para a pesquisadora, compreender a relação entre cérebro, comportamento e ambiente também ajuda a olhar para a saúde mental de maneira mais ampla. Quanto mais se entende como o cérebro e o organismo respondem aos diferentes contextos, mais ferramentas existem para reconhecer fatores que influenciam o bem-estar e identificar aquilo que pode ser modificado. 

A neurociência tem investigado, por exemplo, como o estresse crônico se relaciona com circuitos envolvidos na memória, atenção, tomada de decisões e processamento das emoções. Essas interações ajudam a compreender por que, em períodos de grande sobrecarga, uma pessoa pode perceber maior dificuldade para se concentrar, esquecimentos, alterações no sono ou mudanças de humor. 

“Vivemos em uma sociedade que muitas vezes transforma cansaço em falta de produtividade, tristeza em fraqueza e dificuldade de concentração em falta de disciplina. Mas somos organismos biológicos inseridos em contextos sociais. Não podemos exigir do cérebro um desempenho constante sem considerar as condições em que ele está funcionando”, pontua a pesquisadora. 

Esse contexto também inclui uma rotina marcada por excesso de informações, notificações, cobranças e comparações. O cérebro precisa selecionar continuamente estímulos, manter a atenção, regular emoções e tomar decisões, enquanto encontra cada vez menos espaços de pausa. 

“A gente cobra resiliência do cérebro, mas nem sempre se pergunta em que ambiente esse cérebro está tentando ser resiliente. Estamos inseridos em uma realidade de muito ruído, muita comparação e pouca pausa. Entender como esse contexto interfere nos processos de atenção, memória, sono, emoções e comportamento é também uma forma de entender por que, em determinados momentos, podemos nos sentir tão sobrecarregados”, explica Michelle. 

Ao mesmo tempo, o cérebro não é estático. A neuroplasticidade permite que o sistema nervoso se modifique em resposta às experiências, aos aprendizados e aos ambientes aos quais somos expostos. Isso não significa que seja possível controlar tudo o que sentimos, mas mostra que o cérebro possui capacidade de adaptação e que mudanças de hábitos, experiências e contextos podem repercutir em seu funcionamento. 

Nesse sentido, falar de saúde mental também envolve conexão, escuta e capacidade de reconhecer quando algo não vai bem. Verbalizar sentimentos, buscar ajuda e oferecer apoio são aspectos importantes do cuidado, especialmente em uma sociedade marcada por rotinas aceleradas e maior exposição a estímulos. 

“O Setembro Amarelo é um convite à reflexão, à escuta e ao amparo. Mas também pode ser um convite para aprendermos mais sobre nós mesmos. Quando compreendemos melhor como funcionamos, podemos reconhecer sinais, buscar ajuda, modificar contextos e construir novas alternativas diante das dificuldades. E essas mudanças podem repercutir não apenas na prevenção do sofrimento, mas também na nossa capacidade de estabelecer conexões, sustentar a atenção, aprender, formar memórias, desenvolver nosso potencial e, sobretudo, viver com mais saúde mental”, conclui. 

Para Michelle, esse é também um dos papéis fundamentais da divulgação científica: aproximar o conhecimento produzido nos laboratórios da vida cotidiana. 

 

Michelle Melgarejo da Rosa - neurocientista, professora adjunta do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do NUPIT-UFPE. Bolsista de Produtividade CNPq Nível 2. Possui pós-doutorado em circuitos de recompensa pela McGovern Medical School, UTHealth, em Houston, nos Estados Unidos, e doutorado em Neurobiologia pelo Leibniz Institute for Neurobiology, em Magdeburg, Alemanha. É mestre em Bioquímica e graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É autora de Anatomia da Recusa – Um Olhar Pessoal e Científico sobre a Anorexia Nervosa, publicado pela Editora Dialética.

 

Da avaliação de sintomas à renovação de receitas: como os brasileiros usam a telemedicina em 2026?


 

Finalidades mais comuns vão das consultas de rotina ao atendimento

focado em saúde mental, aponta o novo estudo do Olá Doutor 

 

Já faz um tempo que a telemedicina não é procurada apenas quando o brasileiro está diante de uma situação inesperada. Em 2026, o atendimento online aparece principalmente como uma alternativa para avaliar sintomas (53,4%), realizar consultas de rotina (50%) e esclarecer dúvidas de saúde (47,6%). A modalidade também é utilizada para prescrição ou renovação de medicamentos (33,6%), o que mostra como diferentes necessidades podem ser resolvidas sem que o paciente precise se deslocar até um consultório.  

Os dados são de uma pesquisa do Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos, com centenas de entrevistados de diferentes regiões do país. Ao longo do levantamento, 46% dos entrevistados afirmaram já ter tido alguma experiência com a telemedicina, indicando que o atendimento remoto já faz parte da jornada de cuidados de saúde de uma parcela significativa da população.   

