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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: Aumento de afastamentos por saúde mental traz alerta sobre condições de trabalho no Brasil

O país registrou mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais em 2025; Instituto Ethos destaca papel das empresas na prevenção dos riscos psicossociais

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a ansiedade e a depressão provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com impacto econômico próximo de US$ 1 trilhão. No Brasil, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% em relação ao ano anterior. O número é o maior registrado nos últimos anos.


Os dados mostram que o adoecimento mental não é apenas uma questão de saúde pública, mas também afeta diretamente trabalhadores, empresas e a economia. Para o Instituto Ethos, organização pioneira em responsabilidade empresarial, discutir o tema exige olhar para as condições em que o trabalho é realizado, incluindo jornadas, metas, relações profissionais, autonomia, segurança e possibilidade de descanso.


Nesse contexto, a organização defende o conceito de trabalho decente, formulado e promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que integra quatro dimensões: emprego, direitos, proteção social e diálogo social. A proposta é que a geração de trabalho produtivo caminhe junto à garantia de direitos, à proteção contra vulnerabilidades e à participação de trabalhadores, empregadores e governos na construção das relações de trabalho.

 

Produtividade não é sinônimo de jornada mais longa


Para o Instituto Ethos, trabalhar mais horas não significa necessariamente produzir mais. Jornadas excessivas e sobrecarga podem contribuir para fadiga, adoecimento, absenteísmo e rotatividade, gerando custos para empresas e para a sociedade.


Por isso, mudanças na jornada e nas escalas de trabalho precisam ser avaliadas considerando não apenas custos imediatos, mas também saúde, qualidade de vida, eficiência e sustentabilidade dos negócios. A discussão sobre a redução da jornada, incluindo o debate sobre a escala 6x1, também envolve a busca por formas mais eficientes de organizar o trabalho, sem estabelecer uma relação automática entre redução de horas e perda de produtividade.


“As empresas têm responsabilidade sobre as condições em que o trabalho é realizado e, portanto, também sobre a prevenção de situações que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores. Isso significa olhar para a organização do trabalho, para as jornadas, as metas, as relações profissionais e os riscos psicossociais. Promover ambientes seguros e saudáveis é parte do compromisso com o colaborador e trabalho decente e também contribui para organizações mais sustentáveis e produtivas”, afirma Ana Lúcia Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos.


De acordo com a especialista, a competitividade e o trabalho decente não são objetivos incompatíveis. “Uma economia sustentável precisa combinar produtividade com direitos, eficiência com dignidade e geração de valor com proteção à saúde de quem trabalha”, completa.

 

Riscos psicossociais entram na gestão das empresas


A partir de 26 de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Na prática, as empresas devem considerar esses fatores em seus processos de prevenção e gerenciamento de riscos, incluindo-os no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).


A mudança reforça que a saúde mental não deve ser tratada apenas como uma questão individual. Sobrecarga, jornadas excessivas, assédio, baixa autonomia e insegurança no trabalho são exemplos de fatores que podem contribuir para o adoecimento e precisam ser considerados pelas organizações na gestão dos riscos ocupacionais.


Para o Instituto Ethos, a prevenção passa por medidas que vão além da oferta de benefícios ou serviços de apoio psicológico. Entre as boas práticas estão a revisão de jornadas e cargas de trabalho, a prevenção e o enfrentamento do assédio, a criação de canais seguros de escuta, o fortalecimento da autonomia e da participação dos trabalhadores e a identificação e gestão dos riscos psicossociais.


A perspectiva está alinhada à defesa de que competitividade e trabalho decente não são objetivos incompatíveis. Uma economia sustentável precisa combinar produtividade com direitos, eficiência com dignidade e geração de valor com proteção à saúde de quem trabalha.

 

Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) cuja missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa, ética e sustentável. https://www.ethos.org.br/

 

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