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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

INSS aponta que dores na coluna lideram afastamento no trabalho. Médico reforça importância da prevenção no ambiente profissional

Dados mostram que a dorsalgia foi a principal causa de concessão de auxílio por incapacidade temporária em 2025; especialista alerta para profissões que mais geram dores crônicas e como preservar a saúde de trabalhadores 

 

Dados recentes da Previdência Social mostram que a dorsalgia liderou as concessões de auxílio por incapacidade temporária em 2025, com 237.113 benefícios, seguida pelos transtornos dos discos intervertebrais, responsáveis por outros 208.727 afastamentos. O cenário evidencia o impacto crescente das doenças musculoesqueléticas sobre trabalhadores, empresas e o sistema previdenciário.  

Os números refletem uma realidade presente em diferentes setores da economia. Jornadas prolongadas na mesma posição, e postos de trabalho inadequados estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento de problemas na coluna. Fatores que exigem tratamentos prolongados, fisioterapia e, por vezes, períodos extensos de recuperação.  

Segundo o médico especialista em dor Dr. Lúcio Gusmão, fundador da Rede CADE (Centro Avançado de Dor e Especialidades), a maioria desses quadros não surge de forma repentina, mas é resultado de pequenos desgastes acumulados ao longo dos anos.  

"Grande parte dos pacientes chega ao consultório depois de conviver durante muito tempo com desconfortos considerados normais. A dorsalgia é o termo usado para descrever a dor na coluna, enquanto os transtornos dos discos intervertebrais atingem as estruturas localizadas entre uma vértebra e outra, que são amortecedores de impacto naturais da coluna. Quando esses discos sofrem desgaste ou lesões, como acontece nos casos de hérnia de disco, a dor tende a ser mais intensa e pode até irradiar para braços ou pernas", explica. 

O especialista destaca que a coluna funciona como o principal eixo de sustentação do corpo e sofre diretamente os impactos de hábitos inadequados mantidos diariamente.  

"A coluna funciona como um prédio sustentado por diversos pilares. Esses pilares são os músculos que ajudam a distribuir a carga do corpo de maneira equilibrada. Quando permanecemos muito tempo na mesma postura ou realizamos esforços repetitivos sem períodos de recuperação, alguns desses músculos passam a trabalhar acima da capacidade, enquanto outros deixam de cumprir seu papel. Ao longo do tempo, esse estresse contínuo favorece inflamações e pode desenvolver um quadro de dor crônica", afirma. 
 

Empresas têm papel na prevenção  

Embora fatores individuais e genéticos influenciem a saúde da coluna, o ambiente de trabalho deve ter papel preventivo nas doenças ocupacionais. Para o especialista, investir em ergonomia e em hábitos saudáveis representa uma estratégia importante tanto para preservar a saúde dos colaboradores quanto para reduzir o absenteísmo.  

"As empresas precisam compreender que investir em prevenção não é apenas uma questão de bem-estar, mas também de sustentabilidade do negócio. Ambientes ergonomicamente adequados, pausas programadas, benefícios de incentivo à atividade física e orientação sobre postura ajudam a reduzir afastamentos, diminuem perdas de produtividade e preservam profissionais qualificados", ressalta.  

Quanto a dicas para o trabalhador, Dr. Lúcio aponta que pequenas mudanças na rotina já podem produzir resultados significativos: "Levantar-se periodicamente, alternar posições durante o expediente, ajustar corretamente cadeiras, mesas e monitores e fazer alongamentos simples já diminuem a sobrecarga sobre a coluna e reduzem o risco de desenvolver dores crônicas". 
 

Algumas profissões exigem atenção redobrada  

Embora qualquer trabalhador possa desenvolver problemas na coluna, certas atividades apresentam maior predisposição devido às exigências da rotina. Pessoas que permanecem longos períodos sentadas em frente ao computador, dentistas que trabalham inclinados sobre os pacientes e trabalhadores da construção civil que realizam levantamento constante de cargas figuram entre grupos mais suscetíveis.  

"Nesses casos, a musculatura permanece tensionada por muitas horas, há maior compressão e ocorre um desgaste progressivo das estruturas responsáveis pela estabilidade do corpo. O acompanhamento médico contínuo é fundamental nesse cenário para tornar a rotina saudável", explica o Dr. Lúcio.  

Além dos problemas na coluna, as lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) também continuam entre as principais causas de afastamento do trabalho. Segundo a Previdência Social, 135.093 benefícios foram concedidos em 2025 em decorrência de lesões que acometem ombros, braços, punhos e mãos.  

De acordo com o especialista, esses quadros são frequentes em professores, cabeleireiros e manicures, os quais trabalham diariamente com habilidades manuais.  

"Dor não faz parte da profissão. Seja na coluna, nos ombros ou nos punhos, o trabalhador não deve encarar o desconforto como algo normal da rotina. Quanto mais cedo houver intervenção, maiores são as chances de evitar lesões permanentes e manter a capacidade funcional ao longo da vida profissional", finaliza Dr. Lúcio Gusmão. 

 

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