Entre aqueles que já recorreram à modalidade, a experiência também foi avaliada positivamente. Isso porque, enquanto 37,8% afirmaram ter tido uma boa experiência com consultas online, 25,4% já se sentiram mais confortáveis com o atendimento digital do que esperavam. Outros 19,2%, por sua vez, relataram já ter recomendado uma plataforma de telemedicina a outras pessoas, completando o retrato das percepções dos entrevistados sobre esse tipo de atendimento. 

 

Telemedicina já faz parte da rotina dos brasileiros 

Se, há alguns anos, o atendimento remoto era visto com ressalva por certos pacientes, em 2026, a pesquisa do Olá Doutor apenas reforça como as consultas online já figuram entre as opções consideradas na hora de resolver uma questão de saúde, seja durante uma viagem, em meio à correria do dia a dia ou no ambiente de trabalho.  

Ao longo do levantamento, por exemplo, 46% dos respondentes reforçaram já ter tido algum tipo de experiência com a modalidade, procura geralmente motivada pela avaliação rápida de sintomas (53,4%), consultas de rotina (50%), esclarecimento de dúvidas (47,6%) e, ainda, a prescrição ou renovação de medicamentos (33,6%). 

 

 

A experiência, de modo geral, tem sido positiva: enquanto 37,8% dos entrevistados mencionaram experiências positivas com consultas online, 25,4% foram além, destacando já ter se sentido mais confortáveis com o atendimento digital do que esperavam. O nível de satisfação, vale dizer, também se reflete nas indicações: recomendar uma plataforma ou serviço de telemedicina a outras pessoas é uma experiência compartilhada por 19,2% das pessoas consideradas no estudo.

 

Dados, médicos e plataformas: onde estão as principais dúvidas dos pacientes?  

A popularização da telemedicina, no entanto, também traz novos desafios para quem busca atendimento de saúde pela internet. 

Isso porque, à medida que as consultas online passam a fazer parte da rotina, o paciente precisa não apenas encontrar um serviço que atenda às necessidades, mas entender como seus dados são tratados, reconhecer quem está do outro lado e identificar se a plataforma utilizada é, de fato, confiável — pontos em que, com o avanço dos golpes e fraudes online, permanecem lacunas.   

De um lado, por exemplo, estão as dúvidas relacionadas ao uso de dados: segundo o estudo, 47% dos entrevistados ainda não sabem como seus dados são armazenados pelas plataformas, enquanto 47,6% afirmam se perguntar sobre quem, de fato, pode acessar essas informações. 

 

 

De outro, estão as dúvidas sobre a autenticidade dos médicos e plataformas, cenário amplificado pelos "médicos fake" criados com inteligência artificial. Como alerta o Conselho Federal de Medicina (CFM), trata-se de perfis que, nos últimos anos, vêm ganhando espaço nas redes com conteúdos direcionados, principalmente, a pessoas idosas. Em geral, utilizam personagens de aparência e voz realistas para divulgar orientações sem comprovação científica, bem como livros digitais e outros produtos. 

Nesse contexto, o estudo do Olá Doutor mostra que boa parte dos brasileiros ainda não se sente apta para identificar esse tipo de fraude, já que 34,2% apontaram pouco preparo para reconhecer imagens de médicos geradas por IA em um vídeo ou consulta. O mesmo tipo de insegurança aparece quando o assunto são as próprias plataformas: 40,4% dos entrevistados têm dificuldade ou não saberiam reconhecer uma plataforma de telemedicina falsa, enquanto 37,8% afirmaram conseguir identificá-la apenas parcialmente. 

“As empresas de telemedicina têm um papel importante quando o assunto é garantir uma experiência segura e transparente, seja reforçando validações de identidade e credenciais médicas ou ofertando mais informações para que o paciente saiba quem está prestando o atendimento”, comenta Anderson. “No Olá Doutor, buscamos reforçar esses cuidados para que a tecnologia facilite o acesso à saúde sem abrir espaço para inseguranças que poderiam ser evitadas”, conclui ele.  

 

 

Para quem ainda tem dificuldade em diferenciar uma plataforma legítima de uma falsa, os próprios entrevistados compartilham alguns caminhos que ajudam nessa identificação.  

Entre aqueles que afirmam conseguir reconhecer um serviço confiável, os principais pontos observados são o endereço e o site da plataforma (57,4%), a reputação do serviço (49,2%), o CNPJ e as informações da empresa responsável (47,8%) e comentários de outros usuários (45,6%). Em um cenário de expansão da telemedicina, os dados reforçam o que, para muitos, não é novidade: informação e transparência fazem parte do cuidado e, em muitos casos, são decisivos para que o paciente volte a buscar atendimento online. 

 

Metodologia  

Para analisar a relação dos pacientes brasileiros com a telemedicina, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais. 

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram a frequência com que recorrem a tais plataformas, as finalidades de uso mais comuns e as principais dificuldades de quem costuma se consultar pela internet. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.

 


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