Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no Brasil, sendo a doença de Alzheimer responsável por 60% a 70% desse total
Com o rápido envelhecimento
populacional e a aceleração da transição demográfica no país, o Brasil se
prepara para um aumento expressivo nos casos de demência. Estimativas do
Ministério da Saúde apontam que o número de identificações deve praticamente
triplicar até 2050, alcançando cerca de 5,7 milhões de pessoas. Diante dessa
projeção, os avanços no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer e a chegada
de novas terapias tornam-se indispensáveis para mudar o curso do tratamento e
oferecer maior qualidade de vida aos pacientes.
De acordo com o médico geriatra do
Grupo São Lucas, Dr. Wilson Picco (CRM 169422 / RQE 79871), o acompanhamento
médico é essencial para avaliação criteriosa sobre o acometimento da memória do
paciente.
"Se a gente percebe que uma pessoa
lembra de tudo e em algum momento da vida começa a ter algum esquecimento mais consistente
de algo que realmente atrapalha a sua rotina, como por exemplo tomar as
medicações, comparecer a compromissos, pagar uma conta, realmente é um sinal de
alerta. Muitas outras patologias, como depressão, ansiedade, alguns déficits de
vitamina e doenças da tireoide também podem levar a um esquecimento mais leve.
Então, na triagem inicial, são descartadas todas essas outras doenças antes de
partir para o diagnóstico de uma síndrome demencial efetivamente",
explica.
Inovações como os exames biomarcadores,
capazes de identificar alterações biológicas no cérebro anos antes do
aparecimento dos primeiros sinais de declínio cognitivo ou esquecimento e as
novas terapias antiamilóides, que atuam diretamente nos mecanismos
fisiopatológicos da doença para tentar conter sua progressão, redefinem o
manejo do Alzheimer, que hoje é responsável por cerca de 60% dos diagnósticos
de demência no Brasil.
A identificação pré-sintomática abre
caminho para intervenções muito mais rápidas e assertivas, alterando o curso
tradicional de acompanhamento da patologia. Apesar do avanço científico
significativo, o especialista pondera sobre a necessidade de critérios
rigorosos e acesso.
“Anteriormente, a única medida que
atrasava a doença era a atuação multidisciplinar com os vários profissionais
envolvidos como fisioterapia, terapia ocupacional, educação física, onde
traziam estímulo cognitivo entre outros que acabavam atuando de forma decisiva
para a evolução ser um pouco mais lenta. Mas essas novas drogas revolucionaram
o tratamento, podendo reduzir muito a progressão da doença. Infelizmente, elas
ainda têm efeitos colaterais importantes e são para um grupo muito selecionado
de pessoas, idealmente abaixo dos 80 anos. Além disso, o custo delas hoje é
muito alto e praticamente inacessível à maioria da população”, explica o
geriatra.
Diante desse cenário, a detecção
precoce aliada ao controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, sedentarismo
e perda auditiva permanece vital para a qualidade de vida dos pacientes e para
retardar o avanço dos quadros demenciais, uma vez que o envelhecimento
demográfico do Brasil é uma realidade para a qual o país ainda não possui
estrutura social integral no atendimento às demandas necessárias.
"Uma solução interessante hoje tem
sido as instituições de longa permanência, que cada vez mais tem se estruturado
e trazido qualidade no atendimento. Com isso, os ganhos são enormes
relacionados de novo à atuação da equipe multidisciplinar. Então, algum lugar
que possa oferecer esse contato social com mais pessoas, um cuidado
especializado e, principalmente, a atuação de uma equipe multidisciplinar que
saiba lidar com esse tipo de patologia pode contribuir para a melhor qualidade
de vida e para reduzir a velocidade de evolução dessa doença", conclui o
médico.
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