Com a chegada dos processos seletivos, especialista defende que a preparação para o futuro precisa ir além da aprovação na universidade e incluir competências para escolhas, relações e desafios profissionais
Para muitos estudantes, o segundo semestre é sinônimo de
vestibular. Revisões, simulados, provas e decisões sobre qual curso seguir
passam a ocupar boa parte da rotina. A aprovação em uma universidade, porém, é
apenas uma etapa de uma trajetória muito mais longa. Depois dela, virão novos desafios:
adaptar-se ao ambiente universitário, escolher caminhos profissionais,
participar de processos seletivos, enfrentar entrevistas de emprego, trabalhar
em equipe e lidar com mudanças. Por isso, especialistas defendem que a escola
precisa preparar os jovens não apenas para passar em uma prova, mas para lidar
com as situações que encontrarão ao longo da vida.
Os dados sobre a entrada no mercado de trabalho ajudam a
dimensionar esse desafio. Uma pesquisa da Catho apontou que 79% dos jovens
entre 18 e 24 anos se sentem inseguros sobre suas próprias habilidades ao
procurar emprego. Ao mesmo tempo, o Future of Jobs Report 2025, do Fórum
Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades essenciais no mercado de
trabalho devem mudar até 2030. O relatório coloca pensamento analítico,
resiliência, flexibilidade, liderança e pensamento criativo entre as principais
competências exigidas pelos empregadores.
A necessidade de uma formação mais ampla aparece também na própria
trajetória universitária. Dados do Inep mostram que, entre os estudantes que
ingressaram em cursos de graduação em 2015, acompanhados por dez anos, a taxa
de desistência chegou a 62% nas instituições privadas e 53% nas públicas.
Embora a evasão tenha múltiplas causas, os números reforçam a importância de
ajudar os jovens a compreender seus interesses, fazer escolhas conscientes e
desenvolver autonomia antes e durante a transição para a vida adulta.
“Preparar para a universidade é importante, mas não pode ser o
único objetivo. O estudante também precisa desenvolver recursos para entender
quem é, fazer escolhas, lidar com frustrações, trabalhar com outras pessoas e
se adaptar a situações que ainda nem conseguimos prever”, afirma Eric
Rodrigues, Coordenador Pedagógico de Ensino Médio da Avenues São Paulo.
Abaixo, Eric lista 4 competências socioemocionais essenciais para
a jornada do estudante:
1. Autoconhecimento para fazer escolhas.
Escolher um curso ou uma carreira exige mais do que conhecer as
opções disponíveis. É importante que o estudante reconheça seus interesses,
pontos fortes, desafios e valores. “Essa capacidade de refletir sobre o próprio
processo de aprendizagem e sobre suas escolhas está relacionada à metacognição
e ao propósito, dois dos Avenues World Elements, sistema curricular global da
Avenues voltado ao desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e qualidades
ao longo da trajetória escolar”.
2. Criatividade para encontrar soluções.
No mercado de trabalho, saber lidar com problemas para os quais
não existe uma resposta pronta será cada vez mais importante. O Fórum Econômico
Mundial coloca o pensamento ativo como a quarta competência essencial mais citada
pelos empregadores. “Desenvolver a criatividade, portanto, não significa apenas
estimular atividades artísticas, mas ensinar o estudante a formular hipóteses,
testar possibilidades e encontrar diferentes caminhos”.
3. Comunicação e colaboração.
Uma entrevista de emprego, uma apresentação ou um primeiro projeto
profissional exigem a capacidade de comunicar ideias e trabalhar com pessoas
diferentes. “A experiência escolar pode oferecer situações para que os jovens
aprendam a ouvir, argumentar, receber feedback e construir soluções
coletivamente. Nesse processo, empatia e pensamento crítico tornam-se
ferramentas importantes”.
4. Resiliência para lidar com erros e mudanças.
A entrada na universidade e no mercado de trabalho envolve
frustrações, escolhas que podem precisar ser revistas e situações inesperadas.
Aprender a lidar com erros sem interpretá-los como um fracasso definitivo é
parte da construção da autonomia. O próprio Fórum Econômico Mundial destaca
resiliência, flexibilidade e agilidade entre as competências centrais
valorizadas pelos empregadores.
O alicerce de todo esse processo é o bem-estar e o suporte contínuo. Acompanhar de perto os estudantes e oferecer oportunidades para que sejam ouvidos em uma etapa que envolve muita pressão é fundamental. A Avenues oferece uma rede sólida de acolhimento e orientação, acompanhada de perto por nossa diretora de Student Wellbeing e pela equipe de Deans. Nela, o bem-estar e o pertencimento não são tratados como conceitos abstratos, mas como a base de todo o trabalho pedagógico.
A proposta não significa diminuir a importância dos conteúdos
acadêmicos ou dos processos seletivos. O conhecimento necessário para uma boa
prova continua sendo fundamental. A questão é ampliar a perspectiva sobre o que
significa estar preparado. “O vestibular é uma porta de entrada, não uma linha
de chegada. Quando o jovem conta com um ambiente seguro para cuidar da saúde
mental e construir relações equilibradas, ele desenvolve a autonomia necessária
para navegar os desafios acadêmicos e aproveitar as oportunidades que surgirão
depois da aprovação”, conclui Eric.
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