Dores na mandíbula, desgaste dos dentes e dor de cabeça ao acordar estão entre os sinais que podem indicar o problema; especialista explica quando procurar ajuda
Quatro
em cada dez brasileiros convivem com o bruxismo, segundo dados divulgados pela
Organização Mundial da Saúde (OMS). O hábito de apertar ou ranger os dentes
pode acontecer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada e, apesar de
muitas vezes passar despercebido, pode provocar desgaste dos dentes,
sensibilidade, dores musculares e sobrecarga da articulação temporomandibular
(ATM).
Como
nem sempre a pessoa percebe que aperta ou range os dentes, alguns sinais podem
ajudar a identificar o comportamento e indicar quando é importante buscar
avaliação profissional. Segundo o Dr. Leonardo Acioli, dentista e fundador da
SorriaMed, observar manifestações que aparecem principalmente ao acordar pode
ajudar na identificação do problema.
“O
fato de o paciente apertar ou ranger os dentes não significa, por si só, que
exista um problema a ser tratado. Na consulta, avaliamos se esse comportamento
está provocando desgaste dos dentes, dor ou fadiga nos músculos da face,
sobrecarga da articulação temporomandibular ou outros sintomas. É a presença e
a intensidade dessas consequências que ajudam a definir a necessidade de
intervenção”, explica Leonardo.
A seguir, o
especialista aponta cinco indícios que podem ajudar a identificar o
problema:
1.
Dor ou cansaço na mandíbula ao acordar
Sentir
dor, tensão ou cansaço na região da mandíbula logo pela manhã pode ser um sinal
de que os músculos responsáveis pela mastigação permaneceram contraídos durante
o sono. “É comum que a pessoa acorde com a sensação de que passou a noite
inteira pressionando as arcadas dentárias. Em alguns casos, ela também pode
perceber dificuldade ou desconforto ao abrir a boca”, explica Leonardo.
2.
Mais dor de cabeça e estresse
O
apertamento dos dentes durante a noite pode manter os músculos da mastigação em
atividade por longos períodos e contribuir para o surgimento de dores de
cabeça, especialmente ao acordar.
A
relação entre bruxismo, estresse e ansiedade também merece atenção. O estudo
“Existe associação entre estresse e bruxismo? Uma revisão sistemática e
meta-análise”, publicado na revista Frontiers in Neurology, analisou
seis estudos com adultos e identificou uma associação entre estresse e
bruxismo. Na análise conjunta, os participantes sob estresse apresentaram 97%
mais chances de manifestar o comportamento.
“Muitas
vezes, precisamos entender como está o sono, quais são os níveis de tensão da
rotina e se existe algum fator psicológico associado. Em alguns casos, a pessoa
passa o dia inteiro em estado de alerta e mantém a musculatura da mandíbula
contraída sem perceber”, relata Leonardo.
3.
Desgaste ou sensibilidade nos dentes
Dentes que parecem
mais achatados, pequenas trincas, bordas quebradiças ou aumento da
sensibilidade ao consumir alimentos e bebidas quentes ou gelados também podem
ser sinais de atenção. O contato frequente e com força entre as arcadas pode
acelerar a perda da estrutura dentária e deixar partes mais internas
expostas.
“Além do desgaste
que conseguimos identificar durante a avaliação, o paciente pode perceber
mudanças na própria mordida, notar que alguns dentes estão mais sensíveis ou
até observar pequenas fraturas. São sinais que merecem investigação,
principalmente quando aparecem sem uma causa aparente relacionada a um trauma
específico ou alimentação”, explica Leonardo.
4.
Estalos ou desconforto na articulação da mandíbula
A
articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula,
pode sofrer com a sobrecarga da musculatura. A sensação de que a região “trava”
ou dificuldade para realizar movimentos amplos, como abrir completamente a
boca, são sinais que merecem atenção.
“Estalos,
sensação de pressão, dor ou desconforto ao movimentar a mandíbula indicam
sobrecarga. No entanto, esses sintomas não significam necessariamente que a
causa seja o bruxismo. A avaliação profissional é importante para identificar a
origem", conta.
5.
Alguém percebe que você range os dentes durante o sono
Como o
bruxismo do sono acontece enquanto a pessoa está dormindo, muitas vezes o
primeiro sinal vem de quem divide o quarto ou a cama. O barulho provocado pelo
ranger dos dentes pode ser percebido durante a noite e atrapalhar o sono de
quem divide a rotina com o paciente.
“Às
vezes, é o parceiro ou alguém da família que percebe o barulho e chama a
atenção para o problema e inicia-se a procura por algum tratamento. A atenção
dos familiares é fundamental para também identificar a redução das frequências
de bruxismo à noite após o atendimento odontológico”, orienta Dr.Leonardo
Acioli.
Quando
procurar ajuda?
Quando
há consequências, o tratamento pode envolver diferentes estratégias, de acordo
com cada caso. A placa oclusal, por exemplo, pode ser indicada para proteger os
dentes do desgaste durante o sono. Em situações específicas, também podem ser
considerados cuidados restauradores, fisioterapia orofacial e medidas
relacionadas ao controle do estresse, à qualidade do sono e a outros fatores
associados.
“O
tratamento precisa olhar para a pessoa como um todo. Se existe ansiedade ou
estresse, por exemplo, não adianta olhar apenas para a musculatura. O mais
importante é entender quais consequências o comportamento está provocando e
atuar sobre esses fatores”, finaliza o dentista.

Nenhum comentário:
Postar um comentário