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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Setembro Lilás: avanços no diagnóstico e no tratamento do Alzheimer trazem novas perspectivas para o controle da doença

 Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no Brasil, sendo a doença de Alzheimer responsável por 60% a 70% desse total

 

Com o rápido envelhecimento populacional e a aceleração da transição demográfica no país, o Brasil se prepara para um aumento expressivo nos casos de demência. Estimativas do Ministério da Saúde apontam que o número de identificações deve praticamente triplicar até 2050, alcançando cerca de 5,7 milhões de pessoas. Diante dessa projeção, os avanços no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer e a chegada de novas terapias tornam-se indispensáveis para mudar o curso do tratamento e oferecer maior qualidade de vida aos pacientes. 

De acordo com o médico geriatra do Grupo São Lucas, Dr. Wilson Picco (CRM 169422 / RQE 79871), o acompanhamento médico é essencial para avaliação criteriosa sobre o acometimento da memória do paciente.  

"Se a gente percebe que uma pessoa lembra de tudo e em algum momento da vida começa a ter algum esquecimento mais consistente de algo que realmente atrapalha a sua rotina, como por exemplo tomar as medicações, comparecer a compromissos, pagar uma conta, realmente é um sinal de alerta. Muitas outras patologias, como depressão, ansiedade, alguns déficits de vitamina e doenças da tireoide também podem levar a um esquecimento mais leve. Então, na triagem inicial, são descartadas todas essas outras doenças antes de partir para o diagnóstico de uma síndrome demencial efetivamente", explica.  

Inovações como os exames biomarcadores, capazes de identificar alterações biológicas no cérebro anos antes do aparecimento dos primeiros sinais de declínio cognitivo ou esquecimento e as novas terapias antiamilóides, que atuam diretamente nos mecanismos fisiopatológicos da doença para tentar conter sua progressão, redefinem o manejo do Alzheimer, que hoje é responsável por cerca de 60% dos diagnósticos de demência no Brasil.  

A identificação pré-sintomática abre caminho para intervenções muito mais rápidas e assertivas, alterando o curso tradicional de acompanhamento da patologia. Apesar do avanço científico significativo, o especialista pondera sobre a necessidade de critérios rigorosos e acesso.    

“Anteriormente, a única medida que atrasava a doença era a atuação multidisciplinar com os vários profissionais envolvidos como fisioterapia, terapia ocupacional, educação física, onde traziam estímulo cognitivo entre outros que acabavam atuando de forma decisiva para a evolução ser um pouco mais lenta. Mas essas novas drogas revolucionaram o tratamento, podendo reduzir muito a progressão da doença. Infelizmente, elas ainda têm efeitos colaterais importantes e são para um grupo muito selecionado de pessoas, idealmente abaixo dos 80 anos. Além disso, o custo delas hoje é muito alto e praticamente inacessível à maioria da população”, explica o geriatra.  

Diante desse cenário, a detecção precoce aliada ao controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, sedentarismo e perda auditiva permanece vital para a qualidade de vida dos pacientes e para retardar o avanço dos quadros demenciais, uma vez que o envelhecimento demográfico do Brasil é uma realidade para a qual o país ainda não possui estrutura social integral no atendimento às demandas necessárias.  

"Uma solução interessante hoje tem sido as instituições de longa permanência, que cada vez mais tem se estruturado e trazido qualidade no atendimento. Com isso, os ganhos são enormes relacionados de novo à atuação da equipe multidisciplinar. Então, algum lugar que possa oferecer esse contato social com mais pessoas, um cuidado especializado e, principalmente, a atuação de uma equipe multidisciplinar que saiba lidar com esse tipo de patologia pode contribuir para a melhor qualidade de vida e para reduzir a velocidade de evolução dessa doença", conclui o médico.  

  

Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)

 

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