No mês de conscientização sobre a doença, avanços em biomarcadores, diagnóstico e tratamento mostram como a ciência transformou a compreensão do Alzheimer e quais perguntas ainda precisam ser respondidas
Identificada há mais de um século, a doença de Alzheimer ainda não
tem cura, mas a forma como a medicina consegue compreendê-la e investigá-la
mudou significativamente. Se antes a atenção estava concentrada principalmente
nos sintomas, como perda de memória e alterações cognitivas, hoje a ciência
consegue identificar processos biológicos relacionados à doença que podem
começar muitos anos antes das primeiras manifestações.
Setembro, Mês Mundial do Alzheimer, coloca novamente em evidência
uma doença que ainda desafia pesquisadores em diferentes partes do mundo. Os
avanços conquistados até aqui permitiram entender melhor o que acontece no
cérebro, desenvolver novos tratamentos e identificar biomarcadores associados à
doença, ampliando as possibilidades de investigação.
“Hoje conseguimos enxergar aspectos do Alzheimer que há algumas
décadas não eram acessíveis da mesma maneira. Sabemos que alterações biológicas
relacionadas à doença podem começar muito antes dos primeiros sintomas, e esse
conhecimento mudou tanto a forma como estudamos o Alzheimer quanto as
possibilidades que temos para investigá-lo”, explica Maria Gabriela de Lucca,
médica patologista do Grupo DB.
Entre os avanços está a compreensão do papel de proteínas como
beta-amiloide e tau, cujas alterações estão associadas à doença. Durante anos,
a investigação desses processos dependeu principalmente de exames de imagem e
da análise do líquido cefalorraquidiano. Mais recentemente, o desenvolvimento
dos biomarcadores sanguíneos tornou possível obter informações relacionadas a
esses processos a partir de uma coleta de sangue, um método menos invasivo e
potencialmente mais acessível.
Estudos indicam que alterações biológicas relacionadas ao
Alzheimer podem surgir até duas décadas antes dos sintomas. Em determinados
grupos estudados, biomarcadores sanguíneos já permitiram detectar mudanças
associadas à doença cerca de 20 anos antes do surgimento esperado das
manifestações clínicas. Isso não significa prever, por meio de um exame
isolado, quem desenvolverá Alzheimer, mas mostra o quanto a capacidade de
investigar a doença avançou.
“Conseguir acessar essas informações por meio de uma amostra de
sangue é um avanço importante. Além de ser uma coleta simples, abre novas
possibilidades para a investigação dos biomarcadores. O resultado, no entanto,
precisa ser interpretado dentro do contexto clínico do paciente e não substitui
a avaliação médica”, ressalta Dra. Gabriela.
Esse avanço exige investimento contínuo. Somente nos Estados
Unidos, o National Institutes of Health (NIH) estimou cerca de US$ 3,86 bilhões
destinados à pesquisa sobre Alzheimer e demências relacionadas em 2025. Os
estudos abrangem desde a compreensão dos mecanismos da doença até
biomarcadores, diagnóstico, prevenção e desenvolvimento de tratamentos.
Os resultados desse esforço já começam a aparecer também na
terapêutica. Nos últimos anos, medicamentos direcionados a mecanismos
específicos da doença inauguraram novas possibilidades para determinados
pacientes em estágios iniciais. Embora ainda não exista cura, o cenário mostra
como descobertas feitas ao longo do tempo podem se transformar em ferramentas
concretas para a prática clínica.
“Ainda temos muitas perguntas a responder, mas os avanços mostram
por que a continuidade da pesquisa é fundamental. O que conseguimos investigar
e tratar hoje é resultado do conhecimento acumulado ao longo de muitos anos, e
as pesquisas atuais podem definir como enfrentaremos o Alzheimer no futuro”,
completa Maria Gabriela de Lucca.
Grupo DB
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