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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

5 indícios de que você sofre com bruxismo: conheça os sinais da condição relacionada ao sono e à ansiedade

 

Dores na mandíbula, desgaste dos dentes e dor de cabeça ao acordar estão entre os sinais que podem indicar o problema; especialista explica quando procurar ajuda 

 

Quatro em cada dez brasileiros convivem com o bruxismo, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O hábito de apertar ou ranger os dentes pode acontecer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada e, apesar de muitas vezes passar despercebido, pode provocar desgaste dos dentes, sensibilidade, dores musculares e sobrecarga da articulação temporomandibular (ATM).  

Como nem sempre a pessoa percebe que aperta ou range os dentes, alguns sinais podem ajudar a identificar o comportamento e indicar quando é importante buscar avaliação profissional. Segundo o Dr. Leonardo Acioli, dentista e fundador da SorriaMed, observar manifestações que aparecem principalmente ao acordar pode ajudar na identificação do problema.  

“O fato de o paciente apertar ou ranger os dentes não significa, por si só, que exista um problema a ser tratado. Na consulta, avaliamos se esse comportamento está provocando desgaste dos dentes, dor ou fadiga nos músculos da face, sobrecarga da articulação temporomandibular ou outros sintomas. É a presença e a intensidade dessas consequências que ajudam a definir a necessidade de intervenção”, explica Leonardo. 

A seguir, o especialista aponta cinco indícios que podem ajudar a identificar o problema: 
 

1. Dor ou cansaço na mandíbula ao acordar  

Sentir dor, tensão ou cansaço na região da mandíbula logo pela manhã pode ser um sinal de que os músculos responsáveis pela mastigação permaneceram contraídos durante o sono. “É comum que a pessoa acorde com a sensação de que passou a noite inteira pressionando as arcadas dentárias. Em alguns casos, ela também pode perceber dificuldade ou desconforto ao abrir a boca”, explica Leonardo. 
 

2. Mais dor de cabeça e estresse  

O apertamento dos dentes durante a noite pode manter os músculos da mastigação em atividade por longos períodos e contribuir para o surgimento de dores de cabeça, especialmente ao acordar.  

A relação entre bruxismo, estresse e ansiedade também merece atenção. O estudo “Existe associação entre estresse e bruxismo? Uma revisão sistemática e meta-análise”, publicado na revista Frontiers in Neurology, analisou seis estudos com adultos e identificou uma associação entre estresse e bruxismo. Na análise conjunta, os participantes sob estresse apresentaram 97% mais chances de manifestar o comportamento.  

“Muitas vezes, precisamos entender como está o sono, quais são os níveis de tensão da rotina e se existe algum fator psicológico associado. Em alguns casos, a pessoa passa o dia inteiro em estado de alerta e mantém a musculatura da mandíbula contraída sem perceber”, relata Leonardo. 
 

3. Desgaste ou sensibilidade nos dentes  

Dentes que parecem mais achatados, pequenas trincas, bordas quebradiças ou aumento da sensibilidade ao consumir alimentos e bebidas quentes ou gelados também podem ser sinais de atenção. O contato frequente e com força entre as arcadas pode acelerar a perda da estrutura dentária e deixar partes mais internas expostas.  

“Além do desgaste que conseguimos identificar durante a avaliação, o paciente pode perceber mudanças na própria mordida, notar que alguns dentes estão mais sensíveis ou até observar pequenas fraturas. São sinais que merecem investigação, principalmente quando aparecem sem uma causa aparente relacionada a um trauma específico ou alimentação”, explica Leonardo. 
 

4. Estalos ou desconforto na articulação da mandíbula  

A articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula, pode sofrer com a sobrecarga da musculatura. A sensação de que a região “trava” ou dificuldade para realizar movimentos amplos, como abrir completamente a boca, são sinais que merecem atenção.  

“Estalos, sensação de pressão, dor ou desconforto ao movimentar a mandíbula indicam sobrecarga. No entanto, esses sintomas não significam necessariamente que a causa seja o bruxismo. A avaliação profissional é importante para identificar a origem", conta. 
 

5. Alguém percebe que você range os dentes durante o sono  

Como o bruxismo do sono acontece enquanto a pessoa está dormindo, muitas vezes o primeiro sinal vem de quem divide o quarto ou a cama. O barulho provocado pelo ranger dos dentes pode ser percebido durante a noite e atrapalhar o sono de quem divide a rotina com o paciente.  

“Às vezes, é o parceiro ou alguém da família que percebe o barulho e chama a atenção para o problema e inicia-se a procura por algum tratamento. A atenção dos familiares é fundamental para também identificar a redução das frequências de bruxismo à noite após o atendimento odontológico”, orienta Dr.Leonardo Acioli. 
 

Quando procurar ajuda?  

Quando há consequências, o tratamento pode envolver diferentes estratégias, de acordo com cada caso. A placa oclusal, por exemplo, pode ser indicada para proteger os dentes do desgaste durante o sono. Em situações específicas, também podem ser considerados cuidados restauradores, fisioterapia orofacial e medidas relacionadas ao controle do estresse, à qualidade do sono e a outros fatores associados.  

“O tratamento precisa olhar para a pessoa como um todo. Se existe ansiedade ou estresse, por exemplo, não adianta olhar apenas para a musculatura. O mais importante é entender quais consequências o comportamento está provocando e atuar sobre esses fatores”, finaliza o dentista. 

 

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