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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Dermatite Atópica: coceira intensa, impacto emocional e novos tratamentos no SUS

Cerca de 9 a 13% das crianças e 3% a 7% dos adultos no Brasil. 

   23 de setembro – Dia de Conscientização da Dermatite Atópica 

 

Pele seca, escamosa e uma coceira quase insuportável que perturba o sono, prejudica a concentração e afeta a autoestima. Esses são alguns dos sinais da dermatite atópica, condição crônica de pele que afeta cerca de 9 a 13% das crianças e 3 a 7% dos adultos no Brasil. A doença tem origem genética, não é contagiosa e costuma se manifestar ainda na infância — aproximadamente 60% dos casos surgem já no primeiro ano de vida.

 

A dermatite atópica resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos. A barreira cutânea do paciente é mais frágil, o que facilita a perda de água e a entrada de substâncias irritantes e alergênicas.

 

Entre os principais desencadeantes estão banhos quentes e demorados, uso de sabonetes agressivos, atrito de tecidos como lã e sintéticos, tempo seco, suor excessivo, poeira ou ácaros, estresse emocional e falta de uso de cremes hidratantes diários. 

 

“Em 80% das crianças acometidas, a doença se apresenta em forma leve, e em cerca de 70% dos casos há melhora gradual até o final da infância. Porém, para muitos pacientes, a condição permanece crônica, com períodos de melhora e de piora alternados”, explica a Dra. Márcia Mallozi, Coordenadora do Departamento Científico de Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

 

Nos bebês, as lesões predominam no rosto (bochechas), pescoço e couro cabeludo. Já em crianças maiores, adolescentes e adultos, a doença atinge com mais frequência as dobras dos cotovelos e joelhos, pescoço e pálpebras.

 

Impacto que vai além da pele

 

Estudos na literatura médica mostram que metade das pessoas adultas com dermatite atópica em formas mais graves sofre com ansiedade ou depressão, e 55% apresentam problemas para dormir, muitos por causa da coceira incessante. As lesões visíveis também provocam preconceito e isolamento social, especialmente entre crianças em idade escolar.

 

"As alterações na aparência da pele e a coceira persistente comprometem a qualidade de vida e provocam mudanças de comportamento, alterações do humor e do sono, isolamento social, podendo levar à ansiedade e depressão. É fundamental que o tratamento inclua também o acompanhamento psicológico", ressalta a Dra. Mallozi.

 

O tratamento da dermatite atópica baseia-se em três pilares principais:

 

1.    Hidratação e cuidados com a pele — uso contínuo de hidratantes e sabonetes indicados pelo médico para manter e refazer a barreira cutânea;

 

2.    Medicação de controle — corticosteroides tópicos, imunomoduladores e, em casos mais graves, imunossupressores sistêmicos;

 

3.    Identificação e prevenção de gatilhos — reconhecer os alérgenos e fatores desencadeantes para reduzir a frequência das crises.

 

"Um banho por dia, rápido e com água morna. Hidratante e sabonete orientados pelo médico são de fundamental importância para manter e refazer a barreira cutânea. A imunoterapia, também conhecida como vacina de alergia, pode ser recomendada em alguns casos, a critério do médico especialista. Além disso, é essencial tratar as doenças associadas", orienta a Dra. Mallozi.

 

Novas terapias: Os últimos anos trouxeram avanços significativos no tratamento da dermatite atópica, especialmente para casos moderados a graves que não respondem às terapias convencionais, alguns deles já incorporados aos sistemas de saúde pública e suplementar.

 

Além disso, em maio de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de três novos medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), viabilizando tratamento integral desde as formas leves até os quadros graves.

 Importante destacar que o tratamento da dermatite atópica envolve equipe multiprofissional para dar adequado suporte aos pacientes e às famílias. 



ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia existe desde 1972. É uma associação sem finalidade lucrativa, de caráter científico, cuja missão é promover a educação médica continuada e a difusão de conhecimentos na área de Alergia e Imunologia, fortalecer o exercício profissional com excelência da especialidade de Alergia e Imunologia nas esferas pública e privada e divulgar para a sociedade a importância da prevenção e tratamento de doenças alérgicas e imunodeficiências. Atualmente, a ASBAI tem representações regionais em 23 estados brasileiros.
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