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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Entenda a diabetes tipo 5, doença relacionada à desnutrição

Crédito: xb100 via Magnific
Reconhecida oficialmente em abril de 2025, doença entrou no radar brasileiro nas regiões Norte e Nordeste


Quando se fala em diabetes, a imagem mais comum é a de uma doença associada ao excesso de peso, à alimentação inadequada e ao sedentarismo. Mas uma nova classificação reconhecida oficialmente pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) em 2025 traz outra percepção para a doença que atinge mais de 20 milhões de brasileiros: a desnutrição.

Conhecida como Diabetes Tipo 5, o quadro está associado à desnutrição crônica vivida durante períodos fundamentais do desenvolvimento humano, como a gestação, a infância e a adolescência. Estimativas da IDF apontam que entre 20 e 25 milhões de pessoas podem conviver com essa condição no mundo, principalmente em países de baixa e média renda. E apesar de ter sido descrita pela primeira vez na década de 1950, a doença passou décadas sem o reconhecimento oficial. 

Recentemente, a doença entrou no radar do Brasil, que agora se prepara para estruturar um rastreamento de casos dessa diabetes, com foco inicial nas regiões Norte e Nordeste, devido aos índices maiores de insegurança alimentar. A iniciativa é parte de uma colaboração entre a IDF com a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 

Para especialistas, a forma de entender a Diabetes tipo 5, está na diferenciação entre o tipo 1 e 2. Segundo Suelem Mol, endocrinologista e professora do curso de Medicina do UniBH e Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a principal diferença está na origem da doença. 

"O diabetes tipo 5 foi denominado assim recentemente, e esse nome substitui o antigo diabetes relacionado à desnutrição. No tipo 1, existe uma destruição do pâncreas por um processo autoimune. No tipo 2, existe uma insuficiência de produção de insulina pelo pâncreas, dada uma condição que na maioria das vezes está ligada à obesidade. No tipo 5, o pâncreas não se desenvolveu adequadamente", explica.

 

Como a desnutrição afeta o organismo?

A doença surge porque a deficiência nutricional prolongada compromete o desenvolvimento do pâncreas e reduz a quantidade de células beta, responsáveis pela produção de insulina. 

"A criança que não teve ganho de peso adequado na vida fetal ou na infância desenvolve poucas células produtoras de insulina, em quantidade insuficiente para garantir a insulina necessária ao longo da vida. Esse processo é mediado por mudanças na expressão genética de diversas células no desenvolvimento fetal e por alterações epigenéticas, que acontecem nos genes depois do nascimento", afirma a especialista. Isso significa que os efeitos da desnutrição podem permanecer por décadas no organismo, mesmo após a recuperação nutricional. 

Segundo a endocrinologista, uma vez instalado o diabetes, os sintomas são semelhantes em qualquer um dos tipos, porque a manifestação comum a todos eles é a glicose elevada: sede, boca seca, fome, perda de peso, aumento da diurese e níveis altos de glicose no sangue. Em boa parte dos casos, no entanto, a doença é descoberta sem que o paciente apresente sintoma nenhum. 

E por apresentar características pouco conhecidas e ter sido reconhecida oficialmente há pouco tempo, a doença ainda representa um desafio diagnóstico para a comunidade médica.

 

A diabetes tipo 5 ainda é um desafio para a medicina 

Apesar de afetar milhões de pessoas no mundo, o Diabetes Tipo 5 ainda representa um dos maiores desafios atuais da endocrinologia. Isso porque, até recentemente, não existiam critérios diagnósticos padronizados para identificar a doença, o que fez com que muitos pacientes recebessem tratamentos que nem sempre atendiam às suas necessidades específicas. 

O reconhecimento oficial da condição pela Federação Internacional de Diabetes, em 2025, foi acompanhado da criação de um grupo internacional de trabalho responsável por desenvolver critérios diagnósticos, protocolos terapêuticos e um registro global de pacientes. A iniciativa busca responder perguntas que ainda permanecem em aberto, como a real prevalência da doença, suas características clínicas e quais estratégias de tratamento oferecem melhores resultados.

 

UniBH
unibh.br/


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