Especialista
explica como ajustes na alimentação podem ajudar na energia, no sono, na
preservação da massa muscular e na saúde óssea, sem dietas restritivas ou
listas de proibições
A menopausa não afeta apenas o ciclo menstrual. A
queda progressiva do estrogênio pode alterar a composição corporal, o sono, a
disposição, o humor, a saúde dos ossos e a preservação da massa muscular. É uma
fase que exige atenção não apenas ao peso, mas também à saúde metabólica e à
qualidade de vida.
Para a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena,
essas mudanças precisam ser compreendidas dentro de um contexto mais amplo. “A
oscilação hormonal cria um novo cenário biológico, mas a forma como ele se
manifesta depende também do envelhecimento, da genética, da composição corporal
e dos hábitos de vida de cada mulher”, explica.
Entre as alterações mais comuns estão a
redistribuição da gordura para a região abdominal e a perda de massa muscular.
O estrogênio também participa da regulação da glicose, do colesterol, da função
cerebral, do sono e da saúde óssea. Com sua queda, podem surgir alterações
metabólicas e cardiovasculares que merecem acompanhamento.
Sono, humor e disposição também podem ser afetados.
Fogachos, fadiga e dificuldade de concentração são queixas frequentes. A
redução hormonal ainda pode provocar ressecamento e desconforto vaginal, mas a
libido não depende de um único fator. “A redução da libido nessa fase resulta
da interação entre fatores hormonais, físicos, emocionais e relacionais”,
afirma Flávia.
Esse conjunto ajuda a explicar por que muitas
mulheres relatam mais dificuldade para emagrecer. “É comum ouvir que continuam
comendo de forma parecida e mantendo hábitos semelhantes, mas passam a ganhar
peso com mais facilidade ou têm mais dificuldade para emagrecer. Isso pode
acontecer porque, mesmo sem grandes alterações na rotina, o organismo se
transformou”, esclarece.
A perda de massa muscular também pesa nessa
equação. “Com o passar dos anos, há uma tendência à redução de massa muscular,
e isso é central, porque o músculo é um tecido metabolicamente ativo”, pontua.
Com menos músculos e menor gasto energético, uma rotina alimentar que antes mantinha
o peso estável pode deixar de produzir o mesmo resultado.
O sono ruim pode agravar o processo. Fogachos,
suores noturnos e despertares frequentes aumentam a fadiga, interferem na fome
e na saciedade e reduzem a disposição para a atividade física.
A alimentação pode ajudar a preservar a massa
muscular e a saúde óssea, além de favorecer o equilíbrio metabólico, mas a
estratégia deve considerar as necessidades individuais. “A mulher não chega à
menopausa ‘do zero’. Ela traz sua composição corporal, seus hábitos, a
qualidade do sono, a saúde emocional e possíveis deficiências nutricionais”,
observa a especialista.
Não existe, portanto, uma dieta única para a
menopausa. A proteína ganha importância, sobretudo quando associada ao
exercício de força. Para os ossos, cálcio, vitamina D, proteínas e outros
micronutrientes também são fundamentais.
De forma geral, a alimentação deve priorizar
frutas, vegetais, leguminosas, grãos integrais, oleaginosas, peixes, fibras e
gorduras insaturadas. Ultraprocessados, bebidas açucaradas, excesso de sódio,
gorduras trans e álcool estão associados a um pior perfil cardiometabólico.
Álcool, excesso de cafeína, bebidas muito quentes,
refeições volumosas e alimentos picantes podem agravar os fogachos. Flávia
recomenda observar as reações individuais, sem criar proibições universais. O
mesmo vale para suplementos, que devem ser indicados a partir da investigação
de possíveis deficiências. Sintomas frequentes ou intensos exigem avaliação
médica.
Além das alterações físicas, a menopausa pode afetar a relação da mulher com o próprio corpo. Para Flávia, essa fase não deve ser tratada como um problema estético a ser corrigido. “O corpo não falhou, ele está atravessando uma transição biológica com sintomas próprios, que exigem cuidado e ajuste, não correção. Isso não tira nada da mulher, mas pede que ela reorganize a relação com o próprio corpo nessa nova fase”, conclui.
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