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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vestibular é só o começo: 4 competências para preparar jovens para a vida

Com a chegada dos processos seletivos, especialista defende que a preparação para o futuro precisa ir além da aprovação na universidade e incluir competências para escolhas, relações e desafios profissionais 

 

Para muitos estudantes, o segundo semestre é sinônimo de vestibular. Revisões, simulados, provas e decisões sobre qual curso seguir passam a ocupar boa parte da rotina. A aprovação em uma universidade, porém, é apenas uma etapa de uma trajetória muito mais longa. Depois dela, virão novos desafios: adaptar-se ao ambiente universitário, escolher caminhos profissionais, participar de processos seletivos, enfrentar entrevistas de emprego, trabalhar em equipe e lidar com mudanças. Por isso, especialistas defendem que a escola precisa preparar os jovens não apenas para passar em uma prova, mas para lidar com as situações que encontrarão ao longo da vida. 

Os dados sobre a entrada no mercado de trabalho ajudam a dimensionar esse desafio. Uma pesquisa da Catho apontou que 79% dos jovens entre 18 e 24 anos se sentem inseguros sobre suas próprias habilidades ao procurar emprego. Ao mesmo tempo, o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades essenciais no mercado de trabalho devem mudar até 2030. O relatório coloca pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança e pensamento criativo entre as principais competências exigidas pelos empregadores. 

A necessidade de uma formação mais ampla aparece também na própria trajetória universitária. Dados do Inep mostram que, entre os estudantes que ingressaram em cursos de graduação em 2015, acompanhados por dez anos, a taxa de desistência chegou a 62% nas instituições privadas e 53% nas públicas. Embora a evasão tenha múltiplas causas, os números reforçam a importância de ajudar os jovens a compreender seus interesses, fazer escolhas conscientes e desenvolver autonomia antes e durante a transição para a vida adulta. 

“Preparar para a universidade é importante, mas não pode ser o único objetivo. O estudante também precisa desenvolver recursos para entender quem é, fazer escolhas, lidar com frustrações, trabalhar com outras pessoas e se adaptar a situações que ainda nem conseguimos prever”, afirma Eric Rodrigues, Coordenador Pedagógico de Ensino Médio da Avenues São Paulo. 

Abaixo, Eric lista 4 competências socioemocionais essenciais para a jornada do estudante:


1. Autoconhecimento para fazer escolhas.

Escolher um curso ou uma carreira exige mais do que conhecer as opções disponíveis. É importante que o estudante reconheça seus interesses, pontos fortes, desafios e valores. “Essa capacidade de refletir sobre o próprio processo de aprendizagem e sobre suas escolhas está relacionada à metacognição e ao propósito, dois dos Avenues World Elements, sistema curricular global da Avenues voltado ao desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e qualidades ao longo da trajetória escolar”.
 

2. Criatividade para encontrar soluções.

No mercado de trabalho, saber lidar com problemas para os quais não existe uma resposta pronta será cada vez mais importante. O Fórum Econômico Mundial coloca o pensamento ativo como a quarta competência essencial mais citada pelos empregadores. “Desenvolver a criatividade, portanto, não significa apenas estimular atividades artísticas, mas ensinar o estudante a formular hipóteses, testar possibilidades e encontrar diferentes caminhos”.
 

3. Comunicação e colaboração.

Uma entrevista de emprego, uma apresentação ou um primeiro projeto profissional exigem a capacidade de comunicar ideias e trabalhar com pessoas diferentes. “A experiência escolar pode oferecer situações para que os jovens aprendam a ouvir, argumentar, receber feedback e construir soluções coletivamente. Nesse processo, empatia e pensamento crítico tornam-se ferramentas importantes”.
 

4. Resiliência para lidar com erros e mudanças.

A entrada na universidade e no mercado de trabalho envolve frustrações, escolhas que podem precisar ser revistas e situações inesperadas. Aprender a lidar com erros sem interpretá-los como um fracasso definitivo é parte da construção da autonomia. O próprio Fórum Econômico Mundial destaca resiliência, flexibilidade e agilidade entre as competências centrais valorizadas pelos empregadores. 

O alicerce de todo esse processo é o bem-estar e o suporte contínuo. Acompanhar de perto os estudantes e oferecer oportunidades para que sejam ouvidos em uma etapa que envolve muita pressão é fundamental. A Avenues oferece uma rede sólida de acolhimento e orientação, acompanhada de perto por nossa diretora de Student Wellbeing e pela equipe de Deans. Nela, o bem-estar e o pertencimento não são tratados como conceitos abstratos, mas como a base de todo o trabalho pedagógico. 

A proposta não significa diminuir a importância dos conteúdos acadêmicos ou dos processos seletivos. O conhecimento necessário para uma boa prova continua sendo fundamental. A questão é ampliar a perspectiva sobre o que significa estar preparado. “O vestibular é uma porta de entrada, não uma linha de chegada. Quando o jovem conta com um ambiente seguro para cuidar da saúde mental e construir relações equilibradas, ele desenvolve a autonomia necessária para navegar os desafios acadêmicos e aproveitar as oportunidades que surgirão depois da aprovação”, conclui Eric.


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