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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Saúde mental e tecnologia: como a automação alivia o estresse e a sobrecarga de quem trabalha com licitações

Levantamento mostra que 65% dos profissionais associam rotinas sem automação ao aumento de estresse, sobrecarga e tarefas repetitivas; setor de licitações ilustra o peso da pressão por monitoramento constante 

 

A discussão sobre o impacto da tecnologia na saúde mental dos trabalhadores ganhou um novo capítulo: longe de apenas substituir tarefas, a automação tem se consolidado como uma ferramenta útil para reduzir a ansiedade, a pressão diária e o esgotamento profissional em setores hiperoperacionais.
 

Um dos exemplos mais claros desse cenário ocorre no setor de compras públicas e licitações: um mercado que movimentou R$135,39 bilhões em contratos somente pelo Governo Federal em 2025, marcado por prazos rígidos, alta responsabilidade e monitoramento ininterrupto.
 

“Já teria infartado antes dos 40.” A frase foi a resposta de um profissional de licitações quando perguntado sobre como seria sua rotina caso não tivesse acesso à tecnologia que utiliza atualmente. Embora hiperbólica, ela chama atenção para um aspecto que se repete em diversas áreas da economia: a sobrecarga invisível de quem precisa lidar com rotinas manuais e repetitivas.
 

Um levantamento feito pela Effecti com 528 clientes ajuda a dimensionar essa rotina e ilustra como a transformação digital impacta diretamente o bem-estar das equipes. Entre os participantes, 343, ou 65%, disseram que, sem a plataforma utilizada atualmente, teriam mais trabalho, gastariam mais tempo nas atividades ou precisariam voltar a executar processos manualmente.
 

Uma rotina de monitoramento constante
 

Para esses profissionais, trabalhar manualmente não significa apenas levar mais tempo para concluir uma tarefa. As respostas mencionam a necessidade de acessar diferentes portais, acompanhar movimentações, organizar oportunidades em planilhas, cadastrar informações e conferir documentos ao longo do dia.
 

Um dos participantes disse que teria de fazer “tudo manual, abrindo vários portais”. Outro descreveu uma rotina “muito mais operacional, repetitiva e suscetível a erros”, na qual horas seriam consumidas pelo monitoramento de editais e pela conferência de documentos. Segundo ele, o espaço para atividades estratégicas seria “praticamente inexistente”.
 

A dificuldade de acompanhar tantas informações apareceu em 204 respostas, ou 38,6% da amostra. Nesse grupo, os participantes mencionaram problemas relacionados à centralização, busca, monitoramento ou acompanhamento de oportunidades caso não contassem com os recursos tecnológicos atuais.
 

“Durante muito tempo, trabalhar com licitações significou estar permanentemente atento a vários portais, prazos e movimentações ao mesmo tempo. Quando parte desse acompanhamento deixa de depender exclusivamente de uma pessoa, muda não só a produtividade da operação, mas a própria rotina de quem está na ponta”, afirma Alan Conti, CEO da Effecti.
 

O limite de quantas disputas cabem em uma rotina
 

As respostas também mostram que o impacto do trabalho manual poderia chegar ao número de licitações das quais uma empresa consegue participar.
 

Em 79 relatos, equivalentes a 15% da base, os participantes disseram que teriam de reduzir a quantidade de processos acompanhados, perderiam oportunidades ou não conseguiriam sustentar o volume atual.
 

“Faria bem menos processos por ter uma equipe mais limitada”, afirmou um deles. Outros disseram que seria difícil ou inviável participar do mesmo número de disputas caso o acompanhamento dependesse principalmente da execução manual.
 

“Existe um limite para quanto volume uma pessoa consegue absorver sem que isso se transforme em mais horas de trabalho, mais pressão e maior risco de alguma informação passar despercebida. A automação muda essa equação porque permite ampliar a operação sem exigir que a carga manual cresça na mesma proporção”, diz Conti.
 

O peso de não deixar nada passar
 

Além do volume de trabalho, 33 participantes, ou 6,2% da base, mencionaram espontaneamente outro fator: o risco de cometer erros, perder prazos, deixar movimentações sem acompanhamento ou sofrer uma desclassificação.
 

“Eu dependeria da checagem constante de portais, do controle de prazos em planilhas e de procedimentos menos integrados”, relatou um dos participantes. Segundo ele, esse modelo aumentaria o risco de perder oportunidades importantes ou cometer falhas durante o processo.
 

O percentual é menor do que o observado nas respostas sobre trabalho manual e monitoramento, mas acrescenta um componente à pressão da atividade. Em uma licitação, não basta realizar várias tarefas ao mesmo tempo. Parte delas precisa ser executada dentro de horários, prazos e regras determinados, o que torna a atenção um recurso central para quem trabalha na área.
 

A combinação de volume e responsabilidade aparece de diferentes maneiras ao longo do levantamento: mais tarefas manuais, necessidade de acompanhar vários ambientes, menos capacidade para assumir novos processos e receio de que alguma informação seja perdida no caminho.
 

“Tecnologia não deveria servir para fazer uma pessoa trabalhar mais rápido durante mais horas. O ganho mais relevante acontece quando tarefas repetitivas e de monitoramento deixam de ocupar o profissional o tempo inteiro. Isso devolve espaço para análise, decisão e, principalmente, para uma rotina de trabalho mais sustentável”, conclui Conti.

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