Cerca de 9 a 13% das crianças e 3% a 7% dos adultos no Brasil.
23 de
setembro – Dia de Conscientização da Dermatite Atópica
Pele seca, escamosa e uma coceira quase insuportável que perturba o sono, prejudica a concentração e afeta a autoestima. Esses são alguns dos sinais da dermatite atópica, condição crônica de pele que afeta cerca de 9 a 13% das crianças e 3 a 7% dos adultos no Brasil. A doença tem origem genética, não é contagiosa e costuma se manifestar ainda na infância — aproximadamente 60% dos casos surgem já no primeiro ano de vida.
A dermatite
atópica resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e
imunológicos. A barreira cutânea do paciente é mais frágil, o que facilita a
perda de água e a entrada de substâncias irritantes e alergênicas.
Entre os
principais desencadeantes estão banhos quentes e demorados, uso de sabonetes
agressivos, atrito de tecidos como lã e sintéticos, tempo seco, suor excessivo,
poeira ou ácaros, estresse emocional e falta de uso de cremes hidratantes
diários.
“Em 80% das
crianças acometidas, a doença se apresenta em forma leve, e em cerca de 70% dos
casos há melhora gradual até o final da infância. Porém, para muitos pacientes,
a condição permanece crônica, com períodos de melhora e de piora alternados”,
explica a Dra. Márcia Mallozi, Coordenadora do Departamento Científico de
Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
Nos bebês, as
lesões predominam no rosto (bochechas), pescoço e couro cabeludo. Já em
crianças maiores, adolescentes e adultos, a doença atinge com mais frequência
as dobras dos cotovelos e joelhos, pescoço e pálpebras.
Impacto
que vai além da pele
Estudos na
literatura médica mostram que metade das pessoas adultas com dermatite atópica
em formas mais graves sofre com ansiedade ou depressão, e 55% apresentam
problemas para dormir, muitos por causa da coceira incessante. As lesões
visíveis também provocam preconceito e isolamento social, especialmente entre
crianças em idade escolar.
"As
alterações na aparência da pele e a coceira persistente comprometem a qualidade
de vida e provocam mudanças de comportamento, alterações do humor e do sono,
isolamento social, podendo levar à ansiedade e depressão. É fundamental que o
tratamento inclua também o acompanhamento psicológico", ressalta a Dra.
Mallozi.
O tratamento da
dermatite atópica baseia-se em três pilares principais:
1. Hidratação
e cuidados com a pele — uso contínuo de hidratantes e sabonetes indicados pelo
médico para manter e refazer a barreira cutânea;
2. Medicação
de controle — corticosteroides tópicos, imunomoduladores e, em casos mais
graves, imunossupressores sistêmicos;
3. Identificação
e prevenção de gatilhos — reconhecer os alérgenos e fatores desencadeantes para
reduzir a frequência das crises.
"Um banho por
dia, rápido e com água morna. Hidratante e sabonete orientados pelo médico são
de fundamental importância para manter e refazer a barreira cutânea. A
imunoterapia, também conhecida como vacina de alergia, pode ser recomendada em
alguns casos, a critério do médico especialista. Além disso, é essencial tratar
as doenças associadas", orienta a Dra. Mallozi.
Novas
terapias: Os últimos anos trouxeram avanços
significativos no tratamento da dermatite atópica, especialmente para casos
moderados a graves que não respondem às terapias convencionais, alguns deles já
incorporados aos sistemas de saúde pública e suplementar.
Além disso, em
maio de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de três novos
medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), viabilizando tratamento integral
desde as formas leves até os quadros graves.
ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia existe desde 1972. É uma associação sem finalidade lucrativa, de caráter científico, cuja missão é promover a educação médica continuada e a difusão de conhecimentos na área de Alergia e Imunologia, fortalecer o exercício profissional com excelência da especialidade de Alergia e Imunologia nas esferas pública e privada e divulgar para a sociedade a importância da prevenção e tratamento de doenças alérgicas e imunodeficiências. Atualmente, a ASBAI tem representações regionais em 23 estados brasileiros.
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