O
país registrou mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária
relacionados a transtornos mentais em 2025; Instituto Ethos destaca papel das
empresas na prevenção dos riscos psicossociais
A Organização
Mundial da Saúde (OMS) estima que a ansiedade e a depressão provoquem a perda
de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com impacto econômico
próximo de US$ 1 trilhão. No Brasil, foram concedidos 546.254 benefícios por
incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais em
2025, alta de 15,66% em relação ao ano anterior. O número é o maior registrado
nos últimos anos.
Os dados mostram
que o adoecimento mental não é apenas uma questão de saúde pública, mas também
afeta diretamente trabalhadores, empresas e a economia. Para o Instituto Ethos,
organização pioneira em responsabilidade empresarial, discutir o tema exige
olhar para as condições em que o trabalho é realizado, incluindo jornadas,
metas, relações profissionais, autonomia, segurança e possibilidade de
descanso.
Nesse contexto, a
organização defende o conceito de trabalho decente, formulado e promovido pela
Organização Internacional do Trabalho (OIT), que integra quatro dimensões:
emprego, direitos, proteção social e diálogo social. A proposta é que a geração
de trabalho produtivo caminhe junto à garantia de direitos, à proteção contra
vulnerabilidades e à participação de trabalhadores, empregadores e governos na
construção das relações de trabalho.
Produtividade
não é sinônimo de jornada mais longa
Para o Instituto Ethos, trabalhar mais horas não significa necessariamente produzir mais. Jornadas excessivas e sobrecarga podem contribuir para fadiga, adoecimento, absenteísmo e rotatividade, gerando custos para empresas e para a sociedade.
Por isso, mudanças
na jornada e nas escalas de trabalho precisam ser avaliadas considerando não
apenas custos imediatos, mas também saúde, qualidade de vida, eficiência e
sustentabilidade dos negócios. A discussão sobre a redução da jornada,
incluindo o debate sobre a escala 6x1, também envolve a busca por formas mais
eficientes de organizar o trabalho, sem estabelecer uma relação automática
entre redução de horas e perda de produtividade.
“As empresas têm
responsabilidade sobre as condições em que o trabalho é realizado e, portanto,
também sobre a prevenção de situações que possam comprometer a saúde mental dos
trabalhadores. Isso significa olhar para a organização do trabalho, para as jornadas,
as metas, as relações profissionais e os riscos psicossociais. Promover
ambientes seguros e saudáveis é parte do compromisso com o colaborador e
trabalho decente e também contribui para organizações mais sustentáveis e
produtivas”, afirma Ana Lúcia Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos.
De acordo com a
especialista, a competitividade e o trabalho decente não são objetivos
incompatíveis. “Uma economia sustentável precisa combinar produtividade com
direitos, eficiência com dignidade e geração de valor com proteção à saúde de
quem trabalha”, completa.
Riscos
psicossociais entram na gestão das empresas
A partir de 26 de
maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a
incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao
trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Na prática, as empresas devem
considerar esses fatores em seus processos de prevenção e gerenciamento de
riscos, incluindo-os no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A mudança reforça que
a saúde mental não deve ser tratada apenas como uma questão individual.
Sobrecarga, jornadas excessivas, assédio, baixa autonomia e insegurança no
trabalho são exemplos de fatores que podem contribuir para o adoecimento e
precisam ser considerados pelas organizações na gestão dos riscos ocupacionais.
Para o Instituto
Ethos, a prevenção passa por medidas que vão além da oferta de benefícios ou
serviços de apoio psicológico. Entre as boas práticas estão a revisão de
jornadas e cargas de trabalho, a prevenção e o enfrentamento do assédio, a
criação de canais seguros de escuta, o fortalecimento da autonomia e da
participação dos trabalhadores e a identificação e gestão dos riscos
psicossociais.
A perspectiva está
alinhada à defesa de que competitividade e trabalho decente não são objetivos
incompatíveis. Uma economia sustentável precisa combinar produtividade com
direitos, eficiência com dignidade e geração de valor com proteção à saúde de
quem trabalha.
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