Dados mostram que a dorsalgia foi a principal causa de concessão de auxílio por incapacidade temporária em 2025; especialista alerta para profissões que mais geram dores crônicas e como preservar a saúde de trabalhadores
Dados
recentes da Previdência Social mostram que a dorsalgia liderou as concessões de
auxílio por incapacidade temporária em 2025, com 237.113 benefícios, seguida
pelos transtornos dos discos intervertebrais, responsáveis por outros 208.727
afastamentos. O cenário evidencia o impacto crescente das doenças musculoesqueléticas
sobre trabalhadores, empresas e o sistema previdenciário.
Os números
refletem uma realidade presente em diferentes setores da economia. Jornadas
prolongadas na mesma posição, e postos de trabalho inadequados estão entre os
principais fatores associados ao desenvolvimento de problemas na coluna.
Fatores que exigem tratamentos prolongados, fisioterapia e, por vezes, períodos
extensos de recuperação.
Segundo o
médico especialista em dor Dr. Lúcio Gusmão, fundador da Rede CADE (Centro
Avançado de Dor e Especialidades), a maioria desses quadros não surge de forma
repentina, mas é resultado de pequenos desgastes acumulados ao longo dos
anos.
"Grande parte dos
pacientes chega ao consultório depois de conviver durante muito tempo com
desconfortos considerados normais. A dorsalgia é o termo usado para descrever a
dor na coluna, enquanto os transtornos dos discos intervertebrais atingem as
estruturas localizadas entre uma vértebra e outra, que são amortecedores de
impacto naturais da coluna. Quando esses discos sofrem desgaste ou lesões, como
acontece nos casos de hérnia de disco, a dor tende a ser mais intensa e pode
até irradiar para braços ou pernas", explica.
O
especialista destaca que a coluna funciona como o principal eixo de sustentação
do corpo e sofre diretamente os impactos de hábitos inadequados mantidos
diariamente.
"A
coluna funciona como um prédio sustentado por diversos pilares. Esses pilares
são os músculos que ajudam a distribuir a carga do corpo de maneira
equilibrada. Quando permanecemos muito tempo na mesma postura ou realizamos
esforços repetitivos sem períodos de recuperação, alguns desses músculos passam
a trabalhar acima da capacidade, enquanto outros deixam de cumprir seu papel. Ao
longo do tempo, esse estresse contínuo favorece inflamações e pode desenvolver
um quadro de dor crônica", afirma.
Empresas têm
papel na prevenção
Embora
fatores individuais e genéticos influenciem a saúde da coluna, o ambiente de
trabalho deve ter papel preventivo nas doenças ocupacionais. Para o
especialista, investir em ergonomia e em hábitos saudáveis representa uma
estratégia importante tanto para preservar a saúde dos colaboradores quanto
para reduzir o absenteísmo.
"As
empresas precisam compreender que investir em prevenção não é apenas uma
questão de bem-estar, mas também de sustentabilidade do negócio. Ambientes
ergonomicamente adequados, pausas programadas, benefícios de incentivo à
atividade física e orientação sobre postura ajudam a reduzir afastamentos,
diminuem perdas de produtividade e preservam profissionais qualificados",
ressalta.
Quanto a
dicas para o trabalhador, Dr. Lúcio aponta que pequenas mudanças na rotina já
podem produzir resultados significativos: "Levantar-se periodicamente,
alternar posições durante o expediente, ajustar corretamente cadeiras, mesas e
monitores e fazer alongamentos simples já diminuem a sobrecarga sobre a coluna
e reduzem o risco de desenvolver dores crônicas".
Algumas
profissões exigem atenção redobrada
Embora
qualquer trabalhador possa desenvolver problemas na coluna, certas atividades
apresentam maior predisposição devido às exigências da rotina. Pessoas que
permanecem longos períodos sentadas em frente ao computador, dentistas que
trabalham inclinados sobre os pacientes e trabalhadores da construção civil que
realizam levantamento constante de cargas figuram entre grupos mais
suscetíveis.
"Nesses
casos, a musculatura permanece tensionada por muitas horas, há maior compressão
e ocorre um desgaste progressivo das estruturas responsáveis pela estabilidade
do corpo. O acompanhamento médico contínuo é fundamental nesse cenário para
tornar a rotina saudável", explica o Dr. Lúcio.
Além dos
problemas na coluna, as lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) também
continuam entre as principais causas de afastamento do trabalho. Segundo a
Previdência Social, 135.093 benefícios foram concedidos em 2025 em decorrência
de lesões que acometem ombros, braços, punhos e mãos.
De acordo
com o especialista, esses quadros são frequentes em professores, cabeleireiros
e manicures, os quais trabalham diariamente com habilidades manuais.
"Dor não faz parte
da profissão. Seja na coluna, nos ombros ou nos punhos, o trabalhador não deve
encarar o desconforto como algo normal da rotina. Quanto mais cedo houver
intervenção, maiores são as chances de evitar lesões permanentes e manter a
capacidade funcional ao longo da vida profissional", finaliza Dr. Lúcio
Gusmão.

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