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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Empresas devem reforçar cuidados para evitar assédio político no ambiente de trabalho durante eleições

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Advogada trabalhista da Weiss Advocacia explica como pressão por posicionamento político, exposição de opiniões e uso de canais corporativos podem gerar conflitos e responsabilização

 

Casos de empresas condenadas por pressionar ou coagir trabalhadores a manifestar apoio a determinados candidatos nas eleições de 2022 continuam chegando à Justiça do Trabalho e reforçam a necessidade de atenção das companhias durante períodos eleitorais. Em 2025, decisões judiciais condenaram empresas por práticas como ameaças, pressão e tentativa de influenciar o voto dos empregados. Em 2026, o Tribunal Superior do Trabalho também condenou três associações empresariais de Santa Catarina por assédio eleitoral relacionado às eleições de 2022. 

Com a aproximação das eleições de 2026, o tema volta ao ambiente corporativo e levanta uma questão importante para empregadores: como permitir que trabalhadores expressem suas opiniões políticas sem que o ambiente de trabalho se transforme em espaço de pressão, constrangimento ou discriminação? 

Segundo a advogada trabalhista Letícia May Koga, da Weiss Advocacia, falar sobre política não é, por si só, uma conduta inadequada. O problema surge quando as manifestações interferem na convivência profissional ou passam a constranger outros trabalhadores. 

“O ambiente de trabalho reúne pessoas com formações, histórias e visões de mundo distintas. Em condições normais, essa diversidade contribui para a troca de experiências e para a construção de equipes mais completas. Em períodos de forte polarização, porém, diferenças de opinião podem se transformar em fonte de atritos.” 

A advogada explica que o assédio político pode aparecer em situações cotidianas, inclusive quando não há uma ordem expressa para que o trabalhador vote em determinado candidato. A insistência em saber a preferência política de colegas, por exemplo, pode ultrapassar os limites de uma conversa informal quando envolve pressão ou tentativa de exposição. 

“Outro comportamento comum é a insistência em saber em quem as pessoas vão votar. Uma pergunta eventual pode não representar problema, mas o questionamento repetitivo, a pressão para obter respostas ou a tentativa de expor a posição política de alguém configuram situações inadequadas para o ambiente corporativo.” 

O problema também não está restrito à relação entre chefes e subordinados. De acordo com Letícia, colegas do mesmo nível hierárquico podem praticar assédio político ao criar um ambiente de constrangimento ou isolamento contra quem possui uma posição diferente. 

“O assédio político não ocorre apenas entre chefes e subordinados. Colegas do mesmo nível hierárquico também podem praticá-lo.” 

A utilização de canais corporativos também exige atenção. Grupos de mensagens usados para comunicação profissional, por exemplo, não devem se transformar em espaços de propaganda ou pressão política. O mesmo cuidado vale para símbolos partidários e materiais de campanha no ambiente de trabalho. 

Para a advogada, a responsabilidade das empresas passa principalmente pela prevenção. Orientações claras, canais de denúncia e apuração adequada de eventuais ocorrências podem ajudar a evitar que conflitos políticos se transformem em problemas trabalhistas. 

“Diante desse cenário, a prevenção é sempre o melhor caminho. As empresas devem orientar gestores e equipes sobre padrões mínimos de convivência, reforçar os canais de denúncia e agir rapidamente sempre que houver relatos de comportamentos inadequados.” 

A resposta da empresa, segundo Letícia, também deve considerar a gravidade e a reincidência da conduta. Dependendo do caso, podem ser aplicadas medidas disciplinares que vão de orientação e advertência até suspensão e, em situações mais graves, dispensa por justa causa. 

Mais do que evitar uma eventual responsabilização judicial, a orientação é que as empresas estabeleçam limites claros para a convivência durante o período eleitoral, preservando a liberdade de opinião sem permitir que diferenças políticas resultem em pressão, discriminação ou constrangimento no ambiente profissional.


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