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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Décadas de pesquisa mudam o que a medicina sabe sobre o Alzheimer

 No mês de conscientização sobre a doença, avanços em biomarcadores, diagnóstico e tratamento mostram como a ciência transformou a compreensão do Alzheimer e quais perguntas ainda precisam ser respondidas

 

Identificada há mais de um século, a doença de Alzheimer ainda não tem cura, mas a forma como a medicina consegue compreendê-la e investigá-la mudou significativamente. Se antes a atenção estava concentrada principalmente nos sintomas, como perda de memória e alterações cognitivas, hoje a ciência consegue identificar processos biológicos relacionados à doença que podem começar muitos anos antes das primeiras manifestações. 

Setembro, Mês Mundial do Alzheimer, coloca novamente em evidência uma doença que ainda desafia pesquisadores em diferentes partes do mundo. Os avanços conquistados até aqui permitiram entender melhor o que acontece no cérebro, desenvolver novos tratamentos e identificar biomarcadores associados à doença, ampliando as possibilidades de investigação. 

“Hoje conseguimos enxergar aspectos do Alzheimer que há algumas décadas não eram acessíveis da mesma maneira. Sabemos que alterações biológicas relacionadas à doença podem começar muito antes dos primeiros sintomas, e esse conhecimento mudou tanto a forma como estudamos o Alzheimer quanto as possibilidades que temos para investigá-lo”, explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista do Grupo DB. 

Entre os avanços está a compreensão do papel de proteínas como beta-amiloide e tau, cujas alterações estão associadas à doença. Durante anos, a investigação desses processos dependeu principalmente de exames de imagem e da análise do líquido cefalorraquidiano. Mais recentemente, o desenvolvimento dos biomarcadores sanguíneos tornou possível obter informações relacionadas a esses processos a partir de uma coleta de sangue, um método menos invasivo e potencialmente mais acessível. 

Estudos indicam que alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer podem surgir até duas décadas antes dos sintomas. Em determinados grupos estudados, biomarcadores sanguíneos já permitiram detectar mudanças associadas à doença cerca de 20 anos antes do surgimento esperado das manifestações clínicas. Isso não significa prever, por meio de um exame isolado, quem desenvolverá Alzheimer, mas mostra o quanto a capacidade de investigar a doença avançou. 

“Conseguir acessar essas informações por meio de uma amostra de sangue é um avanço importante. Além de ser uma coleta simples, abre novas possibilidades para a investigação dos biomarcadores. O resultado, no entanto, precisa ser interpretado dentro do contexto clínico do paciente e não substitui a avaliação médica”, ressalta Dra. Gabriela. 

Esse avanço exige investimento contínuo. Somente nos Estados Unidos, o National Institutes of Health (NIH) estimou cerca de US$ 3,86 bilhões destinados à pesquisa sobre Alzheimer e demências relacionadas em 2025. Os estudos abrangem desde a compreensão dos mecanismos da doença até biomarcadores, diagnóstico, prevenção e desenvolvimento de tratamentos. 

Os resultados desse esforço já começam a aparecer também na terapêutica. Nos últimos anos, medicamentos direcionados a mecanismos específicos da doença inauguraram novas possibilidades para determinados pacientes em estágios iniciais. Embora ainda não exista cura, o cenário mostra como descobertas feitas ao longo do tempo podem se transformar em ferramentas concretas para a prática clínica. 

“Ainda temos muitas perguntas a responder, mas os avanços mostram por que a continuidade da pesquisa é fundamental. O que conseguimos investigar e tratar hoje é resultado do conhecimento acumulado ao longo de muitos anos, e as pesquisas atuais podem definir como enfrentaremos o Alzheimer no futuro”, completa Maria Gabriela de Lucca.
 

Grupo DB


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