O
empreendedorismo feminino é prova da dimensão econômica relevante, e quem não
enxerga que a mulher é produtora e não meramente destinatária na nação precisa
ajustar as lentes. A mulher brasileira ocupa um lugar de distinção, representa
45,7% dos trabalhadores registrados. Além disso, um em cada dois empregos
formais é ocupado por uma mulher; o que as torna simplesmente metade da força
formal de trabalho. Sem considerar que essa proporção parece ainda maior no
trabalho informal. Os indicadores de participação econômica são realmente
contundentes.
Na política,
a participação feminina passou de 33,8% nas eleições gerais de 2022 para 34,8%
em 2026. As mulheres personificam 34,8% das candidaturas registradas para as
eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 7.134
candidaturas de mulheres e 13.362 de homens, em um universo de 20.496 registros
apresentados para os cargos de presidente, governador, senador, deputado
federal, deputado estadual e deputado distrital, além de vices e suplentes.
Nesse percurso,
fica evidente que não somos meramente espectadoras, mas agentes econômicas e
produtivas. O que faz deslocar o lugar de mera beneficiária de políticas
públicas, mas reconhecidas como agente econômico, como alguém que produz,
trabalha, empreende, emprega, investe, consome, paga impostos, cria riqueza e participa
das decisões econômicas e políticas.
Vale
destacar, que a renda feminina movimenta famílias, comércios e serviços. Tirar
as mulheres do mercado de trabalho ou impedir que elas avancem
profissionalmente significa desperdiçar capacidade produtiva. É um tiro no pé
na economia.
Há uma
mudança de foco. Historicamente, parlamentos e governos com forte presença de
mulheres tendem a priorizar orçamentos e leis voltados para a primeira
infância, saúde pública, educação de base e combate à violência doméstica.
A tendência
de colocar a mulher no centro das agendas sociais é confortável e muitas vezes
intencional - mas há que se ter cuidado. Essas agendas também podem
reduzir e de certa forma; alienar, dominar e afastar a mulher do centro da
economia, da iniciativa privada e do próprio desenvolvimento nacional; de um
lugar de verdadeira autoridade.
A
objetivação da mulher a mantém num tipo de subjugação e mascara realidades.
Muito além do voto, a autonomia econômica é uma indicação de liberdade. A
conjugação dessa combinação sequencial: mulher, trabalho, renda e PIB nos leva
a um lugar importante às vésperas da eleição. A democracia precisa ser pensada
também a partir da autonomia econômica das mulheres. Isso muda o olhar sobre
ela: de beneficiária para protagonista. A democratização do poder econômico
muda a identidade social da mulher.
Hoje, de
cada um emprego, o outro é de mulher, porque ela tem participação expressiva no
PIB e na população em si. Existe uma mudança de paradigma e uma importância
democrática enorme, uma consciência que precisa ser lapidada às vésperas da
eleição.
